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segunda-feira, 24 de janeiro de 2022

Redes Sociais - Uma pausa - O Dilema das Redes

"O Dilema das Redes" (o filme) trouxe à tona um assunto do qual falo há muitos anos. Será que você entende? O face é uma bolha, uma caverna diria Platão, ou ainda uma caixa de ressonância onde o algoritmo do Facebook te envolve, cerca e isola de acordo com pessoas, ideias, modelos, produtos e coisas ligadas ou relacionadas à sua visão de mundo. Nas palavras do próprio Zuckerberg, dono do face, esse algoritmo sofreu alterações: "Na medida que rodarmos essas mudanças, você verá menos conteúdo público como posts de empresas, marcas e sites de notícias. E o conteúdo público que você receberá seguirá os mesmos padrões — ele deve encorajar interações significativas entre as pessoas.”... Bem, no entanto, essas mudanças anunciadas com pompa e circunstância no final de 2018 isolaram os usuários em bolhas ainda mais herméticas. Se no passado isso já me aborrecia, com as mudanças e a polarização crescente da sociedade brasileira, começando em 2016, mas sobretudo em 2018 e 2019, começaram a aparecer na linha do tempo posts e mais posts com palavras ou demonstrações de incompreensão e intolerância, além de posts inúteis, fúteis ou 'nonsense', como se muita gente estivesse meio perdida nessa onda bizarra de agressividade e ódio que inundaram as redes sociais. Isso sem falar nos posts que incentivam a polarização da sociedade ao invés do diálogo e da harmonia. Sei que há muitas exceções.

Contudo tudo isso parece uma corrida rumo ou em meio a insanidade. Talvez muitos, quiçá estejam todos (sem exceção - eu inclusive) enlouquecendo coletivamente. Será que dá para sair desta caverna e ver novamente o mundo real? Ou o mundo real transformou-se nessa caverna-bolha digital? Em razão disso, já em 2016 e 2017, e posteriormente, em 2019 - 2022 desativei minha página no facebook por longos períodos, com breves retornos, e uma vez a conta do Instagram. Nessas ocasiões, é claro, meus amigos só podiam me encontrar no Messenger, pois a desativação não cancela a conta ou os contatos com os amigos. O período fora do face, no meu caso, é sentir-me sair da bolha (dessa bolha). Valorizo muito as amizades e o companheirismo que as redes sociais propiciam e ajudam a manter (com o risco de afastar os que estão perto, enquanto se tenta aproximar os distantes), mas o algoritmo do face continua incapaz de ler as minhas expectativas do que deveria ser a rede. Depois que comecei a desativar a página, o período mais longo que fiquei foi em 2020, mas percebia que muita coisa continuava igual. Logo, o que me restava de perspectiva era sair, não logar ou desativar a página, e foi o que fiz. Ultimamente sinto que devo fazer o mesmo em relação ao Instagram. Bem, se um dia desses não me encontrar lá no facebook ou instagram, essa é a única explicação. Abraços fraternos.

Frank Viana Carvalho

segunda-feira, 7 de janeiro de 2019

Paulo Freire - Um legado incrível de um grande educador


Paulo Freire
 Frank Viana Carvalho
Mesmo sendo uma referência mundial na educação, Paulo Freire é incompreendido em seu país natal. Se Paulo Freire fosse de fato estudado, compreendido e utilizado, a educação brasileira estaria décadas à frente do que está hoje. Seu conceito de que a educação é um caminho para a emancipação, transformação, progresso individual e social está na própria base da educação, ideias preconizadas no iluminismo pelo grande pensador Jean Jacques Rousseau na obra O Emílio, e na virada do século XIX para o XX pelo respeitadíssimo educador e filósofo John Dewey. Já escrevi neste blog muito sobre Paulo Freire, mas retorno a ele neste momento em que sua obra é equivocadamente colocada em cheque.

