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segunda-feira, 20 de fevereiro de 2023

Epopeia

Maturidade, liderança e viver para servir

(Frank Viana Carvalho)

 


Cheguei, sem aviso, à aurora madura,

Muitos encargos: psiquê serena, alma insegura.

Minha contínua e eterna busca de sentido,

Jamais me cansando do caminho vivido.

 

Ah, se eu soubesse o quão árdua é a lida,

de sair são da crise bem-vinda, mas sofrida...

Ah, essa crise que a idade nos traz:

Ver o futuro no presente olhando para trás.

 

Não é do passado que sinto saudade -

Quem me dera, às vezes, tal suavidade!

Mas mesmo nisso, com lucidez e contentamento,

Vejo que vivi bem cada fase, cada tempo.

 

Houve momentos de equívocos em boa intenção,

E acertos em erros que o tempo tirou da razão.

Guardei a fé e a força, firme e silente,

Pois o líder sofre, não fala, mas sente.

 

Quantos anseios, em vão, me tentaram

Fugir dos silêncios que me habitaram...

Tantas presenças belas, tão raras,

Mas são poucas as almas sinceras e claras.

 

Poucos os olhos que querem ouvir,

Poucas as mãos dispostas a servir,

A doar-se, sem peso ou vanglória,

A ofertar pela vida, não por vitória.

 

E concluo em mim esse fado aceito,

Trilho que a vida traçou em meu peito.

Às vezes hesitei, sim — mas fui resiliente:

Sei que servir é viver, para quem é consciente.

 


Fonte da Imagem: https://www.protagonizecursos.com.br/blog/autoconhecimento/maturidade/


sexta-feira, 12 de junho de 2020

Praticando a Interdisciplinaridade

Praticando a Interdisciplinaridade
Frank Viana Carvalho
Duzolina Alfredo Filipe de Oliveira

Desde o advento da escola moderna com Comenius (Didática Magna), a prática pedagógica, embora tenha muitas virtudes, ao longo dos anos levou a escola a tratar os conhecimentos e acontecimentos da realidade social de forma fragmentada e desvinculada das experiências significativas do educando, não dando o real valor e unicidade aos contextos culturais, científicos, sociais, políticos econômicos e pessoais. Há necessidade de se trabalhar a abordagem contextualizada fundamentada no ponto de vista globalizador, buscando a operacionalização através do aprendizado da interdisciplinaridade. Ao adotarmos o exercício interdisciplinar na escola, envolvemos todos os educadores de diferentes formações e conseguimos envolver os temas transversais às disciplinas. Só assim professores e alunos compartilham o aprendizado e constroem juntos o conhecimento.
Embora a escola considere que a divisão e subdivisão dos saberes em áreas e disciplinas visava facilitar o ensino, muitos educadores estão certos de que isso em grande medida fragmentou e dificultou a necessária interligação que há no conhecimento. A Interdisciplinaridade parte do pressuposto que a realidade é una e indivisível e concebe o conhecimento como aberto a despeito de suas múltiplas faces, exigindo de educadores e educandos uma maneira de ensinar e aprender que desenvolva a competência de estabelecer relações entre partes e o todo, superando a concepção unidirecional e fragmentada do conhecimento.

