terça-feira, 16 de agosto de 2011

Meteoritos e DNA


A notícia científica do momento é a descoberta de alguns componentes do DNA presentes em um meteorito (e fragmentos de meteoritos) descobertos na Antártida e na Austrália.
Desde a década de 1960, componentes do DNA são encontrados em meteoritos ou fragmentos de meteoritos. Mas sempre permaneceu a dúvida da contaminação do meteorito com o solo onde ele caiu.

O que a equipe pesquisadora conseguiu foi, ao comparar análises do solo e do próprio meteorito, concluir que alguns componentes estavam de fato (somente) no viajante espacial e não no local da colisão em nosso planeta. Esse é o grande mérito do estudo.

A reação mais entusiasmada foi a de afirmar (a partir dessa novidade) que a vida se originou fora da Terra e viajou para cá a bordo de meteoritos.

Porém, a coisa não é tão simples assim e boa parte da comunidade científica tem mostrado precaução e cautela com a notícia.

Por quê?

O material pesquisado revelou a presença de traços de nucleotídeos como Adenina e Guanina, cujas moléculas fazem parte da sequência que forma o DNA. Diz a pesquisa no site da NASA:

"A equipe (pesquisadora) descobriu a Adenina ea Guanina, que são componentes de DNA chamado nucleobases, bem como Hipoxantina e Xantina. O DNA se assemelha a uma escada em espiral - a Adenina e a Guanina se conectam com (outros) dois nucleobases outro para formar os degraus da escada. Elas são parte do material do código que diz a maquinaria celular que proteínas deve fazer. Hipoxantina e Xantina não são encontrados no DNA, mas são utilizados em outros processos biológicos.


Além disso, em dois dos meteoritos, a equipe descobriu para os montantes pela primeira vez traços de três moléculas relacionadas com nucleobases: Purina, 2.6 Diaminopurine, e 6.8 Diaminopurine; as duas últimas quase nunca aparecem em processos biológicos. Estes compostos têm a molécula mesmo núcleo que nucleobases mas com uma estrutura adicionadas ou removidas."

E Callahan comenta:
"Você não deveria esperar encontrar esses análogos de nucleobases se a contaminação pela vida terrestre fosse a fonte [das moléculas], porque elas não são usadas pela biologia, a não ser um relato de uma 2,6-diaminopurina ocorrendo em um vírus (cianofago S-2L),".

Michael Callahan, que é astrobiólogo da NASA e autor do artigo, levanta entretanto seus próprios questionamentos:

"No entanto, se os asteróides estão se comportando como 'fábricas' químicas de material prebiótico, seria de esperar vê-los produzir muitas variantes de nucleobases, e não apenas os [materiais] biológicos, devido à grande variedade de ingredientes e condições de cada asteróide."

Além disso, o estudo é claro ao admitir que Adenina e Guanina não são DNA, fazem parte dele.

Os exageros da NASA

Ora, a maioria dos que estão ligados ao noticiário científico, percebem que a Agência Espacial Americana (NASA) tem ultimamente procurado ‘impactar’ a opinião pública com notícias fantásticas. Críticos dizem que isso é em função dos sucessivos cortes orçamentários em seu programa feitos pelo governo norte americano.

Relembremos. Em conferências anunciadas previamente a jornalistas do mundo inteiro, a NASA tem nos ofertado as mais incríveis ‘novidades’ sobre o nosso mundo:

- as várias descobertas de água na Lua (as pesquisas dizem que existem verdadeiros oceanos escondidos sob a superfície);

- as várias descobertas de água nos polos de Marte (essa notícia é recorrente);

- uma bactéria alienígena que respira ‘arsênio’;

- sinais geológicos de uma provável água que seria capaz de escorrer a temperaturas muito abaixo de zero;

- em junho já haviam falado sobre fragmentos de DNA em meteoritos;

Essa busca incansável por mostrar resultados (que agitem o meio científico) é logicamente questionada por vários cientistas. Agora nos chega a mais nova das notícias: a descoberta de componentes de moléculas de DNA em meteoritos. Entretanto a NASA, dessa vez, foi bem mais cautelosa e incluiu em todas as suas afirmativas expressões de ‘possibilidade’ e não certeza.