Paulo Freire desenvolveu uma pedagogia crítica centrada no estudante, que vai muito além das metodologias, com princípios fundados no diálogo entre docentes e discentes e no valor da educação como ferramenta para a emancipação. 
O sucesso de Paulo Freire é completamente merecido. Ele é uma referência na educação mundial. Que tal aprender um pouco mais sobre ele?
No início da década de 1960, num Brasil com uma taxa de 40% de analfabetismo, uma das grandes realizações de Freire foi o projeto que coordenou na cidade de Angicos, no Rio Grande do Norte, na alfabetização de adultos (hoje chamada de EJA). Utilizando seu método inovador - um método sintético unido a uma proposta de reflexão dialógica -, ele conseguiu a proeza de alfabetizar 300 adultos em três meses (a maioria em 45 dias).
Faço aqui um pequeno paralelo antes de continuar falando deste grande educador. Em fins da década de 1990 e início dos anos 2000 participei do Programa Alfabetização Solidária como formador de alfabetizadores numa parceria entre municípios da Paraíba e a faculdade onde eu trabalhava como coordenador de cursos superiores. Aproveitando a experiência e meus conhecimentos pedagógicos, eu mesmo atuei como alfabetizador de adultos (EJA) em São Paulo. Assim, como educador e alfabetizador, utilizei muito da proposta freiriana, unida aos avanços da metodologia da aprendizagem cooperativa (meu campo de pesquisa e publicações). O sucesso dos alfabetizandos era notável e isso ocorria em pouco tempo. Posso afirmar sem sombra de dúvida que, com a metodologia adequada e empenho dos estudantes, é possível alfabetizar em poucos meses na Educação de Jovens e Adultos (EJA).
Voltando a Paulo Freire e ao seu método, fica bem claro que ele buscava não só a base da alfabetização que era a formação de palavras e expressões e a leitura e compreensão, mas visava ao mesmo tempo à interligação do processo ao seu cenário, à sua conjuntura e à sua situação estrutural. O educando percebia que as palavras tinham conexão com o contexto social e cultural. Logo, sua educação visava à reflexão e conscientização que possibilitavam caminhos para a emancipação individual. E ao incentivar ações de parceria e cooperação, ele estava indicando caminhos de crescimento coletivo e comunitário.
Ele via a educação numa perspectiva filosófica: o educando assimilaria os conteúdos e conceitos estudados fazendo uso desta prática dialética com a realidade. E isso ocorreria em contraposição a outro tipo de educação, que ele via como dominadora, alienante e mantenedora do status quo: uma educação sem diálogo, onde os estudantes apenas recebiam passivamente os conteúdos dos professores - como uma conta que recebe depósitos -, daí denominada por ele de educação bancária; uma educação só voltada à técnica e à repetição vazia; uma educação sem reflexão e por isso alienante; uma educação mantenedora do status quo - manteria o educando com poucas perspectivas de progresso individual e social -, sobretudo nas classes mais desfavorecidas; uma educação que não permitia ao aluno estabelecer seu próprio caminho; uma educação que tinha interesse no silêncio e na passividade. Enfim, Freire propunha outro caminho e logo o país estava diante de duas propostas completamente distintas. 
Freire entre os grandes na Suécia

O caminho de suas ideias parecia destinado ao sucesso, no entanto, com as mudanças trazidas pela Ditadura Militar, incompreendido, Paulo Freire sofreu perseguição política. Documentos da Secretaria de Segurança Pública mostram que os militares consideravam Freire um “homem notoriamente ligado à política esquerdista”, que “vinha comunizando o Nordeste através do seu método de alfabetização de estilo revolucionário”.
Mas o que parecia a mais dura prova para o educador, se transformou em sua maior realização, pois suas ideias ganhariam o mundo. Após mais de setenta dias de prisão em 1964, teve que deixar o país e seguiu para a Bolívia, depois para Chile, Estados Unidos e Suíça. Escreveu, deu aulas, palestrou, ganhou o mundo.
Finalizando este post, enfatizo que os países mais avançados do mundo a partir do momento em que o conheceram, jamais negaram a importância, a inovação e o avanço que representam as ideias de Paulo Freire e continuam estudando e se aprofundando em seus conceitos. É sábio e é vanguardista adotarmos essa posição e seguirmos este mesmo caminho.

