Existe perseguição ou discriminação contra os ateus por parte da Religião?
Sem dúvida! Entretanto, a resposta a essa pergunta não deve ser direcionada à Religião, mas a alguns religiosos ou grupos específicos. De uma forma geral a Religião em si (são várias) busca o melhor do homem no seu relacionamento com o próximo e com Deus. No entanto é fato que vários religiosos não sabem conviver com diferenças de opinião e discriminam frontalmente aqueles que não manifestam uma crença similar. Isso tem sido visto ao longo da história.
Logo, a resposta a essa questão (ressalvada a diferença entre ‘religião’ e ‘religiosos’) é sim.
Existe perseguição ou discriminação contra criacionistas ou defensores do Design Inteligente por parte da Ciência?
Ultimamente esse tem sido um assunto recorrente nos sites que abordam a controvérsia criacionismo & evolucionismo. O que se constata é que, sobretudo na Europa e Estados Unidos, muitos pesquisadores evitam declarar sua aceitação ao DI ou sua crença num Ser Superior por receio de perder verbas para pesquisa ou mesmo o emprego. Casos clássicos são os dos doutores Forrest Mims, Jerry Bergman (que escreveu um livro com mais de 300 depoimentos sobre o assunto) e Michael Reiss (demitido da Royal Society por defender o direito ao ponto de vista criacionista).
Observe-se que raramente as idéias criacionistas e do DI são debatidas no meio universitário. E olha que o meio universitário na modernidade tem debatido toda sorte de ideias, filosofias, ideologias e linhas de pensamento. Em alguns casos essa ausência de debates é algo proposital e fruto de uma arrogância que não se coaduna com a própria ciência. Dawkins, o cientista autor de “Deus, um delírio” se recusa a 'dialogar' com criacionistas.
A resposta a essa questão também é sim.
O que penso sobre o Design Inteligente? Veja abaixo neste Blog a resposta:
O que penso sobre o Design Inteligente
Frank - Candidatura a Direção Geral do IFSP-SRQ 2025-2028
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quinta-feira, 25 de março de 2010
quarta-feira, 17 de setembro de 2008
Milhões de Elos Perdidos - Desconforto para o acaso cego
Algumas camadas geológicas mostram grande quantidade de registros fósseis, com significativas diferenças de complexidade surgindo no período cambriano. É um problema para a teoria, a chamada “explosão cambriana”.
O modelo sugere que eles deveriam 'ter surgido aos poucos' nas diferentes camadas, e 'das formas mais simples para as mais complexas'.
Do período total dedicado à vida na escala evolutiva, a teoria estabelece para a explosão cambriana um tempo total de menos de 1% de todo o tempo evolutivo (1). Muitos teóricos convictos vêm nisso um sério problema.
O cientista Samuel Bowring, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, cuja especialidade é datação de rochas, faz o seguinte comentário: "E o que eu gosto de perguntar a alguns dos meus amigos biólogos é ‘quão rapidamente a evolução pode acontecer, antes que eles se sintam desconfortáveis?’ (2)
Fósseis de peixes e animais marinhos foram encontrados no alto da cordilheira dos Andes e em outras grandes montanhas do mundo. Essa constatação é desconfortável porque reforça a ideia de uma inundação universal negada por vários defensores do acaso cego.
A Terra é demasiadamente adaptada à vida (atmosfera, água, solo, alimentos, estações, inclinação do eixo, distância do sol, etc.). Só o acaso daria conta de explicar como tantos fatores coincidentes tornaram este mundo propício à vida?
A excessiva complexidade dos seres vivos, suas partes componentes (DNA, RNA, Células; olhos, cérebro, etc.) e seus ciclos vitais (digestão, reprodução, circulação, autodefesa, etc.) apontam para a ideia de propósito (teleologia). O problema para a teoria é que cálculos estatísticos da quantidade de mutações e de tempo (para elas ocorrerem) levarem ao atual nível de complexidade chegam a números inimagináveis.
