Em Abril, lançamento do Livro em Fortaleza (Universidade Federal do Ceará) e em São Paulo (Martins Fontes):
Trabalho em Equipe, Aprendizagem Cooperativa e Pedagogia da Cooperação
Frank - Candidatura a Direção Geral do IFSP-SRQ 2025-2028
quinta-feira, 25 de dezembro de 2014
quinta-feira, 30 de outubro de 2014
Homenagem aos Mestres
“Mestres Escultores”
Por Frank Viana Carvalho
Até que sejamos mestres
o que somos de fato?
Somos aprendizes ensinando?
Ou somos mestres aprendendo?
Somos rios regando as margens
e levando água aos sedentos?
Ou somos árvores que dão sombra
e oferecemos frutos aos famintos?
Lapidamos e esculpimos as pedras,
transformando em cristais reluzentes,
os olhos ávidos pelo saber,
as mentes prontas a aprender...
Vamos à cátedra inspirados ou motivados
na verdade em constante transformação,
Como a água do rio corrente
por todos os lugares por onde passa...
Se não somos, estamos.
E se estamos, transformamos,
acertando, muitas vezes,
e errando, quem sabe?
Mas até o erro é aprendizado,
pois também mostra o caminho,
de ensinar mais e melhor,
de aprender enquanto ensinamos.
Se formos capazes de sempre aprender,
se formos capazes de sempre nos renovar,
então chegaremos ao final da nossa jornada
felizes por ter cumprido a nobre missão.”
Esta poesia fiz em homenagem aos Professores em 15 de Outubro de 2014.
Fonte da Imagem:
quinta-feira, 31 de julho de 2014
A PEDAGOGIA DE PROJETOS
A PEDAGOGIA
DE PROJETOS
Dr. Frank Viana Carvalho
Ms. Delly Danitza Lozano Carvalho
Resumo
Hoje se fala muito da importância de se trabalhar com projetos para a
eficiência e eficácia da educação. Será que realmente os projetos são a
resposta que a escola esperava? Se sim, o projeto acaba por ser um planejamento
de ações pedagógicas que pode surgir como fruto da vontade do grupo e não
apenas da vontade do diretor escolar ou do professor regente.
Abstract
Today there is much talking of the importance of
working on projects for the efficiency and effectiveness of education. Does it
really projects are the answer that the school expected? If yes, the project
turns out to be planning a pedagogical actions that may arise as a result of
the will of the group and not just the will of a school principal or classroom
teacher.
Há alguns anos estivemos em um Congresso de Educação em Brasília e
assistimos junto com outros congressistas uma peça teatral sobre a escola. A
peça pareceu-nos muito interessante e a personagem central da narrativa era a
"escola". Vivendo muitas angústias, crises e depressões e sem
conseguir resolver seus principais problemas, a "escola" conhece
então uma personagem que finalmente a ajudará: o "projeto
pedagógico". A peça seguiu até ao seu final na apresentação das incríveis
"soluções" que o "projeto" oferecia à "escola".
Infelizmente em se tratando de educação não existem soluções
mágicas como naquela encenação. Todas as soluções efetivas passam por muito
planejamento, muito trabalho e até ajustes e reajustes. Isto também acontece
com o atualmente "famoso" Projeto Pedagógico. Hoje se fala muito da
importância de se trabalhar com projetos para a eficiência e eficácia da
educação. Será que realmente os projetos são a resposta que a escola esperava?
Será que uma pedagogia de projetos apresenta as melhores soluções para as
questões da educação? Procuramos resumir aqui algumas contribuições para
elucidar esta "novidade" educacional.
Em se tratando de educação, o que é um Projeto?
A característica básica de um projeto é a de ter um objetivo
compartilhado por todos os envolvidos, que se expressa num produto final em
função do qual todos trabalham e que terá, necessariamente, destinação,
divulgação e circulação social internamente na escola ou fora dela. Além disso,
os projetos permitem dispor do tempo de forma flexível, pois o tempo tem o
tamanho necessário para conquistar o objetivo: pode ser de alguns dias ou de
alguns meses.