“Não existe tal coisa como um processo de educação neutra. Educação ou funciona como um instrumento que é usado para facilitar a integração das gerações na lógica do atual sistema e trazer conformidade com ele, ou ela se torna a ‘prática da liberdade’, o meio pelo qual homens e mulheres lidam de forma crítica com a realidade e descobrem como participar na transformação do seu mundo”. (FREIRE, 2002, p. 15)
“ [É preciso] criticar a arrogância, o autoritarismo de intelectuais de esquerda ou de direita, no fundo, da mesma forma reacionários, que se julgam proprietários, os primeiros, do saber revolucionário, os segundos, do saber conservador; criticar o comportamento de universitários que pretendem conscientizar trabalhadores rurais e urbanos sem com eles se conscientizar também. [...] para mim, o caminho da superação daquelas práticas está na superação da ideologia autoritariamente elitista; esta no exercício difícil da virtude da humildade, da coerência, da tolerância, por parte do ou da intelectual progressista. Da coerência que vá diminuindo a distancia entre o que dizemos e o que fazemos”. (FREIRE, 1993, p. 80).

Aqui apenas um pouco do muito que Paulo Freire representa. Preferi apresentar em números e fatos:
- Suas ideias e propostas estão no currículo da formação de professores das mais prestigiadas Universidades de todo o mundo, de Harvard a Cambridge, de Oxford a Sorbonne, de Tóquio à Melbourne.
- Recebeu o prêmio da UNESCO de Educação para a Paz em 1986.
- O terceiro teórico mais citado em trabalhos acadêmicos no mundo inteiro.
- Autor do único livro (de um autor brasileiro) mencionado entre as cem obras mais citadas no mundo: Pedagogia do Oprimido.
Mural na Universidade do Chile homenageando Paulo Freire

- Único autor brasileiro entre os cem mais citados no Google Scholar 2016.
- O brasileiro mais homenageado da história recebendo o título de Doutor honoris causa em 35 Universidades do Brasil e do mundo.
- Cidadão honorário de diversas cidades brasileiras.
- Condecorado 24 vezes com medalhas, comendas e prêmios em vários países.
- Convidado oficial de 54 países dos cinco continentes.
- Homenageado com estátua em Estocolmo, capital da Suécia.
- Em 13 de abril de 2012 foi sancionada a Lei nº 12.612, que declara o educador Paulo Freire Patrono da Educação Brasileira.
- Segundo uma pesquisa envolvendo três estados brasileiros, Paulo Freire é o nome de escola mais comum.
- Uma escola pública independente de Holyoke, Massachusetts, Estados Unidos, nomeou-se "Paulo Freire Social Justice Charter School", e isso foi aprovado pelo Estado em 28 de fevereiro de 2012.

Referências
[1] FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. 22ª ed. São Paulo: Paz e Terra, 2002.
[2] FREIRE, Paulo. Pedagogia da Esperança; 2ª ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra 1993.

terça-feira, 13 de junho de 2017

Motivando os Jovens do Centro de Desenvolvimento Social Padre Romão - Pedreira - São Paulo

Atendendo a um pedido da Prefeitura de São Paulo, fui palestrar no Centro de Desenvolvimento Social Padre Cícero Romão, no Bairro da Pedreira. Eles fazem um belo trabalho com a juventude nesta região da cidade. Falei para eles sobre “Automotivação na Vida Cotidiana, Acadêmica ou Profissional”, onde enfatizei a construção de saberes  interpessoais e desenvolvimento de competências de relacionamento e motivação.






sábado, 20 de maio de 2017

Motivação, Inteligência e Autoconhecimento

Aconteceu nos dias 11, 12 e 13 de maio a XIV Semana de Negócios da Univel, com o tema “Inovar para crescer”. Recebi o convite e fui lá, compartilhar ideias e trabalhar temas motivacionais em sua relação com a ciência, com a filosofia e a educação. Uma recepção calorosa e momentos incríveis com os novos amigos do oeste do Paraná. Valeu Cascavel!!!