A prática pedagógica é uma atividade complexa e dinâmica, que se efetiva em espaços educacionais ou em ambientes voltados a esse fim, voltados à formação do estudante. Para entender a demanda do contexto atual, deve ser organizada de modo que possibilite a formação de um cidadão critico capaz de lidar conscientemente com a realidade cientifica e tecnológica na qual está inserido. A aprendizagem é sempre potencialização de reconstrução de conhecimentos científicos, culturais, sociais e políticos.
A melhor maneira de fazer com que isso aconteça é através da interdisciplinaridade que deve ir além da simples justaposição de disciplinas ao interagimos em busca de objetivos comuns. Mas para isso é necessário ter uma visão do que ocorre em outras áreas e disciplinas.  Devemos através do trabalho pedagógico incentivar uma aproximação para envolver docentes, discentes e disciplinas em atividades ou projetos de estudoprojetos de pesquisa e ação. A interdisciplinaridade poderá ser uma prática pedagógica e didática eficaz ao cultivarmos um diálogo constante entre os saberes e desafiarmos os alunos a posturas construtivas de questionamento, de aprovação, de indeferimento, de acréscimo e de transparência sobre a sua compreensão dos conhecimentos. Na interdisciplinaridade os alunos aprendem a visão do mesmo objeto sob prismas distintos.
A prática da interdisciplinaridade possui uma linha de trabalho integradora que pode agregar um objeto de conhecimento, um projeto de investigação, um plano de intervenção. Quando problematizamos uma situação, o problema causador do projeto pode ser uma experiência, um desencadeamento de ação para interferir na realidade ou aprofundar os conhecimentos de uma área. Por vezes o tema ou assunto unificador propicia várias abordagens e projetos nas diferentes disciplinas, e em outros momentos é o modelo de abordagem ou a estratégia metodológica que permitirá ao aluno visualizar a interação e proximidade dos temas comuns às áreas. Devemos nos conscientizar que os projetos integradores são interdisciplinares em sua compreensão, cumprimento e avaliação.
Em termos pedagógicos, a interdisciplinaridade também pode ser substituída por outros termos como multidisciplinaridadetransdisciplinaridade e pluridisciplinaridade, pois as mesmas permitem compreender a organização dos saberes em áreas e criam contextos para unificar ou aproximar estes conhecimentos.
A interdisciplinaridade envolve a contextualização do conhecimento, que mantém uma relação fundamental entre o sujeito que aprende e o componente a ser aprendido, evocando fatos da vida pessoal, social e cultural, principalmente o trabalho, os valores e a cidadania. Quando os alunos participam da tomada de decisão a respeito de um tema ou na construção de um projeto, é possível que constituam relações entre os novos conteúdos e os conhecimentos que já possuem, conseguindo aprendizagens mais significativas, comparando, criticando, sugerindo ajustes, novas relações e organizações, abrindo portas para a interferência em uma realidade, desencadeamento novas ações e construindo um compromisso com uma cidadania ativa.
Referências:
PERRENOUD, Phillipe. Construir competências desde a escola.
Sites: Nova Escola, Portal Educação, Brasil Escola.
Fonte da Imagem: http://www.educacaopublica.rj.gov.br/jornal/materias/0440.html

terça-feira, 9 de junho de 2020

Três meses de Pandemia - Caminhos e Soluções na Educação

Três meses de Pandemia - Caminhos e Soluções na Educação

Frank Viana Carvalho

O mundo inteiro está apresentando respostas educacionais para que o processo educacional continue em meio à crise do novo coronavírus. Em minha perspectiva de pedagogo, gastei um tempo considerável pesquisando sobre o que está acontecendo em outros países, pois é uma pandemia, uma excepcionalidade. Além disso, há vários exemplos em nosso próprio país. 
  
Diferentes caminhos para o ensinar e o aprender
A Associação Internacional Global Partnership que promove ajuda e recursos para dezenas de países, numa parceria mundial pela educação afirmou sobre os meios de educação nesta pandemia:

“Não existe uma escolha “certa” para educação a distância no momento. Cada país deve escolher os melhores meios ou uma mistura de meios de acordo com acesso, infraestrutura técnica, conteúdo, capacidade de adaptar esse conteúdo aos meios apropriados à sua disposição e sua capacidade de fornecer aos alunos acesso a essas oportunidades de aprendizado o mais rápido possível.”

A UNESCO, braço da ONU para a educação, além da Internet, sugere vários caminhos para a educação a distância, que envolvem a todos, com inclusão real:

O mesmo incentivo para diferentes caminhos é feito pelo World Bank em suas políticas de educação para o mundo:


Ao pesquisar sobre o que diferentes atores estão fazendo nesta questão, vê-se que eles buscam respostas sem fechar ‘portas’ ou ‘possibilidades’, sem restringir o caminho da aprendizagem às TICs.

1. Na Colômbia (IDH 761, 79º), entre outras possibilidades, estão usando o Rádio, uma tecnologia centenária para o ensino na pandemia:

2. Na Argentina (IDH 830, 48º), além da internet, o uso da TV para educar na época do Coronavírus é oficial, são 14 horas de transmissão diária:

3. Na rica Áustria (IDH 914, 20º), no coração do continente europeu, além da internet, é também oficial o uso da TV para educar nessa pandemia com uma programação 24 horas: https://tv.orf.at/

4. Na Costa Rica (IDH 794, 63º), que possui um IDH dos mais altos entre os países da América Central, além da Internet e da TV, para as famílias que não têm internet, são enviados pelo Correio ou sistemas de entrega, todo o material de estudo impresso e apostilado a partir de um Programa do Ministério da Educação.