A impossibilidade (até o momento) de se produzir vida a partir de não vida (matéria inorgânica), mesmo com os mais sofisticados recursos científicos disponíveis e os melhores laboratórios (nas melhores condições) é um problema óbvio e um assunto evitado. Se vida só provem de vida, isto leva a um ser vivo inicial, primordial. Como ele surgiu e de onde ele terá vindo? Nesse ponto alguns irão relativizar o conceito de vida para favorecerem suas hipóteses...
Organismos com todas as condições para manter a vida, não se mantém e sementes não apresentam nenhuma condição básica para apresentar vida (aparentemente matéria orgânica morta) – mas ao serem plantadas, germinam ...
“A este nível, o conceito de vida apresenta dificuldades tão grandes que os cientistas não conseguiram elaborar uma definição única, que satisfaça aos distintos ramos da Biologia relacionados com o problema da vida.” A vida (“anima”, essência vital) constitui-se um mistério.
A necessidade de que os primeiros seres vivos (embora simples) já surgissem com características básicas vitais: reprodução, transmissão dos caracteres aos descendentes (DNA, RNA), digestão e autodefesa é um gigantesco problema para a teoria.
Ainda não se encontrou uma explicação que satisfatoriamente monte este intrincado quebra-cabeça.
Os cálculos matemáticos e estatísticos para as probabilidades do surgimento da vida ao acaso, das mutações como fatores de mudanças positivas, das variações cumulativas de espécies mais simples para espécies mais complexas, da adaptabilidade da Terra à vida mostram, na verdade, muitas improbabilidades. Segundo alguns matemáticos e estatísticos, algumas probabilidades de tão diminutas que são, chegam mesmo a ser consideradas como impossíveis. Como explicar a teoria por estes caminhos probabilísticos tortuosos sucessivos (e considerados impossíveis)?
Para alguns cientistas faltam evidências fósseis suficientes para se montar uma cadeia evolutiva significativa de diferentes espécies animais.
Os elos são frágeis e na maioria incompletos. Aqui voltamos ao famoso ‘elo perdido’. Bem, na verdade, a expressão deveria ser modificada para ‘milhões de elos perdidos’.
Segundo a teoria, o homem de Neandertal, bem como o homo erectus, eram mais aptos para a sobrevivência do que os diferentes grupos de símios, pois podiam construir ferramentas, se comunicar e estabelecer sociedades hierárquicas. Se estes antepassados do homem eram mais aptos que os diferentes grupos de símios, por que estes sobreviveram (mesmo sendo menos aptos) e estes antepassados do homem (Neandertal, Erectus), considerados elos evolutivos do 'homem', não sobreviveram (até hoje)? Mas a resposta já está pronta: os símios que vemos hoje são o resultado da evolução dos símios antigos. Simples, né?
O sistema de coagulação do sangue, o olho e a visão, o metabolismo das células, entre vários outros, possuem uma complexidade que não pode ser reduzida sem perder seu funcionamento e utilidade. É o que o cientista Michael Behe chama de “complexidade irredutível”. (3)
A seleção natural só consegue selecionar sistemas que já estão em funcionamento. Como sistemas biológicos não podem ser produzidos gradualmente, eles teriam de ter surgido de uma única vez, o que é um completo absurdo, seja pelos conhecimentos de ciência biológica e bioquímica, seja pela matemática e estatística.
Como explicar o surgimento ao acaso (no ser humano) da inteligência, razão, livre arbítrio, planejamento, sonhos, memória extensiva?
Como explicar a metafísica, o transcendental e o sobrenatural?
Como explicar a constante busca humana pelo desconhecido e superior? Como explicar a busca do divino nas civilizações antigas e modernas?
O neodarwinismo afirma que estas coisas são naturais no ser humano, mas não pertencem ao mundo da ciência e portanto não o fazem objeto de suas investigações.
Vamos ao BIG BANG. Como explicar o surgimento da 'matéria' inicial? Ela sempre existiu? Não tem origem? É preciso uma 'crença' na teoria para justificar o que não se pode explicar? Seria isso 'fé' na teoria?