Link do Evento:
http://univel.br/institucional/imprensa/noticias/xiv-semana-de-negocios-univel

terça-feira, 14 de março de 2017

Lançamento da Obra Vindiciae Contra Tyrannos - O Direito de Resistir

Finalmente a primeira edição das Vindiciae Contra Tyrannos, após 17 longos anos de trabalhos e pesquisas... 
Lançamento no dia 28 de março no Auditório da Filosofia e Ciências Sociais, na USP - Universidade de São Paulo...


quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Teste da Amizade... Eu estou muito bem!!!

Olá galera!!!
Olá amigos!!!

Imagine alguém afirmando:

- Eu estou muito bem!!!
- Estou ganhando dinheiro. Amando e sendo amado. Trabalhando no que gosto. Fazendo coisas legais e indo a lugares legais. Estou bem de saúde e sinto-me abençoado por Deus.

Como você se sentiria?
Você se sentiria feliz com a felicidade dos seus amigos?
Você tem amigos de verdade?
Você é um amigo de verdade?

Então clique abaixo e faça o:

Teste da amizade infalível

Só tem amigos verdadeiros quem é um amigo de verdade!!!

"Maus não têm amigos, só cúmplices e puxa-sacos. Pessoas boas têm amigos". (Ethiene de La Boétie)

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Um milhão de visitantes!!! Um milhão de acessos!!!

Os visitantes do Blog Filosofando me deram uma enorme alegria ao entrarem nesta página neste começo de dezembro de 2016... 1.000.000 de visitas em busca de conhecimento!!!
Muito obrigado a todos!
Continuarei postando temas relevantes que sempre agreguem valor e conhecimentos!!!
Obrigado Senhor!
Obrigado amigos!


quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Psicologia da Educação - Interação e Sensibilidade

A Turma da Licenciatura em Biologia do Instituto Federal de São Paulo - Campus São Roque - Sempre animados, motivados e envolvidos nas Ações e Estratégias que proponho para eles. Aqui numa proposta de Psicologia da Educação de interação e sensibilidade... na mesma aula uma mensagem especial para a aluna Stephanie Fiuza foi preparada...








terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Eu aprendi

Eu aprendi

Eu aprendi... que ignorar os fatos não os altera;
Eu aprendi... que quando você planeja revidar, apenas está permitindo que essa pessoa continue a magoar você;
Eu aprendi... que o Amor, e não o Tempo, é que cura todas as feridas;
Eu aprendi... que ninguém é perfeito até que você se apaixone por essa pessoa;
Eu aprendi... que a vida é dura, mas eu sou mais ainda; 

Eu aprendi... que as oportunidades nunca são perdidas, alguém vai aproveitar as que você perdeu.
Eu aprendi... que quando o ancoradouro se torna amargo, a felicidade vai aportar em outro lugar;
Eu aprendi... que não posso escolher como me sinto, mas posso escolher o que fazer a respeito;
Eu aprendi... que todos querem viver no topo da montanha, mas toda felicidade e crescimento ocorre quando você esta escalando-a;
Eu aprendi... que quanto menos tempo tenho, mais coisas consigo fazer.


terça-feira, 27 de outubro de 2015

Eu gostaria de ter me permitido ser mais feliz...

E no final da vida, o que fica?

Pensando sobre esta questão, que de fato é fundamental ao humano, Bronnie Ware, uma enfermeira que durante vários anos cuidou de pessoas que eram muito idosas ou estavam enfermas em suas casas - escreveu “The Top Five Regrets of the Dying - A Life Transformed by the Dearly Departing”, que, como o título diz, trata dos cinco arrependimentos mais comuns manifestados pelas pessoas antes de morrerem. Interessante é que quando cursei teologia, tive duas experiências assemelhadas a essa: visitei várias vezes o asilo que funcionava no Bairro da Alvorada, próximo ao portão principal do UNASP. Entre uma música e outra (eu tocava músicas ao violão para eles), fazia perguntas e ouvi tantas vezes os velhinhos relatarem coisas semelhantes; a outra foi quando fiz uma série de visitas ao longo de um semestre ao setor de queimados de um grande hospital de São Paulo.
A enfermeira Bronnie Ware passou muitos anos trabalhando com cuidados paliativos, cuidando de pacientes em seus últimos três meses de vida. Ela conta que os pacientes ganharam uma clareza de pensamento incrível no fim de suas vidas e que podemos aprender muito desta sabedoria. "Quando questionados sobre desejos e arrependimentos, alguns temas comuns surgiam repetidamente", disse Bronnie ao jornal britânico "The Guardian".