5. De volta ao Brasil (IDH 791, 69º).

a) Na UNICAMP, o Reitor Marcelo Knobel afirmou:
“A palavra chave neste momento é flexibilidade. É preciso dar flexibilidade para o estudante nesse momento tão complexo (...) Nós não tínhamos muito preparo [para o ensino remoto emergencial], mas ponderamos diversas questões, como nossa obrigação como instituição pública, de manter o funcionamento de algumas atividades (como nossos hospitais) e acreditamos que o ensino também é parte das coisas fundamentais de serem mantidas”.

A Universidade de Campinas deu liberdade aos Departamentos e docentes para a retomada de aulas e atividades não presenciais:

b) Na USP, mais de 90% das aulas teóricas dos cursos de graduação e mais de 900 disciplinas de pós-graduação estão sendo ministradas on-line. A instituição distribuiu 2.250 kits de internet aos estudantes em situação de vulnerabilidade acompanharem as aulas.

c) No IFRR, além de definirem como Plataforma AVA o Moodle, fizeram um leque amplo de possibilidades, materiais e recursos, e considerando que nem todos têm acesso à internet, estão fazendo chegar aos estudantes livros didáticos e materiais educativos impressos:

d) No IFES, além da internet, estão imprimindo instruções de atividades e apostilas, fazendo com que elas cheguem às casas dos estudantes: https://ifes.edu.br/noticias/19194-coronavirus

e) A Rede Estadual de São Paulo está utilizando a TV Escola e enviando às casas material impresso e kits de estudo:

f) O Instituto Unibanco lançou uma série de podcasts educacionais (seria como ouvir aulas no rádio) para os tempos da COVID-19:

g) A Prefeitura de São Paulo, além da internet, também está enviando material de aprendizagem impresso:
 

7. Na populosa Índia (IDH 647, 129º), 32 canais de TV Direct To Home (DTH) são dedicados à transmissão de programas educacionais, ampliando sua programação na pandemia para as 24 horas por dia e acessíveis em todo o país. 


8. No Peru (IDH 759, 82º), o governo está lançando mão de todos os caminhos para a aprendizagem dos estudantes: internet, rádio e TV. Além disso, o Ministério da Educação comprou mais de 840 mil tablets para os estudantes e professores.

9. Em outros países das Américas como Chile (IDH 845, 43º), Equador (IDH 758, 85º), Cuba (IDH 778, 72º) e Haiti (IDH 503, 169º), além das mídias digitais baseadas na internet, há muita utilização do Rádio e da TV para educar nos tempos da pandemia.

9. E os Estados Unidos (IDH 920, 15º)? Em Chicago, parte da programação televisiva foi adaptada para a educação dos estudantes. No Mississipi, a Rádio WTVA adaptou sua programação para fornecer programas de ensino à distância para estudantes em comunidades de pouco acesso à internet. Em Cleveland, uma emissora de TV faz transmissões de aulas em função da pandemia. Mesmo no país mais rico do mundo, Estados Unidos, há disparidades no acesso à internet e soluções inovadoras que não se restringem às TICs têm sido utilizadas. A frase da educadora americana Vickki Katz da Universidade de New Jersey (campus Rutgers, em New Brunswick) resume tudo:

"A noção de que devemos interromper o aprendizado digital para todos porque não temos como alcançar igualmente a todos é a preocupação certa, mas é a solução errada."



O retorno presencial e a vacina
Vários países já pensam no retorno presencial. Alguns que realizam educação à distância, após o pico da pandemia, tentaram voltar ao presencial e recuaram (Coreia e França, por exemplo). Avaliam que os riscos só diminuirão de forma efetiva com a vacina, mas deverão fazer novas tentativas quando houver menos infectados com o vírus e os riscos forem menores. Mas algumas experiências de retorno presencial antes da vacina com uma série de cuidados já começam a acontecer efetivamente na Nova Zelândia.

