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segunda-feira, 6 de julho de 2015

Quo Vadis? Para onde vais?

“Quo vadis?” (Para onde vais?).
No Evangelho de João, Simão Pedro pergunta ao mestre:
“Quo vadis?”
E a resposta o deixa triste:
“Quo ego vado non potes me modo sequi!” (Para onde vou, não podes seguir-me agora!)
Trinta anos depois, indo pregar o evangelho em Roma, Pedro tem uma visão do mestre e lhe pergunta de novo ‘Quo vadis?’ e ouve a resposta: ‘Venio Roman iterum crucifigi’ (Venho a Roma para ser novamente crucificado!).
Pedro então se dirige a Roma, onde preso e condenado à crucifixão, considera ser demasiada honra morrer como o mestre. Pede então para ser crucificado de cabeça para baixo.
 A história é contada no filme ganhador do Oscar "Quo Vadis".

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

RELAÇÕES INTERPESSOAIS NO MUNDO ESVAZIADO PELO INSTANTÂNEO E DESCARTÁVEL

RELAÇÕES INTERPESSOAIS NO MUNDO ESVAZIADO PELO INSTANTÂNEO E DESCARTÁVEL

 Dr. Frank Viana Carvalho

Resumo
Tornamo-nos a sociedade do instantâneo e do descartável. Vivemos na era dos bens descartáveis e dos serviços instantâneos. Quase tudo que nos chega às mãos é descartável e ao mesmo tempo queremos as coisas na velocidade do pensamento. E qual é o problema? A resposta é simples – nós transpomos nossas relações com as coisas para a nossa relação com as pessoas.

Abstract
We have become a society of instant and disposable. We live in an age of disposable goods and services snapshots. Almost everything we get in our hands we throw them at the same time we want things at the speed of thought. And what is the problem? The answer is simple - we transpose our relations with things for our relationship with people.


Viver continuamente num contexto de relações interpessoais parece ser uma condição básica da natureza humana. Seja na família, na comunidade do bairro, do trabalho, do clube, da igreja e sobretudo da escola, interagimos continuamente com o outro. No caso da escola, relações entre alunos são reproduções do cotidiano em um contexto particularizado – quase uma ilha. Quando os professores lançam o desafio de que os alunos trabalhem em grupos, este gesto pedagógico mostra-nos uma clara intenção de potencializar estas relações, seja por motivá-los a crescer no aprendizado do trabalho em equipe, seja na busca conjunta da realização de uma tarefa.

Entretanto, esta não é uma prática rotineira, especialmente por demandar do professor o preparo e o planejamento para que não ocorra o contrário do que se pretendia. Em outras palavras, pretende-se que na escola, o aluno desenvolva habilidades que o ajudarão nas relações interpessoais no mundo fora da escola. Desta forma, trabalhos em grupos que ocorrem de forma organizada e produtiva, onde cada um cumpre a sua parte não são tão constantes na vida escolar. São muitas as dificuldades neste processo e um número razoável de docentes mantém os alunos num ensino individualizado e com poucas interações entre si.

No cotidiano fora da escola, há uma tendência natural ao agrupamento e à busca de realizações conjuntas para uma grande variedade de tarefas. Fora da escola, como diz Piaget, “existe a vida, e na vida, existem os amigos e as relações sociais entre crianças.” Para ele é “nesta atmosfera de cooperação que se desenvolve a autonomia.” E logo em seguida o mesmo autor pergunta: “Por que a escola não tiraria então proveito destas possibilidades que revela o estudo psicológico do desenvolvimento moral e social das crianças. Aqui ainda, isto depende antes de tudo da atitude do professor.”(1)

Relações interpessoais são construções de identidades

O que ocorre, neste caso, e estamos falando de relações interpessoais, é a constante busca da escola para adequar-se aos mecanismos sociais da atualidade e porque não dizer, da modernidade. Mas esta busca esbarra numa profunda frustração para a escola ao não conseguir o sucesso almejado, ou consegui-lo apenas de forma parcial. Soma-se a isto o próprio ser humano em busca da sua identidade. Para onde vais? Essa era uma pergunta que denotava na antiga Roma um sentido de rumo para a vida, no sentido de construção desse rumo. É a construção de si próprio. Esse quo vadis mostra uma busca inconsciente que é uma constante na vida do adulto, mas será também nas crianças em idade escolar? Com certeza.

Não estaríamos tentando dar uma explicação psicológica a uma simples questão do cotidiano das instituições (neste caso, da escola)? Talvez. Aqui poderíamos afirmar como Fischmann e Wheelis (2) que, ao mesmo tempo em que há uma profunda insatisfação das pessoas na sua busca, há também um excesso de psicologização na tentativa de resolver e explicar os problemas.

Esse processo, no entanto, não é algo que ocorre de forma metódica, sistemática e, com isso diversas rupturas nessas tentativas de explicação da natureza humana e seu processo de construção. A sensação de descontinuidades leva a uma busca individual, com explicações para tudo – logo há também uma exacerbação da crença no próprio indivíduo. Neste contexto, onde muitas pessoas (quase todos) supõem saber analisar o comportamento, caminha-se para o processo narcísico, onde as pessoas se tornam referências para si mesmas e para os demais. Em todo este processo há uma busca de respostas imediatas na tentativa (de) que sejam definitivas, pois as pessoas têm dificuldade de compreender que a identidade é um processo em construção.

É essa busca de respostas instantâneas que, tão logo pareçam suprir as necessidades imediatas, são abandonadas, ou mesmo descartadas, se reproduz em muitas coisas do cotidiano. Tornamo-nos assim, uma sociedade do instantâneo e do descartável.

O Instantâneo e o Descartável

Isto se manifesta especialmente em nossas relações com as coisas. Vivemos na era dos bens descartáveis e dos serviços instantâneos. Lenços, guardanapos, copos e fraldas descartáveis, para não mencionar uma infinidade de coisas, substituíram lenços e guardanapos de pano, copos de vidro e fraldas (sim, isso mesmo) de tecido de algodão.

Ao mesmo tempo queremos as coisas na velocidade do pensamento: comida rápida (fast-food), dinheiro sacado instantaneamente (caixas 24 horas), transações comerciais feitas com um clique, celulares que nos permitem falar com quem quisermos a qualquer hora (é impossível não ser localizado) e milhares de outras coisas que tornaram nossa vida instantânea.