No livro da Bronnie aparecem essas ideias, e os comentários dela:

1. Eu gostaria de ter tido a coragem de viver a vida que eu quisesse, não a vida que os outros esperavam que eu vivesse.
"Esse foi o arrependimento mais comum. Quando as pessoas percebem que a vida delas está quase no fim e olham para trás, é fácil ver quantos sonhos não foram realizados. A maioria das pessoas não realizou nem metade dos seus sonhos e têm de morrer sabendo que isso aconteceu por causa de decisões que tomaram, ou não tomaram. A saúde traz uma liberdade que poucos conseguem perceber, até que eles não a têm mais."

2. Eu gostaria de não ter trabalhado tanto.
"Eu ouvi isso de todo paciente masculino que eu trabalhei. Eles sentiam falta de ter vivido mais a juventude dos filhos e a companhia de seus parceiros. As mulheres também falaram desse arrependimento, mas como a maioria era de uma geração mais antiga, muitas não tiveram uma carreira. Todos os homens com quem eu conversei se arrependeram de passar tanto tempo de suas vidas no ambiente de trabalho."

3. Eu queria ter tido a coragem de expressar meus sentimentos.
"Muitas pessoas suprimiram seus sentimentos para ficar em paz com os outros. Como resultado, ele se acomodaram em uma existência medíocre e nunca se tornaram quem eles realmente eram capazes de ser. Muitos desenvolveram doenças relacionadas à amargura e ressentimento que eles carregavam."

4. Eu gostaria de ter ficado em contato com os meus amigos.
"Frequentemente eles não percebiam as vantagens de ter velhos amigos até eles chegarem em suas últimas semanas de vida e não era sempre possível rastrear essas pessoas. Muitos ficaram tão envolvidos em suas próprias vidas que eles deixaram amizades de ouro se perderem ao longo dos anos. Tiveram muito arrependimentos profundos sobre não ter dedicado tempo e esforço às amizades. Todo mundo sente falta dos amigos quando está morrendo."

5. Eu gostaria de ter me permitido ser mais feliz.
"Esse é um arrependimento surpreendentemente comum. Muitos só percebem isso no fim da vida que a felicidade é uma escolha. As pessoas ficam presas em antigos hábitos e padrões. O famoso 'conforto' com as coisas que são familiares O medo da mudança fez com que eles fingissem para os outros e para si mesmos que eles estavam contentes quando, no fundo, eles ansiavam por rir de verdade e aproveitar as coisas bobas em suas vidas de novo."

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Consensos Invisíveis e sem sentido

Consensos Invisíveis e sem sentido
Frank Viana Carvalho

Há uma dicotomia evidente que diz respeito à auto realização das pessoas na sociedade contemporânea e a realidade do mundo em que vivemos. Trata-se da cobrança social ‘que diz sem dizer’ - aqueles tipos de consensos invisíveis - que todos têm que alcançar o sucesso ou, pelo menos, que todos têm que ser muito competentes no que fazem. E nessa busca de sucesso e competência, na maioria das vezes sem sentido, pois ela ocorre de acordo com padrões que nos são alheios, cada pessoa se volta cada vez mais para si mesma – muito mais do que deveria ou normalmente faria. Correndo e lutando para alcançar esse alvo, centrada em si, a pessoa não investe no outro, nos relacionamentos, nas pessoas: não há atenção, não há ajuda desinteressada e muito menos compromisso. Há no máximo, um envolvimento casual. Logo, o esvaziamento das relações é
completo. A vida passa a ser uma representação patológica de papeis, onde os sorrisos e posições de neutralidade escondem as mazelas, as imperfeições e incoerências presentes em cada ser humano. Entretanto, quatro consequências desse comportamento são inevitáveis e bizarras. A primeira é que quanto mais investe em si mesmo, mais carente a pessoa fica da atenção dos outros, pois o maior retorno deste tipo de investimento (em si mesmo) só tem sentido na vida em sociedade. Assim, para ‘evidenciar’ que se alcançou o sucesso, ou que se é competente, é necessária a presença e a atenção dos outros. A segunda é a crítica generalizada ao ‘outro’, pois todos que não lhe dão atenção, que o criticam, que não lhe oferecem ajuda, ou que pensam diferente dele, são insensíveis, desagradáveis, egoístas ou ignorantes. A terceira é que volta e meia o ego dele se irrita com toda essa representação, e a pessoa explode em arroubos de agressividade gratuita ou queixas infindáveis. A quarta e última é a superficialidade nas relações, uma tradução do nosso comportamento para com as coisas transportado para o nosso relacionamento com as pessoas – pois é, com as coisas nosso relacionamento é na modernidade profundamente marcado pelo instantâneo – afinal, no mundo moderno, tudo é para já, tudo é para o ‘agora’ -, e pelo descartável, tudo é usado e descartado prontamente. Pois esse mesmo instantâneo e descartável já é utilizado nas relações entre as pessoas, fazendo com que usem umas às outras, sem nenhuma consideração, afetividade ou compromisso. Há saída para isso? Há soluções? Podemos viver de uma forma melhor que essa? No próximo post eu falo sobre isso.