Na observação do mundo natural, todas as coisas e seres deixados a esmo tendem a entropia, à degradação e a uma diminuição da complexidade e não o contrário. Mas a teoria afirma o contrário...
Referências:
(1) S. A. Bowring, J. P. Grotzinger, C. E. Isachsen, A. H. Knoll, S. M. Plechaty e P. Kolosov, "Calibrating Rates of Early Cambrian Evolution", Science 261 (1993):1293-1298; C. Zimer. "Fossils Give Glimpse of Old Mother Lamprey", Science 286 (1999):1064-1065.
(2) Citado por M. Nash, "When Life Exploded". Time 146 (1995)23:66-74.
(3) M. J. Behe, A Caixa Preta de Darwin: O Desafio da Bioquímica à Teoria da Evolução (Rio de Janeiro; Jorge Zahar Editor, 1997), pp. 50-51.
Site da Imagem: quodilbeta.blogspot.com
O modelo sugere que eles deveriam 'ter surgido aos poucos' nas diferentes camadas, e 'das formas mais simples para as mais complexas'.
Do período total dedicado à vida na escala evolutiva, a teoria estabelece para a explosão cambriana um tempo total de menos de 1% de todo o tempo evolutivo (1). Muitos teóricos convictos vêm nisso um sério problema.
O cientista Samuel Bowring, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, cuja especialidade é datação de rochas, faz o seguinte comentário: "E o que eu gosto de perguntar a alguns dos meus amigos biólogos é ‘quão rapidamente a evolução pode acontecer, antes que eles se sintam desconfortáveis?’ (2)
Fósseis de peixes e animais marinhos foram encontrados no alto da cordilheira dos Andes e em outras grandes montanhas do mundo. Essa constatação é desconfortável porque reforça a ideia de uma inundação universal negada por vários defensores do acaso cego.
A Terra é demasiadamente adaptada à vida (atmosfera, água, solo, alimentos, estações, inclinação do eixo, distância do sol, etc.). Só o acaso daria conta de explicar como tantos fatores coincidentes tornaram este mundo propício à vida?
A excessiva complexidade dos seres vivos, suas partes componentes (DNA, RNA, Células; olhos, cérebro, etc.) e seus ciclos vitais (digestão, reprodução, circulação, autodefesa, etc.) apontam para a ideia de propósito (teleologia). O problema para a teoria é que cálculos estatísticos da quantidade de mutações e de tempo (para elas ocorrerem) levarem ao atual nível de complexidade chegam a números inimagináveis.
A impossibilidade (até o momento) de se produzir vida a partir de não vida (matéria inorgânica), mesmo com os mais sofisticados recursos científicos disponíveis e os melhores laboratórios (nas melhores condições) é um problema óbvio e um assunto evitado. Se vida só provem de vida, isto leva a um ser vivo inicial, primordial. Como ele surgiu e de onde ele terá vindo? Nesse ponto alguns irão relativizar o conceito de vida para favorecerem suas hipóteses...
Organismos com todas as condições para manter a vida, não se mantém e sementes não apresentam nenhuma condição básica para apresentar vida (aparentemente matéria orgânica morta) – mas ao serem plantadas, germinam ...
“A este nível, o conceito de vida apresenta dificuldades tão grandes que os cientistas não conseguiram elaborar uma definição única, que satisfaça aos distintos ramos da Biologia relacionados com o problema da vida.” A vida (“anima”, essência vital) constitui-se um mistério.
A necessidade de que os primeiros seres vivos (embora simples) já surgissem com características básicas vitais: reprodução, transmissão dos caracteres aos descendentes (DNA, RNA), digestão e autodefesa é um gigantesco problema para a teoria.
Ainda não se encontrou uma explicação que satisfatoriamente monte este intrincado quebra-cabeça.