Essa pesquisa foi feita entre os dias 07 e 09 de junho de 2020.

segunda-feira, 25 de novembro de 2019

Como prender e manter a Atenção dos seus alunos ou ouvintes (público) em geral


Como manter a atenção de seus alunos e dos seus ouvintes 

A questão da Atenção Concentrada dos estudantes e das pessoas como público ouvinte em geral


Frank Viana Carvalho 
(Texto organizado e sequenciado por 
Pâmela Danitza Lozano Carvalho)

No último post nos detivemos sobre o tema da atenção continuada e concentrada e seu tempo de duração – o tempo de 10 minutos foi uma média estatisticamente demonstrada em pesquisas nos anos 1980. Na atualidade, de acordo com pesquisas que conduzimos com os mesmos critérios e padrões científicos, temos a média de 07 minutos de atenção concentrada. Hoje quero dar seis sugestões de estratégias para que você consiga manter o interesse e a atenção do seu grupo durante uma fala, apresentação ou aula e poder manter a atenção além dos 07 ou 10 minutos.


1ª Interação com Perguntas
A primeira estratégia é sobre a interação com seu público. Imaginando a cena em sua preleção, você já está falando há dez minutos, e tem consciência de que alguns deles já estão no limite da atenção continuada. Você sabe que chegou a hora de parar.
Você faz uma pausa e realiza perguntas. Para essa interação com o público, a sugestão é que as perguntas tenham níveis progressivos de dificuldade, que permitam a eles responder confortavelmente conforme o conteúdo seja transmitido. Dessa forma – utilizando perguntas fáceis, que exijam ‘sim’ ou ‘não’ como respostas –, você diminui a possibilidade de se sentirem inibidos para responder. Quando você parte para uma próxima etapa, um grau progressivo de dificuldade ou complexidade, você faz perguntas que exijam o “porquê” nas respostas. Ou ainda, que as respostas sejam seguidas de exemplos. Você pode também alternar entre perguntas que exijam respostas simples com outras que exijam respostas complexas. Ou outro caminho: em cada pergunta, diferentes possibilidades de resposta. Perguntas que possam ser respondidas através de "sim" ou "não" e que, em outras vezes, tenham que dizer o 'porquê' da resposta, ou que tenham que 'explicar' algo referente ao tema, ou ainda 'contar' alguma experiência. Utilizando perguntas, você quebra a sequência da apresentação expositiva e consegue uma forma diferente de interação com o grupo, e você pode retomar a sua fala/exposição.
           
2ª Cinestésico-corporal – Grandes Movimentos
Um segundo modo de interromper a exposição para resgatar com o seu público a atenção e a concentração à sua fala, aula ou palestra, é fazer uma pausa e pedir que façam alguns gestos ou movimentos conjuntamente com você. Imagine a cena quando você para e pede: “- Por favor, vamos parar tudo o que estamos fazendo agora, ficar de pé, e pés ligeiramente separados, sigam junto comigo nestes movimentos...! {e você faz os movimentos}.
Sobre esta ação corporal-cinestésica, vou dividir esses movimentos ou nomeá-los como ‘grandes movimentos’ e ‘pequenos movimentos’. Movimentos grandes dizem respeito a mover todo o corpo, movimentar-se como um todo, e isso, além de ativar a circulação do sangue e a oxigenação do cérebro, permite espairecer, esquecer e relaxar por alguns segundos antes de voltar à atividade principal (ouvirem a exposição).
Alguns exemplos de movimentos grandes em que você pode interromper a fala para pedir aos ouvintes e retomar a atenção: ficar em pé, mudar de posição, esticar os braços, bater palmas, interagirem entre si (ex.: abraços, mudar de lugar, cumprimentar), caminhar, fazer alongamentos. Nesses movimentos com o corpo, é possível quebrar a sequência, e novamente preparar o grupo para continuarem ouvindo sua apresentação.

3ª Cinestésico-corporal – Pequenos Movimentos
A terceira sugestão diz respeito aos movimentos pequenos. Ao fazer uma pergunta, você pode pedir a eles que levantem as mãos em sinal de resposta, ou façam um aceno com a cabeça. É importante variar entre as diferentes propostas de voltar o foco para a fala, a exposição. Essa alternância torna mais eficaz suas interrupções com vistas à trazer a atenção de volta.


