quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Paradigmas que aprisionam

Todo o edifício da evolução do acaso cego está alicerçado sobre ‘verdades’ científicas. O grande problema é que estas verdades científicas não explicam satisfatoriamente uma série de coisas:
- a explosão cambriana;
- a improbabilidade estatística dos ‘saltos’ evolutivos (equilíbrio pontuado);
- o desenvolvimento do DNA e do RNA;
- a funcionalidade de órgãos complexos ainda em evolução;
- a insuficiência do tempo cronológico face às necessidades do avanço da evolução;
- a lacuna real de intermediários fósseis;
Além disso, o medo e o preconceito que a ciência revela diante das evidências de ‘projetos’ e ‘designs’ só vem confirmar que o ‘paradigma’ científico atual é semelhante ao das primeiras décadas do século passado, quando a ‘nata’ da geografia (reunidos em Congresso) negou a teoria da deriva dos continentes e expôs seu idealizador ao ridículo, para, poucas décadas depois voltar atrás e nem mesmo reconhecer o erro do passado.
A história se repete: paradigmas dão conforto e segurança, mas aprisionam mentes.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Súplica

Súplica
Frank Viana Carvalho

Tenho andando com o coração tão inquieto
Que, somente ao Teu lado, tendo a Ti bem perto
É que no fim do túnel, consigo avistar uma luz
E sinto diminuir meu fardo, o peso da minha cruz

A felicidade, a paz, o sossego e a segurança
Se foram há tanto tempo, não os tenho como herança
E mesmo no convés do meu barco, sinto o mesmo adernar
Tão tempestuosas são as águas deste revolto mar

A experiência e o discernimento não me mostram uma saída
O que me faz pensar que na jornada da vida
A felicidade, tão almejada, é apenas passageira
(Pois) quando a queremos, ela deixa a viagem, sorrateira

E assim, as coisas que mais almejamos e amamos
Parecem nunca ocorrer da maneira que planejamos
Mas não desisto, persisto, buscando ainda encontrar
Um porto, um refúgio, para meu barco atracar.

Compus este poema em 1986, em um momento de reflexões difíceis e angustiantes. Bem, o tempo passa e é interessante olhar para trás para revisitarmos nossos conceitos.

Conquistando o Agulhas de Bike - Parte I

No final de agosto de 1998 estávamos na Dutra em direção à divisa de São Paulo com o Rio de Janeiro. O plano inicial era ir ao Parque Nacional da Serra da Bocaina (PNSB) e começar os preparativos para uma travessia que faríamos com um grupo no feriado de setembro. Conversando, vimos que não daria tempo de chegar à trilha imperial e voltar para compromissos em São Paulo.


Numa análise tranqüila decidimos andar um pouco mais e visitar o Parque Nacional do Itatiaia, para uma escalada no Agulhas Negras. O fusquinha encarou com facilidade os 40 kms de subida de Engenheiro Passos-RJ até ao Parque do Itatiaia, mesmo com três marmanjos, bagagem e duas bikes no bagageiro. Chegamos cedo e logo estabelecemos o desafio: o Elias e eu colocaríamos as duas bikes no topo do Agulhas, enquanto o Eliandro levaria a mochila, o equipamento fotográfico e prestaria auxílio, se necessário. Por que a aventura? A verdade é que já havíamos subido o Agulhas e não queríamos simplesmente subir outra vez. No entanto decidimos ser cuidadosos e não desafiar a montanha, pois alguns trechos são extremamente perigosos e qualquer descuido pode ser fatal.

Às sete e meia saímos da casa de pedra, Abrigo Rebouças, ponto de referência para o início da subida. Como era bem cedo, decidimos deixar qualquer peso extra que pudesse nos impedir de conseguir o nosso alvo. Levamos na mochila apenas uma bússola comida e uma barraca. Olhamos na bússola e fixamos dois pontos referenciais: o topo e a estradinha atrás da casa de pedra. Bikes nos ombros ou nas costas seguimos com relativa facilidade até a base do Agulhas, no córrego Agulhas Negras. Aí a situação se complicou um pouco: como a subida era íngreme, o peso da bicicleta forçava o corpo para trás ou para o lado, desequilibrando-nos e nos levando a reforçar a atenção e os músculos. Agarrados às fendas na rocha nua, às vezes até deitávamos o corpo na pedra e puxávamos as magrelas. Em outros momentos a vegetação se fechava, dificultando levar as bicicletas às costas ou nos ombros e elas tinham literalmente que ser puxadas “à força”.