Mas o descartável e o instantâneo se misturaram e aí banalizamos tudo: comida servida em marmitex com talheres de plástico, sanduíches em embalagens de papel (o isopor é démodé) e porque não, mensagens de texto pelo celular, fotografias que nunca são reveladas (e diga-se de passagem, para quê?). Realmente, o instantâneo e o descartável dominaram a nossa vida, a nossa cultura e em muitos, até o pensamento e a personalidade.

E qual é o problema? Não é esse o caminho natural da evolução humana? A resposta é simples – nós transpomos nossas relações com as coisas para a nossa relação com as pessoas. Não é apenas uma tendência – é uma realidade. É algo muito e completamente humano. E no instantâneo e no descartável não há antes e nem há depois, pois o que importa é o momento presente.

Muitos exemplos poderiam ser dados, mas ficarei apenas em um. Todos conhecem a expressão ‘ficar’, que em nosso mundo (tão moderno) significa simplesmente ter alguém para o momento, sem nenhum (absolutamente nenhum) compromisso. Dirão alguns que isso ocorria no passado, mas esses se esquecem que as pessoas evitavam fazer isso às claras ou deixar evidente para os demais, especialmente para a pessoa envolvida. Hoje não, o ficar é uma troca consciente – ‘eu te uso e você me usa, mas não queremos nada um com o outro’. A transferência foi total – é a completa e absoluta banalização do instantâneo e descartável.

Poderíamos dizer que a facilidade e a rapidez dessas relações levam a um esvaziamento e a uma superficialidade que confunde as pessoas e faz com que elas percam o referencial da construção do eu? Seguramente, pois se por um lado, cada um é o “eu em construção” e, por outro lado, somos “descartáveis”, onde está a nossa importância? Esta perda de referenciais pode levar a uma anulação de si próprio. Não é de se admirar que vivemos na época em que a crise da auto-estima é a maior na história da humanidade. E ainda assim, muitos se colocam como a medida de todas as coisas.(3) Isso mostra a que ponto chegamos no esvaziamento das perspectivas para a construção do eu.

Como proporcionar ambientes saudáveis de relações interpessoais num mundo que perdeu os referenciais básicos na construção do eu? Como incentivar alunos a interagirem para melhorar suas habilidades de trabalho em equipe no mundo que transfere o instantâneo e descartável para os relacionamentos interpessoais?


A complexidade das relações entre as pessoas numa interação em grupos

O trabalho em grupo é bem exemplificado numa corrida de revezamento: é necessário planejamento, preparo, responsabilidades individuais e esforço de todos para a consecução das metas globais e individuais. Não se pode esquecer nunca que os grupos são formados por pessoas e que não são apenas grupos, são um conjunto de relações entre as pessoas.

Estranho é que a sociedade de uma forma geral e a mídia de forma particular não enfatizam a busca coletiva, mas sim a individual, com destaque para o estrelato (ou estrelismo). No grupo enquanto um mecanismo de cooperação e ganhos conjuntos não deve haver uma busca de estrelato ou preponderância, onde o próprio conceito de estrelato é equivocado (uma estrela não brilha sozinha no céu). Sempre há espaço para todos (muitas estrelas brilham juntas). Um claro exemplo disso ocorreu em maio de 1995 quando a mídia tentava destacar o feito de Waldemar Niclevicz ao atingir o cume do monte Everest, como o primeiro brasileiro a escalar a montanha mais alta da Terra. Na verdade, Waldemar Niclevicz estava acompanhado de outro brasileiro, Mozart Catão. Como se percebe, parecia aos olhos da imprensa e da TV que seria mais heroico e glorioso destacar o feito de um só (4). Logo, não é positivo o papel da mídia na construção das identidades e das relações entre as pessoas no grupo.

Numa sociedade que coloca o hedonismo como um valor aceitável (5) e desmerece os esforços de muitos para destacar a realização de uns poucos, a consequência natural é ver as pessoas fechando os olhos para quem está ao seu lado e deixando de perceber o sofrimento alheio. Construir relações é exatamente o contrário: é ver no outro de fato um semelhante. Tudo aquilo que pode ser positivo no trabalho em grupo, pode, e deve ser maximizado pelos que incentivam o trabalho em equipes e grupos. É necessário trabalhar as potencialidades de cada um. Dentro e além do aspecto cognitivo é necessário desenvolver as capacidades analíticas, argumentativas, reflexivas e críticas. Estas podem ser trabalhadas para que se desenvolva um exercício permanente da democracia, da cidadania e da ética.

Na construção das relações e na construção da identidade pessoal é necessário ver e ter consciência de que os esforços fazem sentido. Ver de que forma a vida e as relações fazem sentido. E este senso depende de valores estáveis: nossos referencias de vida, de história. O que nos leva a ter segurança no que é certo e errado e estar pronto a decidir.

Trabalhar em grupo é sobretudo construir relações com os demais e assim, estabelecer também valores seguros para a construção da própria personalidade. Não há dúvidas de que ocorre uma construção da própria identidade nas relações de grupo.

Ervin Goffman , que foca seus estudos nas relações entre as pessoas nos grupos sociais afirma que ‘atuamos’ como se fôssemos atores em um palco (6). E acabamos mais desenvolvendo efeitos dramáticos do que atitudes. Esta é uma abordagem interessante numa análise do trabalho em grupos em sala de aula. Até que ponto estaremos sendo autênticos em nossas relações interpessoais? E o que de fato vêm a ser autenticidade se todos somos assim? Mas a sua afirmação de que as pessoas agem para ser aceitas é uma constante nos grupos. Com isto mudam de postura e mesmo de atitudes. Algumas se apropriam do papel de outras e desta forma, o importante é manter a fachada.

O grande risco aqui é a não preocupação moral com os próprios padrões, e isto envolve o risco da aceitação formal e da vivência apenas dos padrões visíveis, externos e não de fato, pessoais. Desta forma, as pessoas ditam e vivem padrões e traços de identidade. (alguns destes, apenas suposições).

Nas relações entre componentes dos grupos há ainda a questão dos estigmas que carregamos e que influenciam diretamente a maneira como as pessoas nos vêem e nos tratam. Influenciam também a maneira como nós tratamos os demais. Muitas vezes o estigma é tão marcante, que as pessoas não olham para uma “outra pessoa”, mas para o estigma que ela carrega. Ora, quanto mais se tece na superfície aparente, mais frágeis os papéis que vivenciamos ficam por baixo. É como insistir em construir uma casa sobre alicerces frágeis. Quanto mais se insiste em avançar, maior é o risco de desmoronamento.

A solução está na figura do próprio docente (e dos líderes): ele deve assumir o seu papel e ser uma referência de valores para seus alunos. John Dewey dizia que “é pelo exemplo que aprende a humanidade, não aprenderão em outra escola”.