Para sua execução, portanto, é preciso planejar, prever, dividir
responsabilidades, aprender conhecimentos específicos relativos ao tema em
questão, desenvolver capacidades e procedimentos específicos, usar recursos
tecnológicos, aprender a trabalhar em grupo agindo de acordo com as normas,
valores e atitudes esperadas, controlar o tempo, dividir e redimensionar as
tarefas, avaliar os resultados em função do plano inicial.
Vários tipos de projetos
Em se tratando de educação existem vários tipos de projetos e
relacionamos aqui os principais:
1. O Projeto Pedagógico, que também é chamado de Proposta
Pedagógica, é amparado na LDB e é uma exigência legal para as Instituições
Educacionais. Este Projeto é um retrato da Instituição, pois ali estará um
detalhamento das ações que serão desenvolvidas, os recursos que serão
aplicados, a estrutura oferecida pela Instituição, a sua metodologia de ensino,
o seu sistema disciplinar, o seu modelo de avaliação, bem como os projetos
pedagógicos que serão desenvolvidos no período letivo.
2. Os Projetos Globais, também são chamados “Projetos Macro”. Sua
característica principal é a interdisciplinaridade, mas sua ênfase não são os
conteúdos curriculares (embora trabalhe com estes), e sim os conteúdos
atitudinais e valorativos. Seu enfoque está no desenvolvimento das habilidades
e dos valores. São exemplos de Projetos Globais as Feiras Culturais, as Feiras
de Ciência, os grandes eventos esportivos escolares (Jogos Abertos, Olimpíadas,
etc.) as Exposições Escolares, as Gincanas, as Semanas Especiais e outros
eventos que em sua execução acabam por envolver toda a escola ou várias séries
e turmas (ou até mesmo mais de uma escola).
3. Um outro foco importante são os Projetos de Sala de Aula. Eles
se subdividem em Projetos Disciplinares (Disciplinas Específicas), Projetos
Multidisciplinares (um tópico que é abordado por diferentes disciplinas, sob
diferentes aspectos) e Projetos Interdisciplinares (temas ou tópicos que fazem
parte de mais de uma disciplina necessariamente).
4. Projetos com Jogos - Aproveitando o potencial dos jogos no desenvolvimento
dos alunos, estes Projetos
utilizam os jogos no contexto das disciplinas, trabalhando os seus conteúdos de
forma direta ou indireta, potencializando as ações pedagógicas no
desenvolvimento de atividades cognitivas, sociais, afetivas, lúdicas, recreativas e motoras.
5. Projetos com Temas Geradores - Para a atuação com conteúdos
Didáticos e curriculares em forma de Projetos, sobretudo em sala de aula e com
uma turma especificamente. Envolve uma participação efetiva dos alunos na busca
do conhecimento e das respostas e soluções aos problemas propostos. Eles podem
ocorrer em sala de aulas, no ambiente escolar ou mesmo em forma de pesquisa extraclasse.
O projeto que se apresenta como uma proposta de solução para o
professor no seu dia a dia é o último da lista anterior: o projeto com Temas
Geradores. Isto até em função de que os outros projetos continuarão acontecendo
na escola - provocando ou não mudanças, trazendo ou não soluções. Desta forma
existe uma necessidade de que o professor transporte para dentro de sua sala de
aulas a construção e a realização dos projetos a fim de que eles sejam
ferramentas pedagógicas reais. Vejamos o porquê.
Dilema da escola : Tempo & Conhecimento & Competências.
A vida real apresenta ao ser humano a necessidade conjunta de
conhecimento e de competências. No caso aqui, queremos definir
"conhecimento" como o conjunto dos conhecimentos teóricos ou
curriculares. Por outro lado, as competências serão definidas como as
habilidades necessárias para a utilização deste conhecimento. Perrenoud as
define como a “capacidade de agir eficazmente em um determinado tipo de
situação, apoiado em conhecimentos, mas sem limitar-se a eles”[1].