Outros grupos de montanhistas que subiam pelo mesmo caminho nos olhavam com ar de surpresa e reforçavam o desafio. Alguns não acreditavam. Uma moça nos perguntou diretamente: - Por que vocês vão subir com duas bicicletas lá no topo? Sorrimos educadamente sem dizer nada, e em seguida perguntamos a ela: - Por que você quer chegar no topo? E ela respondeu: - É, vocês me pegaram!

Finalmente chegamos à parte tecnicamente mais difícil. A canaleta na montanha que leva à fenda do estudante era desafiadora. Se passar por aquele lugar já era difícil, imagine com duas bicicletas. A partir deste trecho o Eliandro passou a nos ajudar para que conseguíssemos o nosso objetivo. Avançamos, ajudando algumas pessoas dos grupos que passavam pela trilha ou utilizando as cordas presas por eles. Em um trecho de 250 metros levamos cerca de duas horas e meia. Chegamos à fenda do estudante. Um de nós foi na frente, e com a “aranha” que levamos içou as bikes para a parte superior da pedra. Após a fenda, quando julgávamos que a coisa ficaria mais fácil, a situação se complicou um pouco. Carregar as bikes naqueles últimos trechos estreitos, tendo a pedra à direita e o precipício à esquerda não foi nada fácil. Mas conseguimos!


Chegamos ao topo! A turma que já estava lá aplaudiu o nosso feito e vibraram junto com a gente. O tempo estava muito bom e dava uma visão fascinante de todo o maciço do Itatiaia. Deu tempo para anotarmos os nossos nomes no livro e trocar endereços com várias pessoas que chegaram ao cume naquele dia.

Uma experiência de fato interessante aconteceu lá no pico. Vi uma fenda na Rocha e mais abaixo vi dois montanhistas. Imaginando que eles haviam descido pela fenda, escorando com as mãos decidi descer pelo mesmo local. Dessa forma, sem nenhum equipamento, a não ser minhas mãos e pés escorando de cada lado da fenda, desci vários metros. Ao chegar lá embaixo, vi que só poderia subir novamente com o auxílio de cordas.



Ao ser puxado para cima, o Elias me chamou de lado e disse que todos que viram aquilo ficaram boquiabertos e disseram - este cara é louco, é impossível descer por aí e desse jeito. Mas aconteceu - por não saber que era impossível e tão arriscado, eu fiz aquilo.

Ficamos cerca de uma hora lá em cima e às três da tarde começamos a descida. A maioria dos montanhistas e alpinistas decidiriu descer pelo caminho mais fácil: a chaminé da vovozinha. Apesar do cansaço, nós optamos por fazer novamente a passagem da fenda do estudante.

Conquistando o Agulhas de Bike - Parte II

Antes de atingirmos a fenda do estudante, a roda de uma das bicicletas se prendeu em uma fenda e se soltou da magrela, rolando ante os nossos olhos rumo ao precipício. Foi terrível. Ficamos paralisados vendo a danada voar despenhadeiro abaixo. Nosso grande temor era de que ela atingisse alguém lá embaixo, o que felizmente não aconteceu. Continuamos e embora a nossa descida estivesse indo num ritmo mais acelerado do que a subida, o cansaço fazia parecer uma trilha sem fim.


Por volta das cinco e meia, a neblina chegou e em minutos cobriu tudo. Não dava para ver nada. O frio aumentava junto com o cansaço. Quando chegamos no riozinho que marca a base do Agulhas, a noite já havia chegado e não conseguíamos enxergar quase nada. Com a neblina e a escuridão, sabíamos que seria fácil errar o caminho e avançamos meio às cegas, devagar, quase parando. Não dava para ver mais nada, nem o caminho, nem o monte às nossas costas. Como nessas horas sempre se busca o caminho mais fácil, acabamos seguindo por uma trilha adjacente à principal rumo ao Prateleiras. Em pouco tempo a trilha fácil foi parar em uma região de pequenas lagoas e pântanos. A bússola indicava o rumo certo, mas o cansaço, o frio, a fome e a escuridão pareciam se unir para impedir que conseguíssemos chegar à estrada. Seguindo à frente, eu me atolei tanto num pântano que só saí com a ajuda do Eliandro. Cansado e com muita dificuldade para enxergar, o Elias passou a bike para o Eliandro. Na frente, outra vez me atolei em outro pântano. Decidimos deixar as bikes e seguir em direção à estrada. Caminhamos seguindo o rumo da bússola, mas a cada passo as dificuldades aumentavam. O Elias bateu forte o joelho em uma pedra e sem enxergar, caí feio machucando uma das costelas. Decidimos não arriscar mais. Parar e esperar o dia amanhecer era a melhor decisão. A despeito de todos estes contratempos, agimos sempre com bom senso, em nenhum momento discutindo ou brigando.