Segundo Green (7), “o ensino cooperativo é a solução para uma parte significativa dos problemas de ensino e aprendizagem” e “as técnicas do ensino cooperativo, quando bem aplicadas, podem resgatar alunos considerados sem chance e sociabilizar a turma” (8). Sua definição é de que o Ensino Cooperativo (ou aprendizagem cooperativa) é uma proposta metodológica de organização do trabalho da sala de aula com os alunos trabalhando em grupos de estudo. Estes grupos recebem instruções dos professores e se interagem positivamente para o progresso da aprendizagem e do relacionamento interpessoal.

O problema central neste caso é analisar os alunos em interação e as múltiplas interações dos alunos enquanto trabalham conjuntamente sob a orientação do professor. A prática docente busca modelos consensuais e a ênfase na cooperação é uma necessidade da educação conforme muitos autores, inclusive Piaget (9):

“Conforme a cooperação substitui a coação, a criança dissocia seu eu do pensamento de outro.” ... “Logo, cooperação é fator de personalidade, se entendermos por personalidade ... o eu que se situa e se submete, para se fazer respeitar, às normas da reciprocidade e da discussão objetiva.” ... “Sendo a cooperação, fonte de personalidade, na mesma ocasião, as regras deixam de ser exteriores.”

Diversas pesquisas confirmam os aspectos positivos e a necessidade de melhor analisarmos as inter-relações que ocorrem no funcionamento da aprendizagem a partir dos grupos dentro da sala de aula e em vários ambientes de convivência coletiva. Se nenhum trabalho for feito no sentido de melhorar as relações entre os estudantes e, consequentemente, entre as pessoas, a pergunta feita há quase dois milênios, não terá uma resposta positiva.

Fontes:
(1) PIAGET, A Educação da Liberdade: Conferencia apresentada no 28º Congresso Suíço dos Professores em 8 de julho de 1944 em Berna, Suíça.
(2) Do livro The quest for identity, de WHEELIS, Allen, citado por FISHMAN. Roseli. Professora da Faculdade de Educação da USP.
(3) Richard Sennet, O declínio do homem público: tiranias da intimidade.
(4) O próprio Waldemar, infelizmente, destaca em seu site este feito da mesma forma que a imprensa o fez. A menção a Catão é apenas periférica. (http://www.niclevicz.com.br/pag14.php)
(5) Konrad Lorenz em, A demolição do homem.
(6) Erving Goffman, A representação do eu na vida cotidiana; Estigma: notas sobre a manipulação da identidade; Manicômios, prisões e conventos.
(7) Andrews University, Michigan, USA.
(8) Green, William, Aulas do Mestrado em Educação, dez/jan 96/97, UNASP, Eng. Coelho - SP.


quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Descoberta Arqueológica aumenta a credibilidade do Herói Bíblico Sansão


Uma pequena pedra encontrada em Israel pode ser a primeira evidência arqueológica da história de Sansão, o fortão mais famoso da Bíblia. (Por Rossela Lorenzi)
Com menos de uma polegada de diâmetro, a gravura esculpida mostra um homem com cabelos longos lutando contra um grande animal com rabo de felino.
A pedra foi encontrada em Tell Beit Shemesh, nos montes hebreus próximos a Jerusalém, e data aproximadamente do século XI antes de Cristo.
Biblicamente falando, nesta época, os judeus eram conduzidos por líderes conhecidos como Juízes, e Sansão era um deles.
A pedra foi encontrada em um local próximo ao rio Sorek (que marcava a antiga fronteira entre o território dos israelitas e o dos filisteus), o que sugere que a gravura poderia representar a figura bíblica.
Sansão, um personagem do Antigo Testamento que se tornou lenda, tinha uma força sobrenatural dada por Deus para vencer os inimigos.
A força, que Sansão descobriu ao encontrar um leão e matá-lo com as próprias mãos, vinha de seu cabelo.
Sansão, que matou mil filisteus armado apenas com uma mandíbula de asno, foi seduzido por Dalila, uma filisteia que vivia no vale de Sorek. Ela cortou os longos cabelos de Sansão, o que fez com que ele perdesse a força e fosse aprisionado pelos filisteus, que o cegaram e o obrigaram atrabalhar moendo grãos em Gaza.
De acordo com o Livro dos Juízes, Sansão retomou sua força e derrubou o templo de Dagon sobre ele mesmo e muitos filisteus, “assim foram mais os que matou ao morrer, do que os que matara em vida”.
Apesar da evidência circunstancial, os diretores da escavação, Shlomo Bunimovitz e Zvi Lederman, da Universidade de Tel Aviv, não afirmam que a imagem da gravura represente o Sansão bíblico. É mais provável que a gravura conte a história de um herói que lutou contra um leão.
“A relação entre a gravura e o texto bíblico foi feita por acaso”, anunciou o jornal israelense Haaretz.
Os arqueólogos também encontraram um grande número de ossos de porco próximo a Sorek, mas só no território filisteu. No território israelita, não acharam quase nenhum, o que sugere que os israelitas teriam optado por não comer carne de porco para diferenciarem-se dos filisteus.
“Esses detalhes dão um ar lendário ao processo social, no qual dois grupos hostis delimitaram suas diferentes identidades, assim como acontece em muitas fronteiras, hoje em dia”, disse Bunimovitz a Haaretz.
Fonte:

sexta-feira, 20 de julho de 2012

É tudo entre você e Deus - Madre Tereza

É tudo entre você e Deus
 
“Muitas vezes as pessoas são egocêntricas, ilógicas e insensatas.
Perdoe-as assim mesmo!
Se você é gentil, as pessoas podem acusá-lo de interesseiro.
Seja gentil assim mesmo!
Se você é um vencedor, terá alguns falsos amigos e alguns inimigos verdadeiros.
Vença assim mesmo!
Se você é honesto e franco, as pessoas podem enganá-lo.
Seja honesto e franco assim mesmo!
O que você levou anos para construir, alguém pode destruir de uma hora para outra.
Construa assim mesmo!
Se você tem paz e é feliz, as pessoas podem sentir inveja.
Seja feliz assim mesmo!
O bem que você faz hoje, pode ser esquecido amanhã.
Faça o bem assim mesmo!
Dê ao mundo o melhor de você, mas isso pode não ser o bastante.
Dê o melhor de você assim mesmo!
Veja você que, no final das contas,

é tudo entre você e Deus.”