4ª – Mudança de Referencial
A quarta sugestão é a mudança de referencial – você como um referencial ou o referencial de um objeto. Se for mudar a si mesmo (você está lá na frente falando), comece a caminhar (sala, auditório, palco, etc.). Ao te acompanharem com o olhar, os alunos mudam também o referencial visual. Outras duas maneiras de mudar o referencial visual são apontar um objeto inicialmente fora do alcance imediato da vista ou para a projeção específica de algo. A projeção, ou o slide também podem funcionar, nesse caso como uma imagem onde você pode aponta, e isso leva a uma mudança na referência visual do ouvinte. Você pode trazer um objeto para perto de si, pegá-lo e manuseá-lo, falar sobre ele, e isso pode simplificar e ajudar na exposição e mesmo uma explicação em variados contextos. Veja, ao fazer isso, você interrompeu a sequência da fala expositiva e trouxe o grupo à atenção novamente.

5ª – Exemplos
A quinta sugestão é dar exemplos – trabalhar exemplos claros e chamativos. Esses exemplos podem vir da experiência pessoal ou de fatos relacionados ao tema principal da preleção. O mais importante é que esses exemplos contextualizem o tema para quem ouve, trazendo-os mais perto da realidade, do assunto, do tema, do cotidiano. Portanto, a quinta sugestão parece mesmo um exercício de empatia. Mas essa estratégia deve ser utilizada com cautela, pois pode ser que exemplos excelentes para determinados ouvintes podem ser completamente desinteressantes para outros.

6ª – Exercícios de Concentração
A sexta e última sugestão é a realização de exercícios de concentração que podem ser divididos em exercícios cognitivos de relaxamento, concentração, imaginação, meditação e foco. Futuramente pretendo dedicar uma postagem apenas para esses exercícios. São vários exercícios que ajudam os alunos/ouvintes a aumentar a concentração. Vou dar o exemplo de um simples e fácil exercício aqui nesse post. Peça que os alunos/ouvintes fechem os olhos e te acompanhem em uma viagem. Com os olhos fechados, você pede para que imaginem uma cena que você descreverá. Eles terão que se desprender da realidade imediata para ingressar nesse novo contexto descrito – é uma boa forma de iniciar os exercícios de meditação ou imaginação fundamentais para a prática da concentração. No exemplo da viagem, o local início da viagem, quando fecham os olhos, e o local do final da viagem, no momento último antes de finalmente abrirem os olhos, é a própria sala/auditório/local onde eles estão.

Veja também esse conteúdo no Youtube:


Como citar esse texto do Blog Filosofando:
Carvalho, Frank Viana. 06 (seis)  Maneiras de Manter a Atenção dos Alunos em Aulas Expositivas. Blog Filosofando. Disponível em: http://frankvcarvalho.blogspot.com/... Data: __/___/__.

quarta-feira, 20 de novembro de 2019

O Silêncio (nível de ruído) em Atividades Coletivas


O Silêncio em Atividades Coletivas

Será que é possível conseguir ambientes educativos mais silenciosos ao realizar atividades em grupo?