Armamos a barraca rapidamente e entramos, pois o frio era pesado. Molhado e batendo queixo, fui colocado no meio para ficar mais aquecido. Choveu e depois veio aquele silêncio incrível das montanhas. Comemos um pouco e conversamos sobre aquela situação e sobre a oportunidade impar que ela significava no aprendizado e na experiência. Não haver colocado uma lanterna, fósforos e saco de dormir na bagagem foi excesso de autoconfiança e em certo sentido, erro inaceitável para montanhistas com a nossa experiência. Dormimos com os corpos doloridos e com o coração agradecido a Deus por estarmos abrigados e unidos numa situação adversa.

Levantamos cedo e às 5:45 já havíamos desmontado a barraca. Com o tempo claro avistamos a estrada a apenas 500 metros. Logicamente o caminho não era fácil, mas a bússola não errara e nós também não. Só que, na noite anterior, naquelas condições, gastaríamos entre três e quatro horas para chegar à estrada.

Às sete e meia já estávamos guardando nossas coisas no carro. Na entrada do Parque recebemos a roda que havíamos perdido na montanha. Pé no acelerador e às duas da tarde já estávamos em São Paulo, prontos para outras aventuras.


Frank V. Carvalho

sábado, 13 de novembro de 2010

Parque Nacional da Serra da Bocaina - Trilha do Ouro

                                                          Voltamos à Bocaina!!!


Matheus observa enquanto a Amanda já faz seus alongamentos. Mas ainda estamos em São Paulo (Cotia)
Chegamos em São José do Barreiro - SP, no Coreto que é a "foto tradicional" do começo da Aventura.

Ainda é tudo 'Festa'!!!

Chegamos à entrada 'rústica' do Parque Nacional da Serra da Bocaina:
(agachados) LeRoy, Leonardo, Amanda, Rodolfo (camiseta azul), Thaís e Renata; (de pé) Frank, Jhonathan, Helivelton, Letícia, Pâmela, Matheus, Larissa e Rodrigo.

Começou a Caminhada - só faltam 64 kms!!!

Uau, que gostoso! Cachoeira de Santo Isidro; E isso é só o começo!

domingo, 1 de agosto de 2010

Três Provas da Existência de Deus por Descartes

Para René Descartes, três são as provas da existência de Deus:

a) a idéia de Deus supõe ao mesmo Deus;

b) o imperfeito pressupõe o perfeito, Deus;

c) a idéia do ser perfeitíssimo inclui a priori sua existência (argumento a priori).

Percebe-se que em Descartes, as provas seguem a linha de raciocínio de seu método. Aqui apresento apenas um esboço de suas idéias, pois ele as desenvolve com profundidade.

a) A idéia de Deus supõe ao mesmo Deus.

Há no ser humano uma idéia inata de Deus e considerando, por outro lado que as idéias são objetivas, só resta admitir que esta idéia inata nos faz conhecer efetivamente a existência de Deus.

Nesta prova estão implicadas duas condições: a objetividade das idéias e que de fato tenhamos tal idéia inata de Deus. Isto suposto, invoca-se a Deus como causa da referida idéia. Em outras palavras, a idéia de um ser perfeito tem como causa adequada um ser perfeito, Deus.

A existência da idéia de Deus, posta em nós sem poder ter sido produzida por nós, supõe antes de tudo que esta idéia efetivamente não possa ser produzida por nós.

Para Descartes, a realidade objetiva de nossas idéias requer uma causa, em que esta mesma realidade esteja contida, não só objetiva, mas também formal, ou eminentemente.

b) O imperfeito pressupõe o perfeito, Deus.