Madre Tereza de Calcutá

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Há quase 500 anos atrás - Questionando Dogmas

O diálogo se passa em 20 de outubro de 1517 na fria cidade de Wittemberg. Dois amigos assentados nos últimos bancos do Refeitório da Universidade local conversam enquanto se mantem atentos para que ninguém escute o que estão falando. É um diálogo que fará 500 anos em 2017.

Questionando Dogmas
Por Frank Viana Carvalho

(Hans [fala sussurrando e baixinho]) – Lutero, você continua com aquelas ideias de questionar as doutrinas e apontar os erros da Igreja?

(Lutero) – Hans, nós já conversamos sobre isso. Sei dos riscos que corro, mas são tantas as coisas nas quais tenho razão... Aliás, sobre várias coisas que escrevi... tem mais gente que pensa como eu, só não tem coragem de ...

(Hans [interrompendo Lutero]) – Martinho, você sabe que não é tão simples assim. A Igreja é muito dura com quem entra em conflito com ela. Foi você mesmo que me contou o que aconteceu com Jan Huss e Jerônimo de Praga, que morreram queimados na fogueira...

(Lutero) – Sim, é verdade, mas isso ocorreu há mais de cem anos e além do mais, alguém tem que fazer alguma coisa. Acredito que minhas aulas já têm incomodado muita gente, mas pela liderança que exerço aqui, preciso ir além e fazer a Igreja refletir e mudar...

[silêncio dos dois]

(Hans) – Lutero, sei que você tem razão e sei que algo deve ser feito. Eu também me preocupo com a forma como a Igreja tem o controle das pessoas e do seu comportamento.

(Lutero) – Estou atento a isso, Hans. Veja, até pessoas instruídas são manipuladas pelos ensinamentos errôneos. Dão seu dinheiro, suas posses e mesmo sua vida em favor de falsas doutrinas, pessoas inescrupulosas e ensinos equivocados... Mas com relação às pessoas, não vou generalizar, pois sei que há monges e padres que acreditam em tudo isso sinceramente...

(Hans) – É, mas a sinceridade deles parece cega. Eles não refletem sobre tudo isso aí. Acho que é porque a Igreja sabe trabalhar com aspectos que afetam a mente de qualquer ser humano, seja rico ou pobre, instruído ou iletrado. [Hans faz uma pausa e lança uma pergunta] – Você acredita mesmo que a Igreja vai mudar? Vai aceitar a sua repreensão e implementar as reformas necessárias?

(Lutero) – Acredito. Afinal de contas, é apenas um retorna à mensagem da Bíblia. Ora, para ganhar o perdão de Deus, ninguém precisa castigar-se ou fazer boas obras, mas somente ter fé em Deus. Não estou inventando nenhuma doutrina nova...

(Hans) – Eu sei, mas para os líderes da Igreja em Roma, você estará indo contra o que a Igreja ensina agora.

(Lutero) – Eles também querem o bem da Igreja e por isso creio que vai funcionar.

(Hans) – Quando vejo você falar assim, tão confiante, penso que tudo pode dar certo. Mas quando me lembro que a Igreja afirma categoricamente que ela tem a “Verdade”, a única verdade e que só ela tem o “Conhecimento”, e que nada pode ser interpretado fora de Roma...

[silêncio]

(Lutero [após uma longa pausa]) – E você Hans, que gosta de observar as pessoas, o comportamento dos fieis, dos líderes...

(Hans) – Sabe Martinho, acredito que a Igreja utilizou por tanto tempo o temor e o medo que as pessoas sentem, para com isso controlá-las, que muitos dos bispos e padres atuais não sabem dirigir uma paróquia sem usar desse mesmo recurso. O que você pensa disso?

(Lutero) – Consigo até me lembrar de alguns aspectos e frases dessa manipulação pelo medo... Se você não obedecer às regras da Igreja, não será abençoado... Se você não se penitenciar, irá para o inferno... Se você não for fiel nas ofertas e na devolução programada do seu dinheiro você não será perdoado nem recompensado por Deus... e ultimamente essa que mais me incomoda...

(Hans) – Qual?

(Lutero [fazendo uma inflexão da voz, imitando o bispo da cidade]) ... Se você não contribuir para a construção das Catedrais comprando indulgências, você não herdará o reino dos céus, além de não receber as bênçãos de Deus na Terra...

(Hans) – Eu acreditava nisso também, mas quando li as Escrituras... Oh Deus, obrigado... [Hans eleva os olhos aos Céus]

(Lutero) – Mas a Igreja usa o medo de outras formas também.

(Hans) É verdade, e o maior medo que ela impõe aos fieis é o de não pertencer a Igreja... [agora Hans faz a inflexão da voz] Se você abandonar a Igreja... [Hans se corrige], eles dizem que é abandonar a fé, mas continuando, [novamente Hans faz a inflexão da voz] Se você abandonar a fé, você será uma ‘ovelha desgarrada’, ‘fraco na fé’, ‘coitado’, ‘mundano’...

(Lutero) – ... Herege, endemoniado, apóstata.

(Hans) – Sabe Lutero, lembrei-me de uma expressão que ouvi sobre Remídio, quando ele pensava em fazer algo semelhante ao que você está tentando fazer agora. Ele acabou saindo da Igreja – e ele era uma pessoa da liderança. Eles disseram que ele tinha caído da graça e saído da Igreja...

(Lutero) – Ele, assim como outros, queria apenas o melhor para a Igreja... como não conseguiu, preferiu sair.

(Hans) – Você se lembra, eles disseram dele: ‘as estrelas mais brilhantes serão as primeiras a cair’...

(Lutero) – O pior Hans, é que pessoas sinceras dentro da Igreja pensam assim, rotulando a todos os que saem, ainda mais os líderes. Você se lembra de como muitos o evitaram e se afastaram dele como se ele tivesse pegado uma doença quando a Igreja o excomungou?

(Hans) – Não deve ter sido fácil para ele... mas, ainda bem que alguns amigos o acolheram e mantiveram o contato e a amizade com ele... remaram contra a multidão, mesmo sofrendo críticas do bispo...

(Lutero) – É verdade...

(Hans) – Lutero, não é meu intuito desanimá-lo, mas preste atenção no que vou dizer. Acredito que se você apresentar alguma ideia ou conceito que entre em confronto com o pensamento da Igreja sobre qualquer assunto, mesmo que você esteja certo, e eu acredito que está, alguma explicação será dada provando o ponto de vista da Igreja. E tudo continuará como sempre foi...

(Lutero) – Acredito que dessa vez será diferente, pois as teses e os questionamentos que apresento são sérios.

