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terça-feira, 9 de junho de 2020

Três meses de Pandemia - Caminhos e Soluções na Educação

Três meses de Pandemia - Caminhos e Soluções na Educação

Frank Viana Carvalho

O mundo inteiro está apresentando respostas educacionais para que o processo educacional continue em meio à crise do novo coronavírus. Em minha perspectiva de pedagogo, gastei um tempo considerável pesquisando sobre o que está acontecendo em outros países, pois é uma pandemia, uma excepcionalidade. Além disso, há vários exemplos em nosso próprio país. 
  
Diferentes caminhos para o ensinar e o aprender
A Associação Internacional Global Partnership que promove ajuda e recursos para dezenas de países, numa parceria mundial pela educação afirmou sobre os meios de educação nesta pandemia:

“Não existe uma escolha “certa” para educação a distância no momento. Cada país deve escolher os melhores meios ou uma mistura de meios de acordo com acesso, infraestrutura técnica, conteúdo, capacidade de adaptar esse conteúdo aos meios apropriados à sua disposição e sua capacidade de fornecer aos alunos acesso a essas oportunidades de aprendizado o mais rápido possível.”

A UNESCO, braço da ONU para a educação, além da Internet, sugere vários caminhos para a educação a distância, que envolvem a todos, com inclusão real:

O mesmo incentivo para diferentes caminhos é feito pelo World Bank em suas políticas de educação para o mundo:


Ao pesquisar sobre o que diferentes atores estão fazendo nesta questão, vê-se que eles buscam respostas sem fechar ‘portas’ ou ‘possibilidades’, sem restringir o caminho da aprendizagem às TICs.

1. Na Colômbia (IDH 761, 79º), entre outras possibilidades, estão usando o Rádio, uma tecnologia centenária para o ensino na pandemia:

2. Na Argentina (IDH 830, 48º), além da internet, o uso da TV para educar na época do Coronavírus é oficial, são 14 horas de transmissão diária:

3. Na rica Áustria (IDH 914, 20º), no coração do continente europeu, além da internet, é também oficial o uso da TV para educar nessa pandemia com uma programação 24 horas: https://tv.orf.at/

4. Na Costa Rica (IDH 794, 63º), que possui um IDH dos mais altos entre os países da América Central, além da Internet e da TV, para as famílias que não têm internet, são enviados pelo Correio ou sistemas de entrega, todo o material de estudo impresso e apostilado a partir de um Programa do Ministério da Educação.


5. De volta ao Brasil (IDH 791, 69º).

a) Na UNICAMP, o Reitor Marcelo Knobel afirmou:
“A palavra chave neste momento é flexibilidade. É preciso dar flexibilidade para o estudante nesse momento tão complexo (...) Nós não tínhamos muito preparo [para o ensino remoto emergencial], mas ponderamos diversas questões, como nossa obrigação como instituição pública, de manter o funcionamento de algumas atividades (como nossos hospitais) e acreditamos que o ensino também é parte das coisas fundamentais de serem mantidas”.

A Universidade de Campinas deu liberdade aos Departamentos e docentes para a retomada de aulas e atividades não presenciais:

b) Na USP, mais de 90% das aulas teóricas dos cursos de graduação e mais de 900 disciplinas de pós-graduação estão sendo ministradas on-line. A instituição distribuiu 2.250 kits de internet aos estudantes em situação de vulnerabilidade acompanharem as aulas.

c) No IFRR, além de definirem como Plataforma AVA o Moodle, fizeram um leque amplo de possibilidades, materiais e recursos, e considerando que nem todos têm acesso à internet, estão fazendo chegar aos estudantes livros didáticos e materiais educativos impressos:

d) No IFES, além da internet, estão imprimindo instruções de atividades e apostilas, fazendo com que elas cheguem às casas dos estudantes: https://ifes.edu.br/noticias/19194-coronavirus

e) A Rede Estadual de São Paulo está utilizando a TV Escola e enviando às casas material impresso e kits de estudo:

f) O Instituto Unibanco lançou uma série de podcasts educacionais (seria como ouvir aulas no rádio) para os tempos da COVID-19:

g) A Prefeitura de São Paulo, além da internet, também está enviando material de aprendizagem impresso:
 

7. Na populosa Índia (IDH 647, 129º), 32 canais de TV Direct To Home (DTH) são dedicados à transmissão de programas educacionais, ampliando sua programação na pandemia para as 24 horas por dia e acessíveis em todo o país. 