Para Descartes, o autor de nossa existência não poderia ser o próprio homem (dada a sua condição de imperfeição), mas somente Deus.

Em Meditações Metafísicas ele afirma: "... considerarei se eu mesmo, que tenho essa idéia de Deus, poderia existir no caso que ele não existisse. E pergunto: de que se teria originado a minha existência? De meus pais ou de algumas outras causas menos perfeitas que Deus, visto que coisa alguma pode imaginar-se mais perfeita, nem sequer igual a Ele".

Do perfeito para o imperfeito, o filósofo trabalha três questões: a criação, a existência e a conservação. O homem não pode ter criado a si mesmo, não pode existir por si mesmo e não pode conservar-se a si mesmo.

c) A idéia do ser perfeitíssimo inclui, a priori sua existência.

Aqui temos um argumento utilizado por Anselmo (de forma diferente) remodelado. Não nos é possível separar da idéia da essência de Deus a sua existência. Pelo método cartesiano da idéia clara e distinta, a idéia de um ser perfeitíssimo implicava na existência deste ser, pois do contrário não seria a idéia de um ser perfeitíssimo.

Em Descartes temos clara e distintamente que em Deus a existência é inseparável de sua essência. Sendo que tenho a idéia de Deus, conheço a sua existência. Em Meditações Metafísicas lemos “... é bem certo que acho em mim mesmo a sua idéia (de Deus), quer dizer, a idéia de um ser sumamente perfeito, como acho a idéia de qualquer forma ou maneira, conhecendo demais, que uma existência atual e eterna pertence a sua natureza, com não menor distinção e clareza que quando conheço que tudo quanto posso demonstrar de um número ou de uma forma pertence realmente à natureza deste número ou dessa forma... Vejo manifestamente que é tão impossível separar da essência de Deus sua existência, como da essência de um triângulo retilíneo o que na magnitude dos seus ângulos é igual a duas retas, como da idéia de uma montanha ou vale. De forma que não há menos repugnância em conceber um Deus, isto é, um ser sumamente perfeito mas a quem falte existência, isto é, a quem falte perfeição, que em conceber uma montanha sem vale...

Não que o meu pensamento possa fazer com que seja assim, nem que imponha necessidade alguma às coisas, pelo contrário, a necessidade que há na coisa em si mesma, quer dizer, a necessidade da existência de Deus é que me determina ter esse pensamento, pois não sou eu livre de conceber a Deus sem existência, isto é, a um ser sumamente perfeito sem perfeição, do mesmo modo que sou livre para poder imaginar um cavalo com asas ou sem elas.

Para filósofos anteriores como Platão, Aristóteles e Tomás de Aquino, as essências são absolutas e eternas. Para Descartes, ao tratar dessa forma a existência de Deus, vemos que as essências são também objetivas.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

As Cinco Provas da Existência de Deus de Aquino


Em se tratando de Filosofia, várias são as 'provas' e 'argumentos' para se estabelecer a existência de Deus. Diversos filósofos assim o fizeram. Comecemos por Tomás de Aquino, que na Suma Teológica tenta provar a existência divina sem apelar para a fé.

Primeiro Motor. Nossos sentidos atestam, com toda a certeza, que neste mundo algumas coisas se movem. Tudo o que se move é movido por alguém, é impossível uma cadeia infinita de motores provocando o movimento dos movidos, pois do contrário nunca se chegaria ao movimento presente, logo há que ter um primeiro motor que deu início ao movimento existente e que por ninguém foi movido, e um tal ser todos entendem: é Deus. Deus é potência (metafísica) e ao mesmo tempo movimento (ato, ação). Somente Deus poderia poderia prover ao mundo seu movimento, seu início.

Causa Primeira ou Causa Eficiente. Essa advém da relação "causa-e-efeito" que se observa nas coisas criadas. Não se encontra, nem é possível, algo que seja a causa eficiente de si próprio, porque desse modo seria anterior a si prórpio: o que é impossível. É necessário que haja uma causa primeira que por ninguém tenha sido causada, pois a todo efeito é atribuída uma causa, do contrário não haveria nenhum efeito pois cada causa pediria uma outra numa sequência infinita e não se chegaria ao efeito atual. Logo é necessário afirmar uma Causa eficiente Primeira que não tenha sido causada por ninguém. Esta Causa todos chamam Deus. Assim se explica a causa da existência de todo o Universo.