(Hans) – Amigo, não sei não... sendo que o assunto é ‘sério’, dirão que você está sendo usado pelo inimigo. Você já pensou nisso?

(Lutero) – Hans, você sabe que não sou ingênuo. Mas creio que me darão ouvidos e isso implicará em mudanças positivas para todos. Entretanto, sei que não será fácil...

(Hans) – Amigo, você já pensou alguma vez em fazer como o Erasmo de Roterdam? Afinal, vocês são amigos, não é... vocês se correspondem com frequência...

(Lutero) – Sim, nós nos correspondemos, mas no caso dele é diferente. Erasmo escolheu não seguir a vida sacerdotal e tem uma vida completamente independente da Igreja, podendo falar e escrever praticamente tudo o que quer. Mas convenhamos, como ele não é de ‘dentro’, a Igreja não liga para as críticas que ele faz. Eles não o veem como um teólogo ou uma ameaça e por isso as críticas dele nunca terão o efeito de abalar e sacudir o clero para mudanças positivas.

(Hans) – Entendo. Temos visto que Erasmo é um zeloso cristão e ao mesmo tempo, independente. Ele largou tudo Lutero, mas sei que no seu caso é diferente, pois sua vida é a Igreja, seus sermões, suas aulas, sua teologia...

[Hans faz uma pausa e continua]. Lutero, e se a Igreja te excomungar? E se o expulsarem? Se te proibirem de comungar com os irmãos?...

(Lutero [arregalando os olhos]) – Hans, não creio que chegarão a esse ponto, as coisas mudaram, os tempos mudaram... os príncipes apoiam o nosso ponto de vista...

(Hans) – Ao menos pense na hipótese... o que você fará?

(Lutero) – Realmente não pensei nisso... mas acho que para tudo Deus dá uma solução. Se isso acontecer... realmente eu ainda não sei... Não consigo me ver fora da Igreja... Mas talvez você tenha razão... vou pensar nisso a partir de agora...

(Hans) – Vou um pouco além... E se agirem de forma extrema e decretarem a sua morte?

(Lutero) – Você está vendo as coisas com os olhos do passado – a Igreja tem seus problemas mas não é tão obscurantista...

(Hans [sussurrando]) – E como está a lista? Com quantos itens já está?

(Lutero [sussurrando]) – Oitenta e um... mas eu acho que vai passar de noventa...

(Hans) – Amigo, que Deus te ilumine e te dê coragem no grande desafio que você tem pela frente. Estarei orando por você.

(Lutero) – Obrigado Hans, também orarei por ti.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Negociando com a fé das Pessoas

PEQUENAS IGREJAS, GRANDES NEGÓCIOS


Dois repórteres (será assim o plural?!) da Folha de São Paulo (reportagem de 03/12/2009), Cláudio Angelo, editor de Ciência da Folha, e Rafael Garcia, repórter do jornal, decidiram abrir uma igreja. Com o auxílio técnico do departamento Jurídico da Folha e do escritório Rodrigues Barbosa, Mac Dowell de Figueiredo Gasparian Advogados, fizeram-no. Precisaram de apenas de R$ 418,42 em taxas e emolumentos e de cinco dias úteis (não consecutivos).

