quinta-feira, 21 de maio de 2009

Uma Pedra


Parece que estou encontrando tantas pedras no meio do caminho que chego a me lembrar do poema do moço lá de Itabira.


No meio do caminho


No meio do caminho tinha uma pedra

tinha uma pedra no meio do caminho

tinha uma pedra

no meio do caminho tinha uma pedra.


Nunca me esquecerei desse acontecimento

na vida de minhas retinas tão fatigadas.

Nunca me esquecerei que no meio do caminho

tinha uma pedra

Tinha uma pedra no meio do caminho

no meio do caminho tinha uma pedra.


Carlos Drummond de Andrade



O engraçado é que, quando este poema foi publicado pela primeira vez, um crítico literário (após a leitura) fez o seguinte comentário: "... dá vontade de pegar a pedra e quebrar a cabeça deste infeliz..."
É claro que o crítico não conseguiu captar a essência do pensamento de Drummond.
Será que no caminho de todos tem uma pedra? Ou várias?




4 comentários:

Anônimo disse...

Oi professor as pedras do meu caminho são verdadeiras montanhas, mas,vc me ensinou a contorna-las caso nao as conseguisse ultrapassar.Obrigado!!!
Ana Giselli.Hoyler

CONVICTOS OU ALIENADOS? disse...

Caro Frank: eu encontrei e encontro muitas pedras no caminho. Evito-as quando posso, mas volta-e-meia elas colidem contra meu corpo e mente...

Ricardo disse...

Olá Frank,

Se você encontrar apenas uma pedra no meio do caminho, ou ainda, várias pedras, dê-se por satisfeito, pois, encontramos apenas pedras em caminhos abertos por outros, porque quando desbravamos e abrimos nossos próprios caminhos, além das pedras, damos de frente com árvores, pântanos, precipícios e inúmeros outros obstáculos (rs).

O problema é que ao trilharmos caminhos abertos por outros a expectativa é de uma viagem fácil, tranqüila, e cada pedrinha torna-se uma grande contrariedade, ao passo que, ao abrimos nossos próprios caminhos cada obstáculo superado é uma vitória alcançada. Nessa circunstância a viagem leva mais tempo, contudo, é você quem delineia o caminho, e pode se dar ao luxo, inclusive, de escolher a paisagem.

Vera Mendes disse...

Oi professor, amo esse poema. Fiquei super feliz com as interpretaçÕes a cerca dele, quero até pedir autorizaçao do Ricardo para fazer minhas as suas palavras, ou seja sair repetindo-as por aí... Porém, sendo conterrânea do Drummond, não posso deixar de corrigi-lo, não ao Ricardo e sim ao Senhor, com todo respeito. Bem sob protesto aí vai: Drummond é natural de ITABIRA, grande orgulho dos itabiranos!!!

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