Ser Necessário e Ser Contingente. Existem seres que podem ser ou não ser, chamados de contingentes, isto é cuja existência não é indispensável e que podem existir e depois deixar de existir. Todos os seres que existem no mundo são contingentes, isto é, aparecem, duram um tempo e depois desaparecem. Mas, nem todos os seres podem ser desnecessários, pois se não o mundo não existiria, alguma vez nada teria existido. Logo é preciso que haja um Ser Necessário e que fundamente a existência dos seres contingentes e que não tenha a sua existência fundada em nenhum outro ser.

Igualmente, tudo o que é necessário tem, ou não, a causa da sua necessidade de um outro. Aqui também não é possível continuar até o infinito na série das coisas necessárias que têm uma causa da própria necessidade. Portanto, é necessário afirmar a existência de algo necessário por si mesmo, que não encontra em outro a causa de sua necessidade, mas que é causa da necessidade para os outros: aquele que todos chamam Deus. Além disso, do nada, nada surge, nem há como advir o ser. Como se observa que as coisas existem, não podem ter se originado do nada.

Ser Perfeito e Causa da Perfeição dos demais. Verifica-se que há graus de perfeição nos seres, uns são mais perfeitos que outros, o universo está ontologicamente hierarquizado (seres racionais corpóreos, animais, vegetais e inanimados). Qualquer graduação pressupõe uma parâmetro máximo – logo deve existir um ser que tenha este padrão máximo de perfeição e que é a Causa da Perfeição dos demais seres.

Inteligência Ordenadora. Existe uma ordem admirável no Universo que é facilmente verificada. Ora, toda ordem é fruto de uma inteligência ordenadora, não se chega à ordem pelo acaso e nem pelo caos. Logo há um ser inteligente que dispôs o universo em sua forma ordenada. Com efeito, aquilo que não tem conhecimento não tende a um fim, a não ser dirigido por algo que conhece e que é inteligente, como a flecha pelo arqueiro. Logo existe algo inteligente pelo qual todas as coisas naturais são ordenadas ao fim, e a isso nós chamamos Deus.

Há uma ordem em todos os seres, os menores seres (ele cita os vegetais) tem órgãos para cada função ordenados para a preservação da espécie. Esta ordem pressupõe uma Inteligência ordenadora, pois a ordem não vem do caos e nem do acaso. Da mesma forma as letras de um livro não são colocadas ao acaso. Logo a ordem existente no mundo prova a existência de uma Inteligência que ordenou todas as coisas nos mínimos detalhes. É necessário que exista uma Inteligência Suprema que tenha ordenado o Universo criado.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

O fenômeno da Educação à Distância

O Fenômeno EAD
Sob os olhares generosos e complacentes da mídia e com a devida aprovação dos órgãos públicos, a novidade e ‘fenômeno’ EAD (Educação à distância) deixou a sua marca na área do ensino superior em diversas regiões do Brasil. Agindo de maneira sistemática e agressiva, firmando convênios com instituições educacionais, prefeituras e secretarias de educação dos municípios, a EAD vem conseguiu em poucos anos uma façanha em cadeia múltipla: oferecer cursos superiores a preço de supletivo, em valores até 70% inferiores aos praticados pelas Faculdades presenciais.
Além disso conseguiu incrementar, incentivar e aguçar direta e indiretamente a tão nefasta ‘guerra de preços’ entre as instituições de ensino superior. Mas foi além, conseguiu diminuir consideravelmente a procura pelos cursos superiores presenciais, o que, conseqüentemente está levando vários ao fechamento e à demissão de seu quadro de mestres e doutores.
Como um subproduto da globalização, o fenômeno da educação superior EAD ocorre no Brasil à semelhança da atuação das gigantescas multinacionais: a partir de sua base ‘distante’, lançando seus tentáculos e estabelecendo pólos onde oferece seus produtos (no caso, o ensino superior) a preços altamente competitivos. Para atuar à distância nestas regiões, recebeu, é claro, a autorização das autoridades competentes. Como seu modelo de atuação é diferente, nessas novas regiões não sofreu nem de longe a intensa fiscalização da qual é alvo os que estão ali estabelecidos (obviamente, há exceções).
Com um custo operacional reduzido, operando a partir de um protótipo único (aulas pré-gravadas ou televisionadas), realizadas por uma pequena equipe (‘poucos’ professores - quando comparados com a quantidade de alunos que conseguem atingir), numa ‘produção’ em massa (não importa quantas regiões atinja, a ‘aula’ é a mesma para todos) oferecida em quantidade supostamente suficiente (uma ‘aula’ por semana, duas, quando muito), a EAD venceu.