A escola moderna vive um grande dilema: possui uma significativa
bagagem (carga) de conhecimentos curriculares (teóricos) muito grande que julga
serem necessários para os seus alunos. De igual modo, também crê na importância
do desenvolvimento das habilidades ou competências. Para Fernando Hernandez, o
principal autor e referência no assunto, “projeto é o enfoque integrador da
construção de conhecimento que transgride o formato da educação tradicional de
transmissão de saberes compartimentados e selecionados pelo professor.” Para
ele, "todas as coisas podem ser ensinadas por meio de projetos, basta que
se tenha uma dúvida inicial e que se comece a pesquisar e buscar evidências
sobre o assunto”. [2]
Alguns professores optam por dar bastante conteúdo (entenda aqui
conteúdo como conhecimentos teóricos) em detrimento do enfoque nas habilidades
(conteúdos atitudinais) e nos valores (conteúdo valorativo). Na realidade,
existem cobranças pelo avanço no conteúdo teórico (dar toda a matéria) e ao
mesmo tempo se avolumam as pressões para que os docentes também trabalhem com o
desenvolvimento das habilidades. Mas isto exige tempo e preparo. Na prática a
maioria enfoca o primeiro em detrimento do segundo e uma outra parte dos
professores enfoca as habilidades em detrimento do avanço nos conteúdos. Será
que existe solução para este dilema?
Pensando neste problema alguns educadores têm elaborado propostas
interessantes e que têm funcionado com sucesso em diferentes escolas. Um delas
é a pedagogia de Projetos, com eles acontecendo dentro da sala de aulas
(conhecida como Temas Geradores).
Descrevendo o Projeto com Temas Geradores
Os Projetos com temas geradores são de grande valor para a prática
pedagógica cotidiana, pois eles permitem que se realizem no dia a dia da sala
de aula, projetos multidisciplinares com temas curriculares.
Diversos professores gostariam de trabalhar de forma diferenciada
todos os dias a fim de motivar os seus alunos e isto de fato é possível. Como
afirmou recentemente o educador espanhol Antoni Zabala: “o segredo de tudo está
na participação dos alunos no processo”[3]. Desta forma,
a proposta dos projetos com os temas geradores vê na participação dos alunos o
diferencial para o sucesso da relação ensino e aprendizagem.
I - A Escolha dos Temas
Com base na proposta que o professor pretende trabalhar com os
seus alunos (proposto em seu planejamento) e com base nos objetivos propostos,
o professor deve lançar propostas de temas de acordo com a realidade dos
alunos.
Pensando nas habilidades que almeja desenvolver, o professor deve
indicar uma linha principal ou um tema gerador. As habilidades que ele pretende
trabalhar com seues alunos podem ser cognitivas, de relacionamento
interpessoal, sensório-motoras, visuais-espaciais, sócio-afetivas, morais, etc.
II - A Construção do Projeto
Esta construção ocorre conjuntamente com os alunos, mas para o seu
início o professor utiliza-se de um recurso pedagógico chamado de “agente
estimulador”. Este agente pode ser um filme sobre o assunto, uma excursão, uma
reportagem, uma notícia importante e atual, uma propaganda, uma entrevista,
etc.
Este agente estimulador vai criar o clima e o espaço adequado para
que o professor conduza um “debate” ou “discussão” sobre o assunto. Neste
momento haverá um aprofundamento sobre o conhecimento relativo ao tema
principal (gerador). Ocorrerá um PQA[4] ou um processo que permitirá levantar
os pontos que precisam ser aprofundados.
PQA (Pensar, querer, aprender)
A estratégia do PQA (KWL[5]) foi
desenvolvida por Donna Ogle[6] e é um poderoso meio para ajudar os
alunos desenvolverem e construírem significado. Antes de começar uma atividade
de representação, leitura de um capítulo, assistir a um filme ou desenvolver um
projeto, os alunos devem escrever (ou dizer) “o que eu penso sobre este
tópico?” (P). e “o que eu gostaria de (ou quero) aprender sobre este
assunto?”(Q)? Depois da leitura, apresentação, observação, etc, os alunos devem
relatar “o que eu aprendi” (A).