Os cálculos matemáticos e estatísticos para as probabilidades do surgimento da vida ao acaso, das mutações como fatores de mudanças positivas, das variações cumulativas de espécies mais simples para espécies mais complexas, da adaptabilidade da Terra à vida mostram, na verdade, muitas improbabilidades. Segundo alguns matemáticos e estatísticos, algumas probabilidades de tão diminutas que são, chegam mesmo a ser consideradas como impossíveis. Como explicar a teoria por estes caminhos probabilísticos tortuosos sucessivos (e considerados impossíveis)?
Para alguns cientistas faltam evidências fósseis suficientes para se montar uma cadeia evolutiva significativa de diferentes espécies animais.
Os elos são frágeis e na maioria incompletos. Aqui voltamos ao famoso ‘elo perdido’. Bem, na verdade, a expressão deveria ser modificada para ‘milhões de elos perdidos’.
Segundo a teoria, o homem de Neandertal, bem como o homo erectus, eram mais aptos para a sobrevivência do que os diferentes grupos de símios, pois podiam construir ferramentas, se comunicar e estabelecer sociedades hierárquicas. Se estes antepassados do homem eram mais aptos que os diferentes grupos de símios, por que estes sobreviveram (mesmo sendo menos aptos) e estes antepassados do homem (Neandertal, Erectus), considerados elos evolutivos do 'homem', não sobreviveram (até hoje)? Mas a resposta já está pronta: os símios que vemos hoje são o resultado da evolução dos símios antigos. Simples, né?
O sistema de coagulação do sangue, o olho e a visão, o metabolismo das células, entre vários outros, possuem uma complexidade que não pode ser reduzida sem perder seu funcionamento e utilidade. É o que o cientista Michael Behe chama de “complexidade irredutível”. (3)
A seleção natural só consegue selecionar sistemas que já estão em funcionamento. Como sistemas biológicos não podem ser produzidos gradualmente, eles teriam de ter surgido de uma única vez, o que é um completo absurdo, seja pelos conhecimentos de ciência biológica e bioquímica, seja pela matemática e estatística.
Como explicar o surgimento ao acaso (no ser humano) da inteligência, razão, livre arbítrio, planejamento, sonhos, memória extensiva?
Como explicar a metafísica, o transcendental e o sobrenatural?
Como explicar a constante busca humana pelo desconhecido e superior? Como explicar a busca do divino nas civilizações antigas e modernas?
O neodarwinismo afirma que estas coisas são naturais no ser humano, mas não pertencem ao mundo da ciência e portanto não o fazem objeto de suas investigações.
Vamos ao BIG BANG. Como explicar o surgimento da 'matéria' inicial? Ela sempre existiu? Não tem origem? É preciso uma 'crença' na teoria para justificar o que não se pode explicar? Seria isso 'fé' na teoria?
Na observação do mundo natural, todas as coisas e seres deixados a esmo tendem a entropia, à degradação e a uma diminuição da complexidade e não o contrário. Mas a teoria afirma o contrário...
Referências:
(1) S. A. Bowring, J. P. Grotzinger, C. E. Isachsen, A. H. Knoll, S. M. Plechaty e P. Kolosov, "Calibrating Rates of Early Cambrian Evolution", Science 261 (1993):1293-1298; C. Zimer. "Fossils Give Glimpse of Old Mother Lamprey", Science 286 (1999):1064-1065.
(2) Citado por M. Nash, "When Life Exploded". Time 146 (1995)23:66-74.
(3) M. J. Behe, A Caixa Preta de Darwin: O Desafio da Bioquímica à Teoria da Evolução (Rio de Janeiro; Jorge Zahar Editor, 1997), pp. 50-51.
Site da Imagem: quodilbeta.blogspot.com
quarta-feira, 3 de setembro de 2008
Protéinas 1, Computadores 0

Apresento aqui uma tradução completa da reportagem publicada no The New York Times sobre as proteínas.


“No final de 1996, cientistas de todo o mundo, armados com seus melhores programas de computador, concorreram para solucionar um dos mais complexos problemas da biologia: como uma única proteína feita a partir de uma longa seqüência de aminoácidos, enrola-se sobre si mesma de tal forma que isso determine o papel que ela desempenhará na vida?