Assim, conseguiu oferecer ‘produtos’ ditos de ‘qualidade’ com selo de garantia (aulas realizadas por doutores) por valores significativamente menores que os da região atendida. Conseguiu aos poucos a submissão (cessão do espaço ou convênios) ou mesmo a eliminação (fechamento) de seus concorrentes. Os lucros desta empreitada são fantásticos, haja vista a proliferação da modalidade.
E a mídia rapidamente divulgou os aspectos ‘positivos’ do modelo, esquecendo propositalmente os ‘detalhes’ não desejáveis da história.
É lamentável o que ocorreu de forma tão descabida nesse modelo. Vários idealistas da educação, que se estabeleceram enfrentando a dura burocracia do MEC e suas comissões para abrir cursos e atender a população de áreas onde as ‘grandes’ instituições não tiveram interesse, foram completamente ‘desconsiderados’ pelo MEC e pela ‘onda’ EAD. Um burocrata do MEC disse que ‘esperava que a EAD atuasse somente aonde não havia cursos presenciais’. Difícil acreditar nessa ingenuidade. Ele parece que não queria ver o óbvio: centenas e até milhares de professores que investiram anos de estudo e pesquisa atrás de um título de mestrado ou doutorado, estão agora simplesmente desempregados.

Equilíbrio

É claro que há ilhas de excelência e que há espaço para a educação EAD, mas não no modelo que foi implantado em nosso país. A culpa é da nossa cultura? Do nosso ‘jeitinho’? Não sabemos. Mas a análise positiva da qualidade do ensino da EAD que é divulgada pelos órgãos de comunicação prende-se apenas a dados estatísticos que enfatizam algumas comparações pontuais. Para eles, todos os alunos da EAD são 'autodidatas' (a psicologia precisa rever este termo). Essas estatísticas se esquecem dos alunos que vão às aulas uma vez por semana assistir aulas pré-gravadas, que fazem (ou ‘negociam’) trabalhos e que, quando têm dúvidas, interagem via internet, recebendo respostas padronizadas.

Em defesa da EAD, os ideólogos de plantão buscam enfatizar as falhas da educação presencial. Exaltam tanto o modelo, que se vêem em dificuldade para explicar porque os cursos de graduação em medicina, engenharia e enfermagem não aceitam este modelo de formação para seus educandos.

Engraçado, podemos ter um professor que vai alfabetizar nossas crianças, formado à distância, mas um enfermeiro não.
Podemos ter um professor que vai ensinar português aos nossos jovens, formado à distância, mas um engenheiro não.
Podemos também ter um administrador de empresas e um assistente social formados à distância, mas um médico não.

Mas o tempo operou a favor da EAD e, em breve teremos psicólogos, advogados e médicos que assistiram aulas uma vez por semana (ou menos). Não é preciso bola de cristal para se antever o futuro.

E o governo? E o ministério da Educação? E os burocratas que ‘criaram’ o modelo de EAD no Brasil? E os órgãos de classe? O que fazem nesta hora? Pelo visto estão todos quietinhos à espera de que ninguém fale nada sobre o assunto e que o ‘mercado’ (é assim que muitos vêem a educação) se ‘auto-regule’ com a quebra das instituições pequenas.

Também estão assistindo os ‘grandes’ do setor se engalfinhando em busca da fórmula da educação à R$ 1,99.

Intrigante

Uma vez, um amigo falou e eu considerei como totalmente verdadeiro que, na maioria dos casos, as pessoas que freqüentam a igreja não estão interessadas na verdade e sim em segurança.
Querem saber o que vai acontecer, querem que Deus as proteja, querem ter certeza da salvação e garantir um lugar no céu - e pintam esse céu como um lugar bastante previsível. O papel da religião, para esses, é propiciar-lhes essa sensação de segurança: conhecendo as profecias, 'sabendo' o que vai acontecer, 'estando' do lado certo, e por fim, 'indo' para o céu e vivendo eternamente vestido de branco, tocando harpa e exclamando "aleluia" diversas vezes...