PQA
O que eu sei
O que eu gostaria de saber
O que eu aprendi
A partir do “agente estimulador” várias abordagens podem ser
feitas pelo professor:
Fazer perguntas aos alunos:
a) O que vocês gostariam de aprender sobre ...?
b) O que podemos fazer para realizar uma pesquisa sobre ...?
c) O que temos ouvido falar sobre ...?
Ele deve também incentivar e estimular os alunos para questões que
eles possam estar fazendo para um aprofundamento no assunto em questão. O
professor, de maneira cuidadosa, vai estabelecendo os caminhos da pesquisa a
partir das questões levantadas.
Coordenar os objetivos gerias do planejamento com os objetivos
estabelecidos no Projeto com os Temas Geradores.
Algumas questões e perguntas colocadas pelos alunos serão
repetitivas, superficiais e até mesmo, redundantes. Cabe ao docente,
respeitando a opinião dos alunos, resumir, direcionar, suprimir e esquematizar
em linhas gerais o Projeto.
Esta característica de partilha do planejamento, inerente ao
desenvolvimento do projeto, favorece o necessário compromisso do sujeito que
aprende com sua própria aprendizagem, pois ela se torna muito mais produtiva
quando o grupo que realiza o projeto conta com a participação de cada um na
função de alcançar uma meta comum, do que quando as tarefas são definidas
apenas pelo professor.
III - Os Objetivos e a Duração
Os objetivos do tema proposto serão aqueles que estão
estabelecidos no planejamento que o professor faz ao começo do ano. Alguns
objetivos específicos serão aprofundados em função do tema.
O Projeto pode durar um mês, um bimestre ou mesmo mais, podendo
ser até mesmo todo o ano letivo. Como funcionará em concordância com os
objetivos e o programa estabelecidos no planejamento, não haverá nenhuma
fragmentação de conteúdos, superficialidade ou desgaste na exploração do tema
por excessiva exposição. No entanto, ao planejar o Projeto, o professor deverá
ter em mente o início (abertura), o durante (desenvolvimento) e o fechamento
(conclusão) desta atividade.
IV - Durante o Projeto
Os alunos estarão desenvolvendo uma pesquisa e montando uma
“pasta” com todas as informações coletadas. Esta pasta, também chamada de
“Dossiê” consiste em tudo o que o aluno pode conseguir sobre o assunto
proposto. A Realização do Projeto não exige que haja um formato específico para
este Dossiê, a menos que o professor estabeleça desta forma.
V - Compartilhando
Em um tempo devidamente separado para esta finalidade, o professor
abre um espaço na sala de aula para que os alunos compartilhem as novas
informações que eles estão conseguindo sobre o assunto. Isto pode estar
ocorrendo cada dia, ou semanalmente ou ainda em outra periodicidade
estabelecida pelo professor.
Este será um momento importante, pois os alunos estarão contanto
sobre o que eles aprenderam ao realizar aquela pesquisa. Desta forma, novos
conhecimentos e experiências serão compartilhadas.
VI - Fechamento
A parte final é a entrega do “Dossiê”. Neste dia os alunos,
juntamente com o professor estarão apresentando as conclusões mais importantes
sobre aquela grande pesquisa e “jornada de exploração” do tema proposto.
Os “Dossiês”, após a revisão do professor, voltam para os alunos,
formando assim parte de um arquivo pessoal. Se este material foi colocado em
uma pasta com folhas plásticas, ou encadernado em espiral, certamente poderá
levar o aluno o aluno a sentir uma motivação maior para guarda-lo e consulta-lo
futuramente, até mesmo como fonte de pesquisa.
Resumindo o Projeto com Temas Geradores
Preparativos:
1. Objetivos do Educador.
2. Comunicação entre o professor e a coordenação e direção da
escola.