Proteínas são constituídas de 20 diferentes tipos de aminoácidos, seqüenciados juntos. Uma vez que as peças são montadas, a corda entrelaça-se como numa bobina, algo como um fio de telefone, ou até mesmo cachos em um emaranhado complexo - e tudo isso tem de acontecer antes da proteína começar a trabalhar na célula. Para os cientistas participantes do concurso, o desafio era o de começar com uma seqüência de aminoácidos e fazer aquilo que faz a natureza: dobrá-lo em forma definitiva.
O resultado, em poucas palavras, foi este: os computadores perderam, as proteínas venceram. De um modo peculiar, os cientistas ainda estão tentando entender como a natureza pode rápida e facilmente resolver um problema - como dobrar proteínas para a configuração adequada – que não pode ser resolvido e é mesmo impossível aos mais poderosos computadores e mentes humanas.
Conhecer a forma de proteínas é importante para a concepção de novos fármacos. Embora cientistas já aprenderam a seqüências de dezenas de milhares de proteínas, eles sabem as estruturas tridimensionais de apenas uma pequena fração delas. Indo diretamente a partir da seqüência correta para a geometria, equivaleria a nada mais, nada menos, que um verdadeiro renascimento bioquímico.
Nos últimos anos, porém, matemáticos vieram a crer que o problema geral de predizer como uma dada seqüência de aminoácidos irá dobrar-se é insolúvel. Seria o tipo de problema que eles chamam de ‘polinômio completo não determinístico’.
Um exemplo clássico deste problema é o itinerário de viajem de um vendedor: Dada uma lista de cidades, ele deverá encontrar o menor caminho para visitar todas. A única forma de resolver o problema é exatamente essa: tentar todos os possíveis itinerários para se chegar a elas. Mas à medida que o número de cidades aumenta, o tempo de processamento explode exponencialmente. Igualmente, como o número de aminoácidos numa cadeia de proteínas aumenta, o tempo necessário para calcular a sua configuração final cresce acima da esperança de resolvê-lo.
Os cientistas calcularam que, para resolver o problema do entrelaçamento tentando todas as possibilidades no caso de uma proteína de tamanho médio, feita a partir de 100 aminoácidos, o computador levaria 27 octilhões de anos.
Sem se dar conta deste problema, proteínas muito longas, compostas por milhares de aminoácidos, enrolam-se, ou melhor, entrelaçam-se sobre si mesmas em questão de minutos; outras mais curtas, com dezenas ou centenas de aminoácidos, enrolam-se numa forma específica em um segundo ou menos. As proteínas têm encontrado um atalho através do ultra gigantesco labirinto de possibilidades, e ambos, biólogos moleculares e cientistas estão se acabando tentando descobrir, mas ao que tudo indica, poderão morrer sem saber qual é esse atalho.
“Às vezes parece que entrelaçar uma proteína é um desses segredos ocultos, o qual não nos é acessível saber”, disse o Dr. Iosif Vaisman, um especialista em estrutura protéica na Universidade da Carolina do Norte, em Chapel Hill. Tal como afirmou o Dr. Ken A. Dill, um biofísico da Universidade da Califórnia em San Francisco: “o entrelaçamento das proteínas é para nós um problema, mas não para as proteínas”.
Os cientistas são obrigados a enfrentar perguntas sobre o próprio sentido da simulação ao utilizar seus computadores para desvendar o problema. Qual é a relação entre um modelo científico e a realidade que se destina a representar? Uma proteína pode ser pensada como um pequeno computador biológico realizando cálculos da maneira correta?
Os resultados decepcionantes do concurso foram notificados na segunda reunião sobre a avaliação crítica de técnicas de Proteína Estrutura Previsão, em dezembro de 1996, no Asilomar Conference Center, em Pacific Grove, na Califórnia.”