8. No Peru (IDH 759, 82º), o governo está lançando mão de todos os caminhos para a aprendizagem dos estudantes: internet, rádio e TV. Além disso, o Ministério da Educação comprou mais de 840 mil tablets para os estudantes e professores.

9. Em outros países das Américas como Chile (IDH 845, 43º), Equador (IDH 758, 85º), Cuba (IDH 778, 72º) e Haiti (IDH 503, 169º), além das mídias digitais baseadas na internet, há muita utilização do Rádio e da TV para educar nos tempos da pandemia.

9. E os Estados Unidos (IDH 920, 15º)? Em Chicago, parte da programação televisiva foi adaptada para a educação dos estudantes. No Mississipi, a Rádio WTVA adaptou sua programação para fornecer programas de ensino à distância para estudantes em comunidades de pouco acesso à internet. Em Cleveland, uma emissora de TV faz transmissões de aulas em função da pandemia. Mesmo no país mais rico do mundo, Estados Unidos, há disparidades no acesso à internet e soluções inovadoras que não se restringem às TICs têm sido utilizadas. A frase da educadora americana Vickki Katz da Universidade de New Jersey (campus Rutgers, em New Brunswick) resume tudo:

"A noção de que devemos interromper o aprendizado digital para todos porque não temos como alcançar igualmente a todos é a preocupação certa, mas é a solução errada."



O retorno presencial e a vacina
Vários países já pensam no retorno presencial. Alguns que realizam educação à distância, após o pico da pandemia, tentaram voltar ao presencial e recuaram (Coreia e França, por exemplo). Avaliam que os riscos só diminuirão de forma efetiva com a vacina, mas deverão fazer novas tentativas quando houver menos infectados com o vírus e os riscos forem menores. Mas algumas experiências de retorno presencial antes da vacina com uma série de cuidados já começam a acontecer efetivamente na Nova Zelândia.

Essa pesquisa foi feita entre os dias 07 e 09 de junho de 2020.

sexta-feira, 6 de setembro de 2019

UNEMAT -FOCCO - Lançamento Oficial do Livro Metodologias Ativas

10º Seminário Regional de Extensão Universitária da Região Centro-Oeste (Serex) e 
2º Seminário da Pós-Graduação da Unemat (Sepós).
UNEMAT.
Notícia (*)(**)
A Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), por meio da Assessoria de Políticas Educacionais (APE) da Pró-Reitoria de Ensino de Graduação (Proeg), promoverá o Curso de Formação em Aprendizagem Cooperativa para coordenadores locais do Programa de Formação de Células Cooperativas (Focco). Os professores Manoel Andrade Neto, doutor em Química da Universidade Federal do Ceará (UFC), e Frank Viana Carvalho, doutor em Filosofia do Instituto Federal de São Paulo (IFSP), ministrarão o curso nos dias 9 e 10 de setembro no Auditório Edival dos Reis, na Cidade Universitária em Cáceres.
O Curso de Formação de Células Cooperativas, coordenado pela professora Karina Nonato Mocheuti, Focco do câmpus de Diamantino, tem o objetivo de estimular reflexões sobre a aprendizagem cooperativa e suas células de aprendizagem, potencializando o suporte ofertado aos articuladores, facilitadores e celulandos do Programa Focco.
O Programa Focco foi implantado na Unemat em 2012 pela professora Ana Maria Di Renzo, ex-reitora da Universidade e pró-reitora de Ensino de Graduação à época, que teve como inspiração o Programa de Estímulo à Cooperação na Escola (Prece) da Universidade Federal do Ceará (UFC), implantado pelo professor Manoel Andrade. Atualmente, o Focco é desenvolvido nos 13 câmpus universitários da Unemat, além de núcleos pedagógicos.
Os professores também participarão da cerimônia de abertura da 10ª edição do Seminário Regional de Extensão Universitária da Região Centro-Oeste (Serex) e do 2º Seminário da Pós-Graduação da Unemat (Sepós) no dia 9 de setembro, às 19h30, no saguão da Secretaria Municipal de Turismo (Sicmatur). Na oportunidade, lançarão a obra “Metodologias Ativas: Aprendizagem Cooperativa, PBL, e Pedagogia de Projetos”.
Programação:
9/Set – Auditório Edvaldo Reis
8h às 8h40 – Solenidade de Abertura / Composição de Mesa
8h40 às 10h – Palestra: A aprendizagem Cooperativa e seus pilares: um enfoque nas Habilidades Sociais e Interação Promotora ou Face-a-face com o professor Manoel Andrade da Universidade Federal do Ceará (UFC) e bolsistas.
10h às 10h15 – Intervalo
10h30 às 12h – Palestra: A aprendizagem cooperativa e seus grupos de aprendizagem com o professor Frank Carvalho do Instituto Federal de São Paulo (IFSP)
12h às 13h45 – Intervalo
14h às 16h – Oficina Teórico/Prática – A célula de Aprendizagem Cooperativa: do planejamento a implementação com o professor Manoel Andrade (UFC) e bolsistas.
16h às 16h20 – Intervalo
16h20 às 18h - Oficina Teórico/Prática – O processamento de grupo na célula de Arpendizagem Cooperativa: o acompanhamento do docente/coordenador local do Focco com o professor Manoel Andrade (UFC) e bolsistas.