Escolha do Tema:
a. Escolha feita juntamente com os alunos.
b. Várias propostas apresentadas pelo professor, os alunos
escolhem uma.
c. A proposta é então definida pelo Professor
d. Elencar as possíveis dificuldades (resistência dos pais, dos
alunos, dificuldades com o tema proposto) e mostrar as possibilidades de
superação destes obstáculos.
Desenvolvimento do projeto:
1. Lançamento do Projeto.
2. Escolha dos itens a serem estudados e trabalhados.
3. Escolha do nome oficial do projeto.
4. Atividades propostas para o trabalho no projeto.
5. Definição do tempo de trabalho.
6. Análise das fontes de pesquisa.
7. Adequação às necessidades da classe e aos objetivos do
professor para com seus alunos
8. Pesquisa das informações necessárias.
9. Levantamento de dados
10. Elaboração do mural do projeto
11. Ambiente da sala – respira o projeto
12. Elaboração do Dossiê do aluno.
Fechamento do Projeto:
1. Dossiê do aluno.
2. Álbum de informações da classe.
3. Depoimento dos pais.
4. Avaliação com os alunos sobre o desenvolvimento do Projeto.
Conclusões Finais
O projeto não é a "salvação" da escola como naquela peça
teatral que citamos a princípio, mas não se pode negar que ele traz várias
respostas para os principais problemas que a escola enfrenta. E para o trabalho
com os conteúdos e com o desenvolvimento de competências o desenvolvimento de
projetos em sala de aula parace ser uma solução apropriada.
Em educação não existe mudanças repentinas ou o “ovo de Colombo”.
Se quisermos resultados, teremos que planejar e trabalhar. Qualquer que seja o
caminho para melhores resultados, ele, sem dúvida, passa por muito esforço e
dedicação. Assim também o é com a proposta da construção de projetos para que
eles direcionem o trabalho da escola, dos professores e dos alunos. Em última
instância o Projeto acaba por ser um "planejamento" de ações
pedagógicas que pode surgir como fruto da vontade do grupo e não apenas da
vontade de um diretor ou professor. Aceite o desafio: construa um projeto com
seus alunos e execute-o. Você perceberá que é mais fácil do que parece.
Referências
[1] PERRENOUD, Phillipe. Dez Novas Competências para ensinar. Porto Alegre: ARTMED, 2000, p. 27.
[2] HERNÁNDEZ, Fernando.; VENTURA, Montserrat. A organização do currículo por projetos de trabalho: o conhecimento é um caleidoscópio. 5ed., Porto Alegre: Artmed, 1998.
[1] PERRENOUD, Phillipe. Dez Novas Competências para ensinar. Porto Alegre: ARTMED, 2000, p. 27.
[2] HERNÁNDEZ, Fernando.; VENTURA, Montserrat. A organização do currículo por projetos de trabalho: o conhecimento é um caleidoscópio. 5ed., Porto Alegre: Artmed, 1998.
[3] ZABALA, Antoni.
Modelos se discutem (artigo). Revista do Ensino Superior. São Paulo: Editora
Segmento. Ano 2, nº 26, novembro de 2000, pp. 12-15.
[4] PQA: O que Penso sobre o assunto; o que Quero aprender; o que finalmente Aprendi.
[5] KWL – Knowledge, Want to learn, Learning.
[6] OGLE, Donna. KWL: A teaching Model that Develops Active Reading in Expositoy Text, The Reading Teacher 39, 1986, 564-576.
[4] PQA: O que Penso sobre o assunto; o que Quero aprender; o que finalmente Aprendi.
[5] KWL – Knowledge, Want to learn, Learning.