Quando nos propomos a atividade em grupo, constantemente lidamos com a questão do ruído em sala de aula, e frequentemente enfrentamos com o desafio do barulho ligado à pouca produtividade. Obviamente o ruído não é sinal de que os grupos não são produtivos e o barulho não é sinal de bagunça.  Muitas classes agitadas e onde parece haver algazarra e gritaria, são altamente produtivas quando se trata de atividades acadêmicas.
 Uma forma de conseguirmos um menor ruído nas atividades coletivas é distribuir no conjunto das atividades e metas do grupo, uma tarefa individual no começo. Nesse primeiro momento os estudantes terão que, individualmente, anotar algo, fazer uma leitura, construir uma parte da maquete, pintar ou colorir, buscar uma resposta, responder a um questionário, marcar, localizar ou anotar ideias num texto, e outras tarefas individuais. Ou seja, haverá uma construção individual a princípio. Mesmo já estando assentados ou reunidos em grupo, haverá uma primeira parte como desafio individual, e apenas depois o compartilhar esse conhecimento com os colegas do grupo. O primeiro momento do trabalho em equipe, portanto, será mais silencioso.  
          A fim de garantir a realização das atividades nesse primeiro momento, o professor caminhará pela sala acompanhando os grupos. Os estudantes estarão reunidos, trabalhando e estudando em silêncio, pois estão envolvidos em atividades individuais. Num segundo momento do trabalho em equipe, eles começarão a compartilhar justamente aquilo que eles estudaram ou realizaram inicialmente. Observe que é interessante e importante dividir as tarefas no  começo para que os estudantes tenham o que compartilhar com os colegas no segundo momento. Sem dúvida, a maioria tem têm alguma ideia sobre algumas temas gerais, mesmo que não tenham lido ou feito algo sobre aquilo. Mas estamos nos referindo a uma tarefa ou desafio específico designado pelo docente. Se logo a princípio, sem que tenham realizado algo individualmente, eles já começam a conversar e tentar compartilhar, temos um dilema. Eles ainda não leram os tópicos ou assuntos, não construíram nada, não se aproximaram individualmente do tema, não tentaram resolver nenhuma questão - eles não têm algo para apresentar -, e obviamente sua reflexão conjunta será diferente do que seria se tivessem algo a apresentar. Além disso, como ainda não têm ainda uma construção individual - ainda, o que gera muitas vezes ruído não produtivo. Num segundo momento quando eles já leram, já se aprofundaram no tema, já realizaram algo para apresentar aos colegas, esse ruído e esse barulho resultante são produtivos. Tudo o que dissemos referente ao primeiro momento pode ter sido realizado como tarefa de casa. Nesse caso, poderemos também desde o começo lançar desafios para os grupos com a produtividade desejada. 


Silêncio nas atividades

Para um desenvolvimento satisfatório e bem sucedido numa proposta de trabalho em grupo, alguns elementos que funcionam bem (ou deveriam funcionar) no ensino tradicional devem ser transportados para a nova metodologia.
Alguns cuidados são importantes, e somente um acompanhamento atento e interessado permitirá manter o silêncio ou o nível de ruídos que permitam à maioria um ambiente agradável de  aprendizagem. A princípio, alguns professores poderão confundir a movimentação e as conversas necessárias para a aprendizagem dentro dos grupos, com o barulho e o ruído não produtivo.  Assim, alguns cuidados são importantes:

NÍVEL DE RUÍDO - Um grupo fala mais alto do que deveria e o tom de voz tende a aumentar, pois a conversa de um grupo impede que o outro grupo se compreenda bem no tom normal de voz; este, por sua vez falará mais alto e isto fará com que o primeiro grupo (além dos outros) fale mais alto ainda, entrando num círculo vicioso e ruidoso.
SUGESTÕES:
1. Incentivar o grupo a usar a voz “interior”. Isto é, a voz (um tom de voz bem baixo) que só o 'interior' (o meio do grupo) ouve e entende. Motivar a classe e dar um retorno que seja positivo para o uso do tom de voz adequado.
2. Designar um responsável para manter o nível de som (ruído) mais baixo. Um componente do grupo, usando uma linguagem não verbal, estará atento para o nível de voz mais baixo, que possa ser compreendido pelo grupo e ajudará os demais colegas. Quando o volume da voz sobe, o professor se dirige a este aluno.
3. Intercalar atividades onde os alunos leem mais, ou escrevem mais, do que falam. Essa alternância e esses momentos servirão inclusive para que os alunos valorizem os momentos de maior silêncio.
4. Caminhar pela sala acompanhando as atividades. Assim como é importante para a dinâmica de aprendizagem e funcionamento dos grupos, o fato do professor caminhar pela sala, também é um ponto positivo para manter o silêncio.
5. Aproximar-se dos que estão conversando. Sem falar nada, apenas a aproximação física do professor ajudará nesse desafio.