Mas a imprensa, acostumada aos ‘furos’ jornalísticos (outrora alimentados pela NASA) se encarregou do restante e vários periódicos já afirmam taxativamente que “a vida se originou fora da Terra”.


Questionamentos e Desdobramentos

Os estudos anteriores que apontavam nessa direção (fragmentos de DNA em meteoritos) não eram levados a sério? Por quê? Bem, isso parece ser o menos importante agora.

Ora, livros e manuais sobre a origem da vida a partir da teoria evolucionista terão de ser revistos. Em outras palavras – a teoria sofrerá uma reformulação.

Ora, explicar a origem da vida sempre foi um problema para a ciência, em que pese o fato de que muitos cientistas afirmem (e tentam passar a impressão de) que as teorias explicam de forma ‘convincente’ tudo.

Mas os filósofos da ciência não se cansam de fazer questionamentos e os estatísticos complicam tudo, deixando bem claro que as probabilidades não falam a favor da teoria.

Vantagem

A explicação advinda dessa descoberta – ou seja, a origem extraterrestre da vida – é mais uma solução do que um problema para o evolucionismo cego (mesmo que a teoria tenha que ser modificada). Pois a grande e difícil questão era e é a dificuldade de explicar ‘como a vida surgiu de não vida’. Agora, toda vez que esse dilema se apresentar, basta apontar para o espaço. Nossa!!! Que solução sensacional!!!

Mas o que se percebe nesse caso é só uma transferência de lugar (da Terra para o ambiente extraterrestre) da grande questão: ‘Como a vida se originou?’

A pesquisadora portuguesa Zita Martins, do Imperial College London, principal autora do artigo que em junho falava sobre os meteoritos afirmou que “estes resultados demonstram que compostos orgânicos, que são componentes do código genético na bioquímica moderna, já estavam presentes nos primórdios do sistema solar e podem ter desempenhado um papel na origem da vida". Em seguida, completa: "Ninguém sabe como é que saltamos de simples moléculas orgânicas na terra primitiva para seres vivos".

Interessante. Ela disse que ‘ninguém sabe...’. Em todos os livros da teoria do acaso cego, parece que todos sabem.

Prevalecendo a tese do DNA em meteoritos, os livros serão modificados (juntamente com a teoria).


Fontes:
http://www.nasa.gov/topics/solarsystem/features/dna-meteorites.html

A equipe da pesquisa inclui Callahan e as Dras. Jennifer C. Stern, Daniel P. Glavin, and Jason P. Dworkin of NASA Goddard's Astrobiology Analytical Laboratory; Ms. Karen E. Smith and Dr. Christopher H. House of Pennsylvania State University, University Park, Pa.; Dr. H. James Cleaves II of the Carnegie Institution of Washington, Washington, DC; and Dr. Josef Ruzicka of Thermo Fisher Scientific, Somerset, NJ The research was funded by the NASA Astrobiology Institute, the Goddard Center for Astrobiology, the NASA Astrobiology: Exobiology and Evolutionary Biology Program, and the NASA Postdoctoral Program. Jennifer C. Stern, Daniel P. Glavin, e Jason P. Dworkin de Astrobiologia da Nasa Goddard Laboratory Analytical; Sra. Karen E. Smith e Dr. Christopher H. House of Pennsylvania State University, University Park, Pa.; Dr. H. James Cleaves II da Instituição Carnegie de Washington, Washington, DC, e Dr. Josef Ruzicka da Thermo Fisher Scientific, Somerset, NJ A pesquisa foi financiada pelo Instituto de Astrobiologia da NASA, do Centro Goddard de Astrobiologia, a Astrobiologia da NASA: Exobiologia e Evolutiva Programa de Biologia e do Programa de Pós-Doutorado NASA.
Detection and formation scenario of citric acid, pyruvic acid, and other possible metabolism precursors in carbonaceous meteorites. George Cooper, Chris Reed, Dang Nguyen, Malika Carter, Yi Wang. Proceedings of the National Academy of Sciences. August 8, 2011.
A route to enantiopure RNA precursors from nearly racemic starting materials. Jason E. Hein, Eric Tse, Donna G. Blackmond. Nature Chemistry. 07/08/2011. http://www.apolo11.com/spacenews.php?titulo=Cientistas_confirmam_que_elementos_do_DNA_vieram_do_espaco&posic=dat_20110810-072907.inc

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