9/Set – Saguão da Sicmatur
19h30 – Lançamento do livro “Focco na Aprendizagem Cooperativa: A Unemat pratica” e do livro “Metodologias Ativas: Aprendizagem Cooperativa, PBL e Pedagogia de Projetos”

10/Set – Auditório Edival dos Reis
8h às 10h – Mesa Focco: A Aprendizagem Cooperativa na Educação da Atualidade: Aspectos Fundamentais para a sua concretude. Mediadora Karina Mocheuti e os professores Manoel Andrade (UFC), Frank Viana Carvalho (IFSP) e Ana Maria Di Renzo (Unemat)
10h às 10h20 – Intervalo
10h20 às 11h40 – Palestra: Estratégias, Recursos, Dinâmicas e Jogos de Aprendizagem Cooperativa com o professor Frank Viana Carvalho (IFSP)
12h - Encerramento com a fala da Coordenadora Institucional do Focco, Rosane Maria Andrade Vasconcelos
14h – Reunião de Trabalho dos Coordenadores Locais

(*) Informações resumidas.
(**) Link da Notícia na UNEMAT:


quarta-feira, 4 de setembro de 2019

Metodologias Ativas - Livro - 2019 - Lançamento

Livro “Metodologias Ativas: Aprendizagem Cooperativa, PBL e Pedagogia de Projetos”
Frank Viana Carvalho
Manoel Andrade Neto

Sinopse:
As metodologias ativas têm sido alvo de diferentes abordagens por pesquisadores de vários centros educativos de todo o mundo, por uma razão principal: através desses modelos de ensino os estudantes se tornam de fato protagonistas – eles se engajam ativamente na construção do conhecimento. Logo, o objetivo primordial dessas propostas de ensino e aprendizagem é motivar os alunos para que se desenvolvam e aprendam de forma autônoma, cooperativa e participativa, a partir de projetos, problemas e situações reais. Os discentes estarão sempre no centro do processo de aprendizagem, participando ativamente, sendo protagonistas e responsáveis pela construção do conhecimento. Essa obra destaca as metodologias ativas que estrategicamente se valem da força do trabalho em equipe para a promoção da aprendizagem e construção de competências: a aprendizagem cooperativa e colaborativa, a aprendizagem baseada em problemas e a aprendizagem por meio de projetos. Os autores são parceiros em projetos e pesquisas sobre as metodologias ativas.



Autores:
Frank Viana Carvalho é Licenciado em Pedagogia e Mestre em Educação pelo UNASP. Cursou o Mestrado, Doutorado e Pós-Doutorado em Filosofia pela Universidade de São Paulo, realizando o Doutorado SW na Université François Rabelais, na França. Fundador do Projeto Pedagogia da Cooperação, escreveu diversas obras sobre educação e filosofia e ministrou centenas de cursos e palestras para a formação de docentes em todas as regiões do Brasil.  É professor do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo, campus São Roque.

Manoel Andrade Neto é Bacharel em Química, Mestre e Doutor em Química Orgânica pela Universidade Federal do Ceará com estágio de Pós-Doutoramento em Química de Fungos na Universidade de Iowa - EUA. Professor Titular do Departamento de Química Orgânica e Inorgânica da UFC, é o fundador do PRECE (Programa de Estímulo à Cooperação na Escola) e do PACCE (Programa de Aprendizagem Cooperativa em Células Estudantis). Os dois programas promovem a aprendizagem cooperativa e solidária no Ensino Superior e na Educação Básica.