O editor Cláudio faz a narrativa (1):
"É tudo muito simples. Não existem requisitos teológicos ou doutrinários para criar um culto religioso. Tampouco se exige número mínimo de fiéis. Com o registro da Igreja Heliocêntrica do Sagrado EvangÉlio e seu CNPJ, pudemos abrir uma conta bancária na qual realizamos aplicações financeiras isentas de IR e IOF. Mas esses não são os únicos benefícios fiscais da empreitada. Nos termos do artigo 150 da Constituição, templos de qualquer culto são imunes a todos os impostos que incidam sobre o patrimônio, a renda ou os serviços relacionados com suas finalidades essenciais, as quais são definidas pelos próprios criadores. Ou seja, se levássemos a coisa adiante, poderíamos nos livrar de IPVA, IPTU, ISS, ITR e vários outros “Is” de bens colocados em nome da igreja.
Há também vantagens extratributárias. Os templos são livres para se organizarem como bem entenderem, o que inclui escolher seus sacerdotes. Uma vez ungidos, eles adquirem privilégios como a isenção do serviço militar obrigatório (já sagrei meus filhos Ian e David ministros religiosos) e direito a prisão especial.
(E ele continua)
Alguns curiosos nomes de “igrejas” no Brasil.
- Igreja da Água Abençoada
- Igreja Adventista da Sétima Reforma Divina
- Igreja da Bênção Mundial Fogo de Poder
- Congregação Anti-Blasfêmias
- Igreja Chave do Éden
- Igreja Evangélica de Abominação à Vida Torta (???)
- Igreja Batista Incêndio de Bênçãos
- Igreja Batista Ô Glória!
- Congregação Passo para o Futuro
- Igreja Explosão da Fé
- Igreja Pedra Viva
- Comunidade do Coração Reciclado
- Igreja Evangélica Missão Celestial Pentecostal
 - Cruzada de Emoções
- Igreja C.R.B. (Cortina Repleta de Bênçãos)
- Congregação Plena Paz Amando a Todos
- Igreja A Fé de Gideão
- Igreja Aceita a Jesus
- Igreja Pentecostal Jesus Nasceu em Belém (???)
- Igreja Evangélica Pentecostal Labareda de Fogo
- Congregação J. A. T. (Jesus Ama a Todos)
- Igreja Evangélica Pentecostal a Última Embarcação Para Cristo (!!!)
- Igreja Pentecostal Uma Porta para a Salvação
- Comunidade Arqueiros de Cristo
- Igreja Automotiva do Fogo Sagrado
- Igreja Batista A Paz do Senhor e Anti-Globo
- Assembléia de Deus do Pai, do Filho e do Espírito Santo
- Igreja Palma da Mão de Cristo
- Igreja Menina dos Olhos de Deus
- Igreja Pentecostal Vale de Bênçãos
- Associação Evangélica Fiel Até Debaixo D’Água
- Igreja Batista Ponte para o Céu
- Igreja Pentecostal do Fogo Azul
- Comunidade Evangélica Shalom Adonai, Cristo!
- Igreja da Cruz Erguida para o Bem das Almas
- Cruzada Evangélica do Pastor Waldevino Coelho, a Sumidade
- Igreja Filho do Varão
- Igreja da Oração Eficiente
- Igreja da Pomb a Branca
- Igreja Socorista Evangélica
- Igreja ‘A’ de Amor
- Cruzada do Poder Pleno e Misterioso
- Igreja do Amor Maior que Outra Força
- Igreja Dekanthalabassi
- Igreja dos Bons Artifícios
- Igreja Cristo é Show
- Igreja dos Habitantes de Dabir
- Igreja ‘Eu Sou a Porta’
- Cruzada Evangélica do Ministério de Jeová, Deus do Fogo
- Igreja da Bênção Mundial
- Igreja das Sete Trombetas do Apocalipse
- Igreja Barco da Salvação
- Igreja Pentecostal do Pastor Sassá
 - Igreja Sinais e Prodígios
- Igreja de Deus da Profecia no Brasil e América do Sul
- Igreja do Manto Branco
- Igreja Caverna de Adulão
- Igreja Este Brasil é Adventista
- Igreja E.T.Q.B (Eu Também Quero a Bênção) (???)
- Igreja Evangélica Florzinha de Jesus
- Igreja Cenáculo de Oração Jesus Está Voltando
- Ministério Eis-me Aqui
- Igreja Evangél ica Pentecostal Creio Eu na Bíblia
- Igreja Evangélica A Última Trombeta Soará
- Igreja de Deus Assembléia dos Anciãos
- Igreja Evangélica Facho de Luz
- Igreja Batista Renovada Lugar Forte
- Igreja Atual dos Últimos Dias
- Igreja Jesus Está Voltando, Prepara-te
- Ministério Apascenta as Minhas Ovelhas
- Igreja Evangélica Bola de Neve
- Igreja Evangélica Adão é o Homem
- Igreja Evangélica Batista Barranco Sagrado
- Ministério Maravilhas de Deus
- Igreja Evangélica Fonte de Milagres
- Comunidade Porta das Ovelhas
- Igreja Pentecostal Jesus Vem, Você Fica (Você senta, Jesus levanta(???)
- Igreja Evangélica Pentecostal Cuspe de Cristo
- Igreja Evangélica Luz no Escuro
- Igreja Evangélica O Senhor Vem no Fim (???)
- Igreja Pentecostal Planeta Cristo
- Igreja Evangélica dos Hinos Maravilhosos
 - Igreja Evangélica Pentecos tal da Bênção Ininterrupta
- Assembléia de Deus Batista A Cobrinha de Moisés
- Assembléia de Deus Fonte Santa em Biscoitão
- “Igreija” Evangélica Muçulmana Javé é Pai
- Igreja Abre-te-Sésamo
- Igreja Assembléia de Deus Adventista Romaria do Povo de Deus
- Igreja Bailarinas da Valsa Divina
- Igreja Batista Floresta Encantada
- Igreja da Bênção Mundial Pegando Fogo do Poder
- Igreja do Louvre
- Igreja ETQB, Eu Também Quero a Bênção
- Igreja Evangélica Batalha dos Deuses
- Igreja Evangélica do Pastor Paulo Andrade, O Homem que Vive sem
Pecados (é o Cristo em pessoa!!)
- Igreja Evangélica Idolatria ao Deus Maior
- Igreja MTV, Manto da Ternura em Vida
- Igreja Pentecostal Marilyn Monroe (???????)
- Igreja Quadrangular O Mundo É Redondo
- Igreja Evangélica Florzinha de Jesus (Londrina – PR)
- Igreja Pentecostal Trombeta de Deus (Samambaia – DF )
- Igreja Pentecostal Alarido de Deus (Anápolis – GO)
- Igreja pentecostal Esconderijo do Altíssimo (Anápolis – GO)
- Igreja Batista Coluna de Fogo (Belo Horizonte – MG)
- Igreja de Deus que se Reúne nas Casas (Itaúna – MG)
- Igreja Evangélica Pentecostal a Volta do Grande Rei (Poços de Caldas – MG)
- Igreja Evangélica Pentecostal Creio Eu na Bíblia (Uberlândia – MG)
- Igreja Evangélica a Última Trombeta Soará (Contagem – MG)
- Igreja Evangélica Pentecostal Sinal da Volta de Cristo (Três Lagoas – MS)
- Igreja Evangélica Assembléia dos Primogênitos (João Pessoa -PB)
- Ministério Favos de Mel (Rio de Janeiro – RJ)
- Assembléia de Deus com Doutrinas e sem Costumes (Rio de Janeiro – RJ)
[E o editor da Folha de São Paulo termina com os seguintes dizeres]
Rir ou chorar? Qual a intenção, origem e motivação por trás de tanta “diversidade”? Ganha-se dinheiro (muito), tudo isento de impostos, lava-se dinheiro e tudo mais o que a imaginação quiser por em prática, financia-se campanhas para manter o controle do poder (a famosa “bancada evangélica” é poderosíssima), cria-se leis que os beneficiam, faz-se negociatas, enfim, o Brasil é mesmo um “paraíso” para certos religiosos.

Só posso dizer que é lamentável o que se faz com a fé das pessoas e uma legislação leniente e conivente com irregularidades.
Fonte da Imagem: igrejaunidadoricodinheiro.blogspot.com

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Intrigante

Uma vez, um amigo falou e eu considerei como totalmente verdadeiro que, na maioria dos casos, as pessoas que freqüentam a igreja não estão interessadas na verdade e sim em segurança.
Querem saber o que vai acontecer, querem que Deus as proteja, querem ter certeza da salvação e garantir um lugar no céu - e pintam esse céu como um lugar bastante previsível. O papel da religião, para esses, é propiciar-lhes essa sensação de segurança: conhecendo as profecias, 'sabendo' o que vai acontecer, 'estando' do lado certo, e por fim, 'indo' para o céu e vivendo eternamente vestido de branco, tocando harpa e exclamando "aleluia" diversas vezes...

No diálogo ficou a pergunta:
E o papel da religião para aqueles que buscam a verdade e tão somente a verdade?

sexta-feira, 27 de março de 2009

Piauí 30 - Memórias de um adventista


Eu li ontem a história em quadrinhos da última Revista Piauí. É interessante e perturbadora. Claro, tem um humor sombrio, mas no fim, reflete um pouco a realidade de quem foi criança e pré-adolescente adventista na década de 70 e começo dos anos 80 do século passado. Faltou (na verdade) que o autor amadurecesse na Igreja para que pudesse ver as coisas de outro ângulo.
É isso.

sábado, 14 de março de 2009

A crença na existência de um Ser Superior

A crença em Deus ou a crença na existência de um Ser Superior.