Fonte: The New York Times
http://query.nytimes.com/gst/fullpage.html?res=9407E6DA103BF936A15750C0A961958260&partner=rssnyt&emc=rss
Fonte da Imagem: www.campusapps.fullerton.edu
Proteínas são constituídas de 20 diferentes tipos de aminoácidos, seqüenciados juntos. Uma vez que as peças são montadas, a corda entrelaça-se como numa bobina, algo como um fio de telefone, ou até mesmo cachos em um emaranhado complexo - e tudo isso tem de acontecer antes da proteína começar a trabalhar na célula. Para os cientistas participantes do concurso, o desafio era o de começar com uma seqüência de aminoácidos e fazer aquilo que faz a natureza: dobrá-lo em forma definitiva.
O resultado, em poucas palavras, foi este: os computadores perderam, as proteínas venceram. De um modo peculiar, os cientistas ainda estão tentando entender como a natureza pode rápida e facilmente resolver um problema - como dobrar proteínas para a configuração adequada – que não pode ser resolvido e é mesmo impossível aos mais poderosos computadores e mentes humanas.
Conhecer a forma de proteínas é importante para a concepção de novos fármacos. Embora cientistas já aprenderam a seqüências de dezenas de milhares de proteínas, eles sabem as estruturas tridimensionais de apenas uma pequena fração delas. Indo diretamente a partir da seqüência correta para a geometria, equivaleria a nada mais, nada menos, que um verdadeiro renascimento bioquímico.
Nos últimos anos, porém, matemáticos vieram a crer que o problema geral de predizer como uma dada seqüência de aminoácidos irá dobrar-se é insolúvel. Seria o tipo de problema que eles chamam de ‘polinômio completo não determinístico’.
Um exemplo clássico deste problema é o itinerário de viajem de um vendedor: Dada uma lista de cidades, ele deverá encontrar o menor caminho para visitar todas. A única forma de resolver o problema é exatamente essa: tentar todos os possíveis itinerários para se chegar a elas. Mas à medida que o número de cidades aumenta, o tempo de processamento explode exponencialmente. Igualmente, como o número de aminoácidos numa cadeia de proteínas aumenta, o tempo necessário para calcular a sua configuração final cresce acima da esperança de resolvê-lo.
Os cientistas calcularam que, para resolver o problema do entrelaçamento tentando todas as possibilidades no caso de uma proteína de tamanho médio, feita a partir de 100 aminoácidos, o computador levaria 27 octilhões de anos.
Sem se dar conta deste problema, proteínas muito longas, compostas por milhares de aminoácidos, enrolam-se, ou melhor, entrelaçam-se sobre si mesmas em questão de minutos; outras mais curtas, com dezenas ou centenas de aminoácidos, enrolam-se numa forma específica em um segundo ou menos. As proteínas têm encontrado um atalho através do ultra gigantesco labirinto de possibilidades, e ambos, biólogos moleculares e cientistas estão se acabando tentando descobrir, mas ao que tudo indica, poderão morrer sem saber qual é esse atalho.
“Às vezes parece que entrelaçar uma proteína é um desses segredos ocultos, o qual não nos é acessível saber”, disse o Dr. Iosif Vaisman, um especialista em estrutura protéica na Universidade da Carolina do Norte, em Chapel Hill. Tal como afirmou o Dr. Ken A. Dill, um biofísico da Universidade da Califórnia em San Francisco: “o entrelaçamento das proteínas é para nós um problema, mas não para as proteínas”.
Os cientistas são obrigados a enfrentar perguntas sobre o próprio sentido da simulação ao utilizar seus computadores para desvendar o problema. Qual é a relação entre um modelo científico e a realidade que se destina a representar? Uma proteína pode ser pensada como um pequeno computador biológico realizando cálculos da maneira correta?
Os resultados decepcionantes do concurso foram notificados na segunda reunião sobre a avaliação crítica de técnicas de Proteína Estrutura Previsão, em dezembro de 1996, no Asilomar Conference Center, em Pacific Grove, na Califórnia.”
Fonte: The New York Times
http://query.nytimes.com/gst/fullpage.html?res=9407E6DA103BF936A15750C0A961958260&partner=rssnyt&emc=rss
Fonte da Imagem: www.campusapps.fullerton.edu
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