quarta-feira, 10 de agosto de 2011

A Escolástica

Na Idade Média surgiu no seio da Igreja, por sua influência e força, a necessidade de responder às exigências da fé. A Igreja cristã (representada pela Igreja Católica) se considerava a principal guardiã dos valores espirituais e morais de toda a humanidade. A Europa comungava da fé cristã (em sua absoluta maioria) e assim, um modelo de vida e de ensino se fazia necessário – surgia dessa forma a Escolástica (ou Escolasticismo) - uma linha dentro da filosofia medieval, de acentos notadamente cristãos, que deve o seu nome às artes ensinadas na altura pelos escolásticos nas Escolas medievais. Estas artes podiam ser divididas em Trivium (gramática, retórica e dialética) e Quadrivium (aritmética, geometria, astronomia e música).
A escolástica resulta essencialmente no aprofundar da filosofia, que naquela época abrangia a quase totalidade dos conhecimentos (em alguns casos, incluía até a teologia).

A educação, a cultura e a filosofia que até o início da Idade Média possuíam traços marcadamente clássicos e helenísticos (ou seja, gregos), sofreram influências da cultura judaica e cristã ao longo dos séculos posteriores à entrada do cristianismo no Império Romano. A partir de Agostinho, ao mesmo tempo em que os pensadores cristãos sentiram a necessidade de aprofundar uma fé que estava amadurecendo, buscaram harmonizá-la com as exigências do pensamento filosófico grego.

Dessa forma, tanto temas teológicos sofrerão influências da filosofia, como a filosofia receberá influências teológicas cristãs. A princípio, a Escolástica mostrará uma face mais neoplatônica, conciliando elementos da filosofia de Platão com valores de ordem espiritual (a partir da perspectiva cristã). Mesmo mais tarde, quando Tomás de Aquino trará conceitos e ideias de Aristóteles ao pensamento escolástico, o neoplatonismo ainda será muito forte.

Entender a Escolástica é tentar responder a pergunta: Como conciliar a fé e a razão? Essa é a questão principal que vai atravessar todo o período do pensamento escolástico na busca de harmonizar as duas esferas (razão e fé).

O pensamento de Agostinho defenderá uma subordinação maior da razão em relação à fé, por acreditar que esta (a fé) venha com mais sucesso restaurar a condição decaída da razão humana no seu retorno às origens divinas. Por outro lado, Tomás de Aquino defenderá a autonomia da razão na busca e obtenção de respostas (por influência do aristotelismo). Entretanto, em nenhum momento Aquino negará a premissa da subordinação da razão à fé.

As fontes de conhecimento fundamentais no aprofundamento da reflexão na Escolástica serão os filósofos antigos, as Sagradas Escrituras e os Pais da Igreja (autores dos primeiros séculos cristãos) que tinham sobre si a autoridade de fé e de santidade.

Outros pensadores medievais darão importantes contribuições à Escolástica: Anselmo de Cantuária, Alberto Magno, Roger Bacon, Boaventura de Bagnoreggio, Pedro Abelardo, Bernardo de Claraval, João Escoto Erígena, João Duns Scot, Jean Buridan, Nicole Oresme.

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