A partir de uma perspectiva moderna ou da perspectiva do ceticismo, o ‘acreditar em Deus’ pode ser visto como ‘uma construção humana’, ou ainda, como diriam outros, é ‘algo que nos foi imposto’ ou inculcado pela sociedade. Dessa forma, não tivemos ‘escolha’, mas fomos cercados pela idéia de sua existência e não chegamos a refletir sobre isso.

A idéia exposta no parágrafo anterior, longe de ser uma aberração, é uma conjectura filosófica razoável e parece atraente a muitas pessoas em nossa época.

Entretanto, antes de avançar nos comentários sobre o exposto acima, não se pode deixar de considerar que há evidências plausíveis de que a ideia de Deus também se mostra inerente à condição humana. Haja vista o fato de que diferentes agrupamentos humanos, isolados ou não, primitivos ou não, mostram em sua construção cultural (sofisticada ou simples) uma crença em um Ser superior. A Revista Superinteressante (set/2007; ago/2008 e outras edições) volta e meia, apresenta alguns articulistas com pesquisas que tentam justificar ‘cientificamente’ a crença em um Ser superior.

Voltando a primeira consideração (‘acreditar em Deus’ como ‘uma construção humana), devemos observar que essa linha de raciocínio não nega necessariamente a existência de Deus, apenas mostra que a maioria crê, não por escolha, mas por indução.

Notemos ainda que há aspectos no ‘acreditar na existência de Deus’ que merecem uma análise mais aprofundada. É certo que cada colocação que farei poderia render mais do que um ou dois parágrafos, mas não é essa a minha intenção neste texto.

Acreditar em Deus

É fato que a nossa razão trabalha com os instrumentos que dispõe para interpretar o mundo à nossa volta. O ‘inteligir’ de Agostinho, o ‘cogito’ de Descartes e o ‘arrazoar’ de Kant nos fazem entender o mundo e buscar padrões, coerências e, os que vão mais a fundo, à busca de um propósito ou do ‘porquê’ de todas as coisas.

Assim, vemos que o ‘acreditar em Deus’ está ligado ou envolve algumas coisas das quais uma pequena minoria se dá conta. Não porque a maioria não seja capaz de assim o analisar, mas simplesmente porque quando reflete sobre esse assunto, segue em outra direção.

Se o acreditar em Deus é inerente à condição humana, não existe ‘escolha’ e o esforço na direção contrária é inútil, pois mesmo insistindo na tese da não existência, persistiria no homem a noção da Sua presença no Universo.

Observem que não estou utilizando uma lista de argumentos ontológicos ou metafísicos para ‘provar’ a existência de Deus. Estes argumentos existem e são muito bons[1]. (Prometo um dia detalhá-los neste blog). Além disso, existem os argumentos do desígnio e projeto (design inteligente), que são de natureza científica. Mas não é nessa direção que estou avançando, e sim, na análise da própria ‘crença’ na existência de Deus.

Um segundo elemento nesta análise é a caracterização deste Ser que tudo controla, que tudo rege. Para alguns, Ele seria uma força, um poder, perceptível na natureza, mas difícil de conceituar, difícil de explicar. Nessa concepção temos a crença de Einstein e de Spinoza. Em outra direção, temos uma visão de um Deus pessoal (para os teólogos cristãos), um Ser onipresente, onisciente e onipotente.

O interessante aqui é que de fato a ‘forma’ e o ‘modus operandi’ de Deus são, nas religiões ou nas filosofias, ‘representações’ e ‘construções’ humanas.

Um terceiro elemento é a aceitação daquilo que se chama de soberania do ‘Ser que rege o Universo’. Como assim? A aceitação da soberania de Deus por parte dos que creem nEle permite a compreensão e aceitação da ação de Deus no mundo sem as limitações que a grande maioria impõe à sua própria crença. Ele faz o que deseja porque Ele sabe o que é melhor.

Pode parecer antagônico, mas os céticos rigorosos, aqueles que duvidam da existência de Deus, muitos ou quase todos, também estabelecem um ‘padrão’ ou ‘conceito’ de Deus, no qual Ele só pode só pode existir de agir de ‘tal e tal maneira, ou ser ‘deste e daquele jeito’. Como assim?

Para estes últimos, Deus só pode existir dentro de certas especificações. Também estabelecem 'jeitos', formas ou maneiras de Deus agir e conduzir o mundo. Se Deus permite guerras e sofrimentos, então (para eles), Deus não pode existir; se há injustiças, idem; se há evidências de evolução, idem, pois na mente deles, não é possível que Deus existisse e agisse por este caminho (criar o universo por caminhos evolucionistas), etc.

Percebam que estou querendo mostrar que os céticos (ainda que muitos procurem negá-lo) também estabeleceram um ‘padrão’ ou uma ideia de Deus em sua mente e, por isso, não conseguem aceitá-lo.

Boa parte destes procura apenas negar o conceito de Deus presente nas religiões. Talvez sejam elas que afastam muitos dos céticos da crença, justamente pela forma como O apresentam.
Seria o caso que o Deus dos ‘crentes’ seja o Deus imaginado na mente dos ateus e, por isso, Ele seja rejeitado? Pode ser...

Mas, dessa forma, eles jamais poderão refletir a existência de Deus numa direção transcendental, porque sua noção de Deus envolve um conceito limitado (seja por influência alheia ou por construção própria) de Sua existência e Sua soberania.

Sem dúvida, muitos (se não todos) dos que creem na existência de Deus também o limitam, pois estabelecem a priori as maneiras como creem que Deus pode ou deve fazer as coisas. Entre estes há muitos que não podem aceitar que Deus possa ter criado o mundo por caminhos, tempos ou maneiras diferentes das que acreditam; que Ele tenha escolhido a entropia como parte de um mundo ‘perfeito’; que a revelação que o homem tem de Deus é imperfeita...

Voltando

Voltemos à ideia inicial. Sendo a ‘crença em Deus’, algo que ‘foi imposto’ pela sociedade de geração em geração, o caminho oposto, pela lógica, também pode ser afirmado de igual forma.

O ‘não acreditar em Deus’ tem sido ‘imposto’ por uma sociedade cética e incrédula. Esta sociedade, à semelhança das anteriores, também pode ter suas ‘razões’ para assim o fazer.

Mas não podemos negar que, no benefício da dúvida, ou melhor, do pleno funcionamento da razão, é uma ideia que nos está sendo ‘imposta’ por cientistas e pensadores representantes do status quo atual.

O que nos resta então? Aceitar a pressão ideológica e cultural das sucessivas gerações dos que acreditaram... ou a nova pressão exercida pela geração dos que não acreditam?