Fonte:
CARVALHO, Frank Viana.  Trabalho em Equipe, Aprendizagem Cooperativa e Pedagogia da Cooperação. São Paulo, Editora Scortecci, 2015.

sexta-feira, 6 de setembro de 2019

UNEMAT -FOCCO - Lançamento Oficial do Livro Metodologias Ativas

10º Seminário Regional de Extensão Universitária da Região Centro-Oeste (Serex) e 
2º Seminário da Pós-Graduação da Unemat (Sepós).
UNEMAT.
Notícia (*)(**)
A Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), por meio da Assessoria de Políticas Educacionais (APE) da Pró-Reitoria de Ensino de Graduação (Proeg), promoverá o Curso de Formação em Aprendizagem Cooperativa para coordenadores locais do Programa de Formação de Células Cooperativas (Focco). Os professores Manoel Andrade Neto, doutor em Química da Universidade Federal do Ceará (UFC), e Frank Viana Carvalho, doutor em Filosofia do Instituto Federal de São Paulo (IFSP), ministrarão o curso nos dias 9 e 10 de setembro no Auditório Edival dos Reis, na Cidade Universitária em Cáceres.
O Curso de Formação de Células Cooperativas, coordenado pela professora Karina Nonato Mocheuti, Focco do câmpus de Diamantino, tem o objetivo de estimular reflexões sobre a aprendizagem cooperativa e suas células de aprendizagem, potencializando o suporte ofertado aos articuladores, facilitadores e celulandos do Programa Focco.
O Programa Focco foi implantado na Unemat em 2012 pela professora Ana Maria Di Renzo, ex-reitora da Universidade e pró-reitora de Ensino de Graduação à época, que teve como inspiração o Programa de Estímulo à Cooperação na Escola (Prece) da Universidade Federal do Ceará (UFC), implantado pelo professor Manoel Andrade. Atualmente, o Focco é desenvolvido nos 13 câmpus universitários da Unemat, além de núcleos pedagógicos.
Os professores também participarão da cerimônia de abertura da 10ª edição do Seminário Regional de Extensão Universitária da Região Centro-Oeste (Serex) e do 2º Seminário da Pós-Graduação da Unemat (Sepós) no dia 9 de setembro, às 19h30, no saguão da Secretaria Municipal de Turismo (Sicmatur). Na oportunidade, lançarão a obra “Metodologias Ativas: Aprendizagem Cooperativa, PBL, e Pedagogia de Projetos”.
Programação:
9/Set – Auditório Edvaldo Reis
8h às 8h40 – Solenidade de Abertura / Composição de Mesa
8h40 às 10h – Palestra: A aprendizagem Cooperativa e seus pilares: um enfoque nas Habilidades Sociais e Interação Promotora ou Face-a-face com o professor Manoel Andrade da Universidade Federal do Ceará (UFC) e bolsistas.
10h às 10h15 – Intervalo
10h30 às 12h – Palestra: A aprendizagem cooperativa e seus grupos de aprendizagem com o professor Frank Carvalho do Instituto Federal de São Paulo (IFSP)
12h às 13h45 – Intervalo
14h às 16h – Oficina Teórico/Prática – A célula de Aprendizagem Cooperativa: do planejamento a implementação com o professor Manoel Andrade (UFC) e bolsistas.
16h às 16h20 – Intervalo
16h20 às 18h - Oficina Teórico/Prática – O processamento de grupo na célula de Arpendizagem Cooperativa: o acompanhamento do docente/coordenador local do Focco com o professor Manoel Andrade (UFC) e bolsistas.

9/Set – Saguão da Sicmatur
19h30 – Lançamento do livro “Focco na Aprendizagem Cooperativa: A Unemat pratica” e do livro “Metodologias Ativas: Aprendizagem Cooperativa, PBL e Pedagogia de Projetos”

10/Set – Auditório Edival dos Reis
8h às 10h – Mesa Focco: A Aprendizagem Cooperativa na Educação da Atualidade: Aspectos Fundamentais para a sua concretude. Mediadora Karina Mocheuti e os professores Manoel Andrade (UFC), Frank Viana Carvalho (IFSP) e Ana Maria Di Renzo (Unemat)
10h às 10h20 – Intervalo
10h20 às 11h40 – Palestra: Estratégias, Recursos, Dinâmicas e Jogos de Aprendizagem Cooperativa com o professor Frank Viana Carvalho (IFSP)
12h - Encerramento com a fala da Coordenadora Institucional do Focco, Rosane Maria Andrade Vasconcelos
14h – Reunião de Trabalho dos Coordenadores Locais

(*) Informações resumidas.
(**) Link da Notícia na UNEMAT:


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