[6] OGLE, Donna. KWL: A teaching Model that Develops Active Reading in Expositoy Text, The Reading Teacher 39, 1986, 564-576.
sábado, 19 de julho de 2014
Homenagem a um Amigo que se foi - Rubem Alves
Nós nos conhecemos com ele já maduro, experimentado e sábio. Minha insistência em levá-lo para palestrar em alguns lugares era mais pelo desejo de conversar com ele, de ouvi-lo e trocar algumas ideias, do que pelas palestras em si (o que era um espetáculo à parte). Falamos sobre muitas coisas: Deus, fé, religião e sofrimento ocuparam mais espaço a princípio... depois educação e política. Filosofia e Psicanálise quase ficaram de fora... Generoso, ele aceitou o convite tímido que fiz para ler meus escritos e até dividirmos alguma publicação futura... Nesse último, não deu tempo...
Ele primeiro foi pastor e depois seguiu o rumo da educação. Estudou bastante, ajudou muitas pessoas e viveu intensamente. Talvez em função das trajetórias semelhantes em alguns aspectos, eu o admirasse tanto...
Agora ele se foi - uma das mentes mais lúcidas em conseguir captar o essencial da vida...
Vá ao encontro do Criador, meu amigo. Um dia a gente se encontra.
Ele primeiro foi pastor e depois seguiu o rumo da educação. Estudou bastante, ajudou muitas pessoas e viveu intensamente. Talvez em função das trajetórias semelhantes em alguns aspectos, eu o admirasse tanto...
Agora ele se foi - uma das mentes mais lúcidas em conseguir captar o essencial da vida...
Vá ao encontro do Criador, meu amigo. Um dia a gente se encontra.
"Já tive medo de morrer. Não tenho mais. Tenho tristeza. A vida é muito boa. Mas a Morte é minha companheira. Sempre conversamos e aprendo com ela. Quem não se torna sábio ouvindo o que a Morte tem a dizer está condenado a ser tolo a vida inteira." Rubem Alves
domingo, 25 de maio de 2014
A AVENTURA DO FRACASSO: ALFABETIZAR E ENSINAR MATEMÁTICA NO BRASIL
A AVENTURA DO FRACASSO:
ALFABETIZAR E ENSINAR MATEMÁTICA NO BRASIL
ALFABETIZAR E ENSINAR MATEMÁTICA NO BRASIL
Dr. Frank Viana Carvalho
Resumo
Há anos nossos resultados na educação fundamental têm se mostrado
insuficientes face ás demandas do mundo moderno. E esse descompasso se mostra
cada vez mais evidente no ensino de duas competências básicas: ler e escrever e
matemática básica.
Abstract
For years our results in primary education have
proven insufficient for the demands of the modern world. And this mismatch is
shown increasingly evident in the teaching of two basic skills: literacy and
numeracy..
Estamos em 2014 e há doze anos tenho repetidamente insistido numa mesma
tecla: se queremos ver reais mudanças na educação brasileira, devemos mudar
nossas atitudes com relação à alfabetização e ao ensino da matemática básica.
Ano após ano, quando são
divulgados os resultados de testes internacionais de avaliação da aprendizagem
dos alunos da língua materna e da matemática básica nos deparamos com tristes
fatos. E nesse ano a notícia se repetiu – os resultados de um novo teste do
Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA), divulgados pela
Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) mostram que
o Brasil ficou apenas com a 38ª colocação entre os 44 países participantes.
A pontuação média entre todos os
participantes foi de 500 pontos, enquanto os brasileiros marcaram 428 pontos.
Ainda segundo o relatório, 47,3% dos nossos estudantes tiveram performance
considerada baixa. Menos de 2% foram capazes de solucionar problemas complexos.
Quando recebemos as notícias do resultado da Avaliação Brasileira
do Final do Ciclo de Alfabetização (Prova ABC), promovida por uma parceria
entre o Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio
Teixeira), a Fundação Cesgranrio, o Instituto Paulo Montenegro/Ibope e o
movimento Todos Pela Educação em 2011, um sentimento de grande incômodo tomou
conta dos líderes da educação no Brasil. Mas o que foi feito desde então? É difícil
responder.
No teste mais atual, onde a OCDE buscou
avaliar mais as habilidades cognitivas dos estudantes do que seu conhecimento
de conteúdo matemático, participaram do exame cerca de 85 mil alunos, todos com
15 anos de idade. E de novo, os resultados dos estudantes brasileiros continuam
desanimadores.
