domingo, 28 de agosto de 2011

A Contradição na Essência do Ser Humano

“... Suave, mari magno, turbantibus aequora ventis,


E terra magnum alterius spectare laborem.”(1)
(Lucrécio)



Montaigne, na discussão do “Do útil e do honesto”, principia pelo exemplo da história romana - de Tibério e sua atitude generosa para com o seu inimigo Armínio. A utilização de um exemplo tão contraditório, pois ele mesmo concorda que Tibério era um salafrário, para designar a escolha do honesto ao invés do útil (“deixou o útil pelo honesto”), vem reforçar suas palavras seguintes: “nosso edifício público e privado é cheio de imperfeição.”


Ao que parece uma justificativa para o comportamento humano, mas sua análise não é superficial, pois ele tenta descobrir o íntimo dos sentimentos humanos ao incluir Lucrécio:
“... Suave, mari magno, turbantibus aequora ventis, E terra magnum alterius spectare laborem.”

O que se mostra, para Montaigne, é que somos isso mesmo – contraditórios. Cheios de imperfeições e qualidades doentias. Como se a virtude se esforçasse para vir à tona. Mas ele acredita que isto tem o seu lugar e utilidade no funcionamento de nosso ser. E se fosse possível tirar de nós estes “defeitos", deixaríamos de ser humanos, perderíamos “as condições fundamentais de nossa vida”.

(1) “É doce, quando sobre o vasto mar os ventos agitam as águas, assistir da margem ao sofrimento do outro.”

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