No diálogo ficou a pergunta:
E o papel da religião para aqueles que buscam a verdade e tão somente a verdade?

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Dois Pensamentos

"Para obter algo que você nunca teve, precisa fazer algo que nunca fez."

"Quando Deus tira algo de você, Ele não está punindo-o, mas apenas abrindo suas mãos para receber algo melhor."

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Educação e Qualidade

Frank V. Carvalho

Educação e qualidade. Este binômio tem sido a meta das instituições de ensino de entidades públicas e privadas, bem como da educação (de uma forma geral) em muitos países já há um bom tempo.


Às vezes, esta busca da qualidade educacional parece uma utopia, tal o distanciamento que a prática tem em relação à teoria.

A novidade é que o governo do Estado de São Paulo se propõe a fazer uma revolução nessa área atrelando aumentos salariais à performance dos professores em avaliações de conhecimento.

Qual é o mais sábio: avaliar professores em função da aprendizagem e rendimento de seus alunos (verificados em testes externos) ou avaliá-los em função de seus conhecimentos da matéria que lecionam?

Acho válida a busca da qualidade, a melhoria do ensino, a diminuição do absenteísmo e a valorização do mérito. Mas qual é o caminho mais adequado e inteligente?

Continuarei minha análise.

Um lado

"...o Estado deve a essa categoria (professores) uma reposição de 17%..."
Kito Fernandes, Folha de São Paulo, 01/04/2010

E o outro lado

"Fizeram a ponte, mas se esqueceram do terreno que dá acesso a ela." Plínio Fraga, Folha de São Paulo, 01/04/2010.

Uma Aventura de Carro pelos caminhos da América do Sul, p. 8

quinta-feira, 25 de março de 2010

Criacionistas e Ateus

Existe perseguição ou discriminação contra os ateus por parte da Religião?

Sem dúvida! Entretanto, a resposta a essa pergunta não deve ser direcionada à Religião, mas a alguns religiosos ou grupos específicos. De uma forma geral a Religião em si (são várias) busca o melhor do homem no seu relacionamento com o próximo e com Deus. No entanto é fato que vários religiosos não sabem conviver com diferenças de opinião e discriminam frontalmente aqueles que não manifestam uma crença similar. Isso tem sido visto ao longo da história.

Logo, a resposta a essa questão (ressalvada a diferença entre ‘religião’ e ‘religiosos’) é sim.

Existe perseguição ou discriminação contra criacionistas ou defensores do Design Inteligente por parte da Ciência?

Ultimamente esse tem sido um assunto recorrente nos sites que abordam a controvérsia criacionismo & evolucionismo. O que se constata é que, sobretudo na Europa e Estados Unidos, muitos pesquisadores evitam declarar sua aceitação ao DI ou sua crença num Ser Superior por receio de perder verbas para pesquisa ou mesmo o emprego. Casos clássicos são os dos doutores Forrest Mims, Jerry Bergman (que escreveu um livro com mais de 300 depoimentos sobre o assunto) e Michael Reiss (demitido da Royal Society por defender o direito ao ponto de vista criacionista).

Observe-se que raramente as idéias criacionistas e do DI são debatidas no meio universitário. E olha que o meio universitário na modernidade tem debatido toda sorte de ideias, filosofias, ideologias e linhas de pensamento. Em alguns casos essa ausência de debates é algo proposital e fruto de uma arrogância que não se coaduna com a própria ciência. Dawkins, o cientista autor de “Deus, um delírio” se recusa a 'dialogar' com criacionistas.

A resposta a essa questão também é sim.

Antinomias

Uma antinomia é uma afirmação, fato ou tese que contém em si duas proposições contraditórias. São os paradoxos.

Na Filosofia, algumas antinomias são um verdadeiro 'desafio ao pensamento'. Outras, apenas uma diversão para o cérebro. Você consegue 'desafiar' estes raciocínios?

Uma camiseta cuja frente contenha a expressão “A frase escrita atrás desta camiseta é falsa” e na parte de trás da camiseta a frase “A frase escrita na frente desta camiseta é verdadeira”.