Entretanto, mais uma vez os resultados apontaram para a raiz do
problema, mas os “especialistas” e “entendidos” não conseguem vê-lo. Das duas,
uma: ou são incapazes (aqui o termo é literal – não têm capacidade de ver o que
de fato importa) e por isso, desculpáveis, ou são ineptos, e, por isso,
responsáveis pela lentidão e ineficiência na busca das soluções.
Vamos aos números
Com base nos resultados da avaliação (Prova ABC), de cada 100
(cem) alunos do 3º ano do ensino fundamental (antiga 2ª série), 44 (quarenta e
quatro) não são capazes de encontrar informações num texto escrito. Ou seja,
não são capazes de entender o que estão lendo. Com base nas orientações
curriculares do MEC, os estudantes deveriam nessa etapa ser capazes de
identificar os temas de uma narrativa, localizar informações explícitas,
identificar características de personagens em textos como lendas, contos,
fábulas e histórias em quadrinhos e perceber relações de causa e efeito (nesses
textos).
Ora, é evidente que houve falhas no processo de alfabetização.
Traduzindo sem rodeios: estes alunos foram mal alfabetizados, e não sabem ler.
E, como o processo é interligado e dinâmico, pode-se afirmar com certeza que
não sabem escrever.
Na sequência o resultado da avaliação de Matemática.
De cada 100, 52 alunos dessa mesma série não conseguem resolver
problemas de soma ou subtração. Assim, não sabem fazer contas de mais e de
menos para, por exemplo, calcular o troco numa compra.
Mal em Português e mal em Matemática.
Mas vejamos o óbvio.
Nas várias provas que são aplicadas aos estudantes (SARESP, Prova
Brasil e outras), não é permitido que ‘adultos’ expliquem as questões aos
alunos, para não interferir nos resultados.
Ora, se 44 alunos em cada 100 não sabem ler (e escrever), como é
que poderão entender um problema de Matemática?
Se são incapazes de interpretar ou mesmo localizar informações em
texto, como é que poderão compreender o enunciado do problema ou da questão?
É até provável que, se essas crianças “ouvissem” de um professor o
enunciado do problema ou a formulação da questão, poderiam acertar sua resposta
(uma boa parte delas).
Ou seja, voltamos ao problema da alfabetização.
Se vão mal, é porque foram ‘mal alfabetizados’. Logo, não sabem
ler e escrever. Não sabendo ler, não entendem os enunciados das questões –
sejam de Matemática, Português, Ciências ou qualquer outra área do
conhecimento.
E a solução
A solução é fácil. Passa por três eixos. Vamos a eles.
1º Estabelecer a Alfabetização como Prioridade. E isso é simples: a) Investir na
capacitação dos profissionais que trabalham na fase da alfabetização. Oferecer
formação continuada em serviço; b) Exigir formação em nível superior e formação
adicional (pós-graduação) nesta área específica; c) Pagar os melhores salários
aos professores que atuam na Alfabetização e nas Séries Iniciais (equivalentes
aos professores do nível superior).
2º Mudar o Foco e Currículo da Formação dos Professores. Os alunos não estão aprendendo na
faculdade a alfabetizar. Pouquíssimas Faculdades de Pedagogia ensinam a
alfabetizar. O que algumas fazem muito bem é ‘teorizar’ sobre alfabetização.
Nossa, que saudade do Magistério! Refiro-me ao antigo curso (extinto) de Ensino
Médio.
Hoje, o curso (por excelência) para a formação de professores das
séries iniciais (e educação infantil) é o Pedagogia. No contexto atual, este é
um curso (sem sombra de dúvida) completamente anacrônico.