Ano: 2019

ISBN: 978-85-85248-02-4

Editora: República do Livro (USP)

Valor: R$ 40,00 (Valor promocional de lançamento em 2019: R$ 32,00)

Pedidos: atelierdosaber@hotmail.com

domingo, 20 de agosto de 2017

Metodologias Ativas e Colaborativas - Workshop em Florianópolis - 2017




O WORKSHOP
Faça parte do novo e permita-se adentrar na vanguarda educacional ao conhecer as ‘Metodologias Ativas’, poderosas ferramentas de ensino e aprendizagem que, em ambientes de cooperação, promovem o aumento da performance acadêmica, a educação socioemocional, a capacidade de resolver problemas, a consciência crítica e construtiva, e o almejado desenvolvimento de habilidades, competências e valores.

QUANDO?
Data: 11 e 12 de setembro de 2017
Horário: 19h ás 22:00 (Carga horária de 6h)

FACILITAÇÃO.

Convidado Especial: Frank Viana
O Dr. Frank Viana Carvalho é autor de vários livros e artigos em educação e filosofia, e tem realizado pesquisas sobre modernas metodologias de ensino e o valor da cooperação nos ambientes educacionais e corporativos. É docente do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia (IFSP), e realiza projetos em parceria com a Universidade de São Paulo (FFLCH-USP) e a Universidade Federal do Ceará (UFC - Projetos PACCE, PRECE e PEACE). Pedagogo e Filósofo, Especialista e Mestre em Educação, Mestre, Doutor e PhD em Filosofia, o Dr. Frank possui grande experiência no mundo da educação, onde atuou como docente e gestor, e realizou centenas de palestras e cursos em todas as regiões do Brasil. É um incansável pesquisador das modernas metodologias e traz ao Brasil o que há de mais moderno: as metodologias ativas na educação. Como membro do IASCE, coordena e participa de diversos projetos de Educação com Cooperação. Foi o representante do Brasil no Congresso Mundial de Aprendizagem Cooperativa na Dinamarca, onde lançou o livro “Trabalho em Equipe, Aprendizagem Cooperativa e Pedagogia da Cooperação”. (obra também lançada no Fórum Mundial de Educação Tecnológica (Olinda-Recife) e no Festival Internacional da Cooperação (FICOO, Atibaia). Foi coordenador e atualmente é membro do NAPNE (Núcleo de Atendimento às Pessoas com Necessidades Educativas Específicas) no IFSP, onde tem desempenhado papel ativo na pesquisa e desenvolvimento de estratégias de ensino para todos os níveis de ensino.

Leonardo Dutra Guedes
Graduado em Pedagogia pela UFSC e pós-graduado em Jogos Cooperativos pela UNIMONTE, de Santos (SP) e em Educação Transformadora pela Gente de Bem, de Curitiba (PR).. Atua como facilitador de Metodologias Colaborativas e de Práticas educativas transformadoras pela empresa Ecooa – Desenvolvimento Cooperativo. É co-fundador do Movimento Geração Mais Amor, voltado ao desenvolvimento de jovens em mobilização social. Em 2015 no Instituto Elos (SP) concluiu a formação “Guerreiros Sem Armas”. Leonardo sonha com um mundo mais colaborativo e melhor para todos, e acredita na importancia das ferramentas colaborativas e nas metodologias ativas para desenvolver ambientes transformadores na educação.

COMO FAZER SUA INSCRIÇÃO

Para GARANTIR sua vaga é necessário entrar em contato com:

leocooperacao@gmail.com ou por meio do whatsapp para o número (41) 99147-2451.

E seguir os procedimentos indicados!!! Vagas limitadas!!!

LANCHE DO INTERVALO
Queremos organizar de forma cooperativa o lanche que faremos durante o intervalo. Sendo assim, solicitamos que você traga algo delicioso e saudável que gostaria de compartilhar com o coletivo que estará presente.


CUIDANDO DO SEU CONFORTO
Sugerimos que você venha para o encontro trajando roupas que lhe proporcione melhor conforto e aproveitamento das atividades que iremos realizar juntos.


NOSSA EXPECTATIVA
Queremos proporcionar a você uma experiência fantástica de aprendizado e descoberta mergulhando no universo das Metodologias Ativas e da cooperação!

Agradecemos por sua escolha!

Cordialmente,

Léo Guedes.
(Líder da Equipe Organizadora)

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Leonardo (41) 99147-2451

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quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Avança a Reforma No Ensino Médio através da Medida Provisória 746

Avança a Reforma No Ensino Médio através da Medida Provisória 746

por Frank Viana Carvalho

A comissão especial da Câmara responsável pela Análise da MP do Ensino Médio fez algumas alterações e aprovou o texto da MP 746/2016.
As principais características que modificam o Ensino Médio no Brasil e que