Todas as coisas e seres pertencem a categorias. Há algumas coisas e seres que não pertencem a nenhuma categoria. Essas últimas acabam pertencendo a categoria das coisas e seres que não pertencem a nenhuma categoria. (Dizem que este é de Bertrand Russel).

Toda regra tem uma exceção. Se considerarmos isso uma regra, então ela deve ter uma exceção. Se ela tem exceção, então haverá regra sem exceção.

Um hotel com infinitos quartos está completamente cheio, no entanto ele pode receber mais hóspedes.

Ética e Política

Incrível: os dois principais candidatos a eleição presidencial e o próprio presidente descumprem a legislação eleitoral e nada acontece.

O mais grave se dá com o presidente. Inaugura as obras aos poucos - primeiro a pedra fundamental, depois a primeira etapa, depois uma ponte do trecho inacabado e assim vai - montando palanques a cada "inauguração" parcial para falar de sua candidata.

Parece que só o tribunal eleitoral não vê.

É aguardar para ver.

Fonte da imagem: (a foto é de uma ponte qualquer) http://zerohora.clicrbs.com.br/rbs/image/4164766.jpg

quarta-feira, 24 de março de 2010

Um Verdadeiro Gênio Indomável

Em 1999 assisti ao filme ‘Gênio Indomável”, onde um gênio da matemática dá as costas ao establishment e simplesmente vive sua vida. Recomendando o filme a professores de matemática, ouvi de dois deles (um professor e uma professora) que o filme era muito fantasioso e irreal.


Mas a vida é dinâmica e dia desses (em 2002, para ser exato) Grigori Perelman, um matemático russo, professor de ensino médio, resolveu um dos “sete grandes mistérios da matemática”, a Conjectura de Poincaré. Como não sou muito ligado à Matemática, fiquei sabendo desse fato somente hoje.

Agora em 2010 Perelman está com 44 anos e é cada vez mais um indivíduo excêntrico: recusa holofotes, toma pouco banho, usa a mesma roupa e raramente apara as unhas, faz a barba ou corta o cabelo.

Foi convidado para dar aulas na mesma Universidade que Einstein trabalhou: Princeton. Ele recusou. Assim como recusou trabalhar nas Universidades de Berkeley, Stanford e no famosíssimo MIT.

Mas faltava a última. Deram a ele uma honraria concedida aos gênios da matemática, um prêmio dos "Problemas do Milênio", que dá direito a um milhão de dólares. Antes, em 2006, já haviam lhe oferecido um prêmio equivalente a um Nobel de matemática.

Assim como ele havia recusado a honraria em 2006, não dá a mínima para este prêmio agora.

Segundo a Folha, quando Perelman foi convidado por Princeton, pediram-lhe um currículo. Respondeu que, se não sabiam quem ele era, não deveriam convidá-lo. Como o Massachussets Institute of Technology (MIT) chamou-o depois que resolveu a Conjectura de Poincaré, recusou alegando que deveriam tê-lo chamado antes. Uma última tentativa – ofereceram a ele ganhar quanto quisesse e fazer o que quisesse durante o tempo que bem entendesse. Respondeu que estava comprometido com seus alunos do ensino médio de São Petersburgo (o que nem era verdade).

Parece que Perelman escolheu viver sem concessões a coisa alguma, exceto a Matemática.

Fontes:


1. http://msp.warwick.ac.uk/gt/2008/12-05/perelman


2. Folha de S. Paulo, 24/03/10.

segunda-feira, 22 de março de 2010

De tudo, ficam três coisas

A certeza de que estamos sempre começando...

A certeza de que precisamos continuar...
A certeza de que seremos interrompidos antes de terminar...

Portanto, devemos:

Fazer da interrupção um caminho novo...
Da queda um passo de dança...
Do medo, uma escada...
Do sonho, uma ponte...
Da procura, um encontro...

Fernando Pessoa

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Palestra - Motivação

Motivação

Nesta Palestra falei sobre o que realmente motiva o ser humano: como nossas emoções e razão interagem para nos fazer realizar e acreditar, para nos reerguer e nos levar ao sucesso.

Destaquei as diferenças, divergências, semelhanças e convergências entre vontade e inteligência, razão e emoção, vida e trabalho, tempo e prioridades, valores e limites, e especialmente entre razão e emoção.

Nunca pensei que uma palestra pudesse mexer tanto com a motivação das pessoas. Mas assim tem sido.

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