Tábua de Salvação

Alguns entendidos afirmam que o design inteligente, justamente por seu caráter científico[2], está se transformando na tábua de salvação ‘racional’ dos que creem em um Deus que tudo criou.

Pode ser.

Mas, a bem da verdade, o evolucionismo, por seu caráter científico[3] já é a tábua de salvação ‘racional’ de alguns que não creem em um Deus que tudo criou.

Um fato, contudo, talvez esteja a favor dos que não creem, sejam céticos, agnósticos ou ateus.

Por terem experimentado a ‘descrença’, parece que eles estão mais aptos a fazer a ‘escolha’ do que aqueles que simplesmente tiveram este conceito ‘implantado’ e ‘inculcado’ desde o nascimento e durante toda a vida.

Ou seja, para quem ‘desconstruiu’ a ideia de Deus e, com o conhecimento que tinha à disposição, construiu de novo, a ‘crença’ na existência de Deus pode ser realmente chamada de ‘escolha’.

Os dois parágrafos anteriores não diminuem os crentes, apenas mostram que a quase maioria absoluta deles não passou por um caminho intelectual de negação e depois, de aceitação.

Alguns, é verdade, passaram por terríveis dúvidas e questionamentos e chegaram ao limite de suas forças, mas mantiveram a crença. Talvez estes últimos tenham experimentado (ainda que por poucos momentos) o ceticismo em um nível muito elevado e, por pouco, não abandonaram por completo a premissa da fé. Sim, é possível que estes também tenham feito a escolha racional da crença na existência de Deus.

Escolhas...

Sei do que falo, pois percorri muitos caminhos, conheci muitas filosofias, cometi erros e acertos,
enfrentei completa descrença, ceticismo em um nível quase absurdo...

Se é possível assim o afirmar, optei pela razão, pela ciência, pela epistemologia, pela axiologia, pela metafísica...

E nesse caminho encontrei novamente o Criador[4]. Eu acredito em Deus! Será que eu escolhi crer em Deus!?!? Se assim o foi, eu o fiz na plenitude de minha razão!

Não posso negar que minha razão influencia tudo em minha vida, inclusive meus sentimentos[5]. Claro, sou um ser humano!

Pode ser verdade que alguns creem por alienação ou convicção cega. Não me vejo como prepotente ou arrogante ao dizer que este não é meu caso.


Referências:
[1] Apresento aqui dois destes argumentos. Um primeiro é a crença na necessidade da existência de Deus para que o mundo faça sentido. Entraria aqui a famosa lei da causalidade. A partir dela, Deus seria o ‘moto’ propulsor da existência de tudo o mais. Esta ideia nos vem por Tomás de Aquino. Surgiram ao longo do debate filosófico argumentos favoráveis e contrários a essa premissa, mas ela nunca pôde ser descartada.
Outro argumento, epistemologicamente forte, é que somente um ser supranatural (ou suprafísico) poderia dar existência a seres com características supranaturais (consciência, abstração, intuição, entre outras). A matéria inanimada seria incapaz dessa proeza (o desafio probabilístico para essa empreitada demandaria simplesmente um esforço sísifo [até para os especialistas]).
[2] Alguns cientistas evolucionistas sem se aprofundar na análise do D.I, afirmam que ele é anti-científico. Clique aqui e veja o que penso sobre o Design Inteligente.
[3] Também há cientistas que negam o caráter científico do evolucionismo, colocando-o como uma ideologia com defensores ‘apaixonados’. O cientista Willem J. Ouweneel (Pesquisador Associado em Genética Experimental em Utrecht, Holanda, Ph.D. em Matemática e Ciências Naturais), afirma que é cada vez “mais evidente que a evolução não é sequer uma boa teoria científica”. (Fonte: http://www.scb.org.br/ - artigo “O caráter científico da Doutrina da Evolução”).
[4] Eu já O havia encontrado trilhando o caminho da fé, da teologia, da experiência espiritual...
[5] Seria a fé racional?
Fonte da Imagem: http://apertef5.com.br/wp-content/uploads/2009/03/deus.jpg

quinta-feira, 15 de maio de 2008

O mestre da Galiléia


Em 1999 li uma reportagem na Folha de São Paulo onde um articulista falava sobre o fato de Jesus nunca haver frequentado uma Universidade, etc., etc. Refletindo sobre isso compus este poema que retrata o meu pensamento sobre o Mestre da Galiléia.


Minha Busca
Frank Viana Carvalho
Setembro de 1999


Eu sei que posso buscá-lo no mundo inteiro
Ou talvez sozinho, lá na oficina de carpinteiro ...
Em Nazaré, de onde ele saiu e nunca mais voltou
Por isso minha busca começa ali, aonde vou ...

Distante, tento analisar aquela aldeia obscura
Para entender o porquê de minha procura
Em busca de um super homem, rico e letrado
Ou um rei de sangue azul, respeitado...

Confronto-me (porém) com o filho de uma camponesa
Que nunca teve uma “comida fina” em sua mesa
Procuro um livro? Não, ele nunca escreveu
E um cargo público? Ele jamais exerceu...

Também soube que nunca foi à Universidade
Embora desse aulas para os doutores da cidade
Procurei ver os bens, a influência, o nome da família
Mas não havia nada, nem terras, nem carro, nem mobília ...

Contaram-me que na vida usou muita coisa emprestada
Começando por um jumentinho naquela breve jornada
E até mesmo um barco, pãezinhos, e vejam: uma sepultura
De Arimatéia, imagino – o corpo inerte, na rocha dura ...

Seguindo os seus passos, soube de uma numerosa multidão
A quem ele, com seu jeito humano, demonstrava compaixão
Naquele grupo tinha de tudo: riqueza, pobreza, doenças, loucura
E ele tinha a resposta para todos: fé, amor, paz e cura ...

Encontrei uma cruz no alto de uma montanha
Onde o fizeram sofrer – uma dor indescritível, tamanha
Só não menor que o abandono dos amigos, naquele dia
E a morte veio ... o seu corpo sozinho, na noite fria ...

Mas no terceiro dia a morte venceu e um rei se tornou
E soberano salvador, maravilhoso, a todos resgatou
Seu nome foi exaltado, trazendo a muitos felicidade
E sua influência, sua história correu por toda a humanidade ...

Assim, para guiar meus passos, me fazer compreender sua história
Ele, para mudar minha vida, e estarmos juntos, um dia, na glória
Naquele momento da minha busca, já sentindo minha alma desamparada
Deixou-me descobrir que estava ao meu lado durante toda a jornada ...

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