quinta-feira, 29 de maio de 2008

O sentido da Educação



A busca do significado da Educação
F. V. Carvalho

A educação moderna está marcada pela excessiva atividade no campo da inovação e “experimentação educacional”[1], mas a mesma não foi adequadamente avaliada em termos de propósito, objetivos e necessidades atuais. Charles Silberman observou que a educação “tem sofrido há muito tempo por haverem excessivas respostas e poucas perguntas”[2].

Neil Postman e Charles Weingartner afirmaram que a negligência na educação é o resultado natural em uma sociedade que tradicionalmente tem se importado com o “como” ao invés do “porquê” da vida moderna.

O mundo moderno tem feito um uso progressivo e incansável da capacidade científica e tecnológica por mais de um século. Em todos os setores (indústria, comércio, transportes, comunicação, saúde, higiene, educação e defesa) o progresso no campo técnico e científico é impressionante.

No entanto, as pessoas em geral, e mesmo os cientistas e pesquisadores raramente têm se questionado a respeito desses avanços: se os mesmos foram necessários; se deveriam tê-los; se o benefício que trazem cobra um preço muito elevado.

De certa forma o mesmo tem ocorrido na educação. Falando sobre isso, Postman e Weingartner criticam o que ocorre nas escolas em sua busca por novos métodos e estratégias de forma incansável: a preocupação em criar novas técnicas para o ditado, novos métodos para ensinar aritmética para crianças de dois anos de idade, novas maneiras para manter silenciosos os corredores da escola e seguramente, novos procedimentos para medir a inteligência[3].

Os educadores têm se envolvido tanto na criação e implementação de novas metodologias que raramente têm questionado o valor e a importância de se ensinar matemática a uma criança de dois anos de idade.

No Brasil, como afirma Paulo Ghiraldelli[4], “todo ano tem um novo governo, com uma nova proposta e uma nova capacitação. Os governos irritam os professores com a mania de achar que a cada ano eles precisam ter uma nova teoria pedagógica. Os governos se envolvem nisso, mas, quando saem, não avaliam para saber se isso deu resultado na sala de aula. O sistema de avaliação não é adequado ao que se propõe como capacitação. Ele só olha para baixo, para os avaliados. Não olha para cima, para os pressupostos que geram a capacitação.”

“Por que toda esta educação? Com que propósito? Para quê?” Estas são três das mais importantes perguntas a serem encaradas.

A grande maioria dos educadores tem se preocupado mais com a ação do que com o progresso, mais com os meios do que com os fins. Eles têm sido incapazes de avaliar as principais questões sobre o propósito da educação. E a capacitação e treinamento profissional dos educadores, com ênfase na metodologia, raramente habilita-os para a solução deste problema. Alguns não têm nem mesmo uma definição clara de educação.

O que é educação? É o mesmo que escolaridade? É o completar um determinado curso acadêmico? É um conjunto de comportamentos e atitudes socialmente aceitáveis? Refere-se somente à educação escolar? É tudo o que a vida nos ensina? São nossas aprendizagens? E o que é aprendizagem? Difícil chegar a um consenso sobre a sua definição, mas os teóricos modernos afirmam que ela é “um processo que produz a capacidade de apresentar um novo comportamento ou conceito”. Logo, vemos que a aprendizagem não se limita ao processo educacional. Porém, ela está diretamente ligada ao termo “educação”. A educação vista a partir dessa perspectiva não se limita ao processo escolar ou ao currículo tradicional, ou ainda às metodologias das escolas. A educação, como a aprendizagem, é um processo que dura toda uma vida e que pode ocorrer numa infinita variedade de circunstâncias e contextos.

Acredito assim que a proposta educacional na formação dos professores deve fazer com que os futuros educadores possam, de maneira inteligente:
a) avaliar propósitos de longo alcance e fins alternativos,
b) relacionar seus objetivos aos fins almejados e
c) selecionar estratégias pedagógicas que se harmonizem com seus objetivos.

O caminho é longo e a tarefa é árdua, mas nada disso é impossível.

[1] KNIGHT, G. Filosofia e Educação. UNASPRESS, p. 3.
[2] SILBERMAN, Charles. Crisis in the Classroom. New York, p. 11.
[3] POSTMAN, Neil e WEIGARTNER, Charles, The School Book. New York, p. 295-297.
[4] Filósofo, doutor em filosofia pela USP e em filosofia da educação pela PUC-SP. Em entrevista com Sérgio Rizzo em 05/04/06 na Folha Online.

Um comentário:

Anônimo disse...

MESTRE

Sei que posso te chamar assim, pois é um dos poucos que admiro.Não só pelo seu talento, mas também, por sua paixão pela Educação.
Sinto-me honrada por ser sua aluna, e quem sabe um dia eu consiga ser um pouquinho do Educador que é o senhor.
Parabéns pelo seu trabalho e dedicação, és realmente um profissional abençoado, pois sabemos que nossa profissão é árdua e pouco reconhecida, sou só um grãozinho que o senhor está plantando na Educação, mas quando eu "crescer" quero ser como o senhor!

grande abraço
sua aluna Andresa (FACEQ)

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