O curso dá excessiva ênfase em disciplinas teóricas que pouco
significarão na prática docente. Não ensina seus alunos a alfabetizar. Não os
ensina efetivamente a dar aulas. Até nas matérias que deveriam ter metodologias
e sentido prático (Didática, Metodologias do Ensino e Prática de Ensino), o
curso consegue voltar o foco (novamente) para as teorias que fundamentam a prática e não a
prática em si mesma. E o Estágio Supervisionado fica só no nome, pois os alunos
raramente são acompanhados e , é claro, muitos estágios jamais acontecem como
deveriam – apenas os relatórios. Além disso, é um curso muito curto para tudo o
que pretende do egresso (são só seis semestres) – formar diretores,
supervisores, coordenadores, orientadores, professores da educação infantil e
séries iniciais. Não sei de nenhum outro curso superior no Brasil onde o
profissional estuda tão pouco e pode ter tantas possibilidades sem uma formação
adicional.
É verdade que um profissional 'se faz' em serviço, que muitas
coisas só serão aprendidas na prática do dia a dia. Mas é impensável imaginar a
formação de graduação de um cirurgião sem a formação prática - só com teorias.
Voltemos aos docentes. Ora, se um curso de Pedagogia não ensina o básico (saber
alfabetizar, para um professor de séries iniciais esse é um "saber"
básico, fundamental), o curso está ensinando o quê, então?
3º Repensar o Paradigma Atual das Metodologias de
Alfabetização. Faz algum tempo que o MEC se deu conta de
que diferentes posturas metodológicas operando juntas podem dar mais resultados
do que uma linha isolada. Só faltou falar isso para os grupos antagônicos
que teimam em ter a 'única' verdade na alfabetização: os construtivistas e
os tradicionais. E vale lembrar que não existem apenas dois modelos.
É necessário realizar urgentemente pesquisas com diferentes
modelos para aproveitar o que cada um tem de melhor para ajudar os alunos no
processo de alfabetização. Temos que parar de ‘comprar teorias encaixotadas’
feitas por americanos, argentinos, cubanos e outros e mudar nossa postura. Não
estou aqui desprezando as boas ideias que vem de fora. Mas devemos ter um olhar
crítico sobre ‘todas’ elas. Precisamos também pesquisar por nós mesmos. Devemos
nos valer das boas ideias e práticas de educadores brasileiros (antigos e
atuais) para realizarmos uma alfabetização de sucesso.
Finalizando
Dei aulas para o Curso de Pedagogia por doze anos. Lecionei diversas
disciplinas. Debati e sugeri várias mudanças. Esforcei-me ao máximo para dar
aulas práticas, onde a teoria se efetivasse em ações para e com meus alunos.
Estudei muito e trabalhei na esfera pública também. Sei do que estou falando.
Dá para mudar o mundo, decidindo e mudando pequenas atitudes.
Às vezes ouvimos de quartas séries (quinto ano) onde 25% dos
alunos não sabem ler e escrever. Será que isso é verdade?
Há apenas alguns anos (em 2007) recebi de uma de minhas alunas do
curso de Pedagogia uma carta escrita por uma aluna da 8ª série (atual 9º ano).
Enquanto tentávamos ler juntos, eu tive vontade de chorar. Foi realmente
difícil interpretar aquelas palavras. Eu quis chorar mas outros iriam rir
diante daquela tentativa de carta. Letras perdidas em pedaços que não lembravam
palavras nem frases, sem nenhuma pontuação com sentido. Perguntei se a aluna
(da 8ª série) tinha alguma dificuldade de aprendizagem ou outra deficiência. A
resposta foi negativa. A garota foi empurrada pelo sistema séries e séries
acima. Nenhum professor, após a etapa de alfabetização sentiu-se responsável
pelo problema – afinal de contas em sua concepção, eles não tinham nenhuma
obrigação de alfabetizar - a culpa era do professor anterior, o que finalmente
nos remetia às séries iniciais.
Alguns vão dizer que esta história é um caso isolado. Mas é uma
lástima se não for.
Referências:
http://oglobo.globo.com/sociedade/educacao/alunos-brasileiros-ficam-entre-os-piores-em-teste-de-raciocinio-logico-12052532
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