Fonte da Imagem:
http://oficinadevalores.blogspot.com.br/2012/04/logoterapia-uma-terapia-em-busca-de.html

segunda-feira, 6 de julho de 2015

Contei meus dias...

Uma busca...
Contei meus dias e descobri que terei
menos tempo para viver daqui para frente do que já vivi até agora.
Sinto-me como aquele menino que ganhou uma bacia de jabuticabas.
As primeiras, ele chupou displicentemente,
mas percebendo que faltam poucas, ele rói até o caroço.
Já não tenho tempo para lidar com mediocridades.
Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflados.
Não tolero gabolices.
Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram,
cobiçando seus lugares, talentos e sorte.
Já não tenho tempo para projetos megalomaníacos.
Não participarei de conferências que estabeleçam prazos fixos
para reverter a miséria do mundo.
Não quero que me convidem para eventos de um fim de semana
com a proposta de abalar o milênio.
Já não tenho tempo para reuniões intermináveis para discutir estatutos,
normas, procedimentos e regimentos internos.
Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas,
que apesar da idade cronológica, são imaturos.
Não quero ver os ponteiros do relógio avançando em reuniões de
“confrontação”, onde “tiramos fatos à limpo”.
Detesto fazer acareação de desafetos que brigaram
pelo majestoso cargo de secretário do coral.
Lembrei-me agora de Mário de Andrade que afirmou:
“as pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos”.
Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos.
Sem muitas jabuticabas na bacia,
quero viver ao lado de gente humana, muito humana;
que sabe rir de seus tropeços, não se encanta com triunfos,
não se considera eleita para a “última hora”;
não foge de sua mortalidade,
defende a dignidade dos marginalizados, e deseja andar humildemente com Deus.

Caminhar perto delas nunca será perda de tempo... (Ricardo Gondim)




Quo Vadis? Para onde vais?

“Quo vadis?” (Para onde vais?).
No Evangelho de João, Simão Pedro pergunta ao mestre:
“Quo vadis?”
E a resposta o deixa triste:
“Quo ego vado non potes me modo sequi!” (Para onde vou, não podes seguir-me agora!)
Trinta anos depois, indo pregar o evangelho em Roma, Pedro tem uma visão do mestre e lhe pergunta de novo ‘Quo vadis?’ e ouve a resposta: ‘Venio Roman iterum crucifigi’ (Venho a Roma para ser novamente crucificado!).
Pedro então se dirige a Roma, onde preso e condenado à crucifixão, considera ser demasiada honra morrer como o mestre. Pede então para ser crucificado de cabeça para baixo.
 A história é contada no filme ganhador do Oscar "Quo Vadis".

Sonhos

"Cada sonho que você deixa para trás, é um pedaço do seu futuro que deixa de existir". Steve Jobs

Nunca desista

Nunca desista de um sonho por causa do tempo que levará para concretizá-lo. O tempo passará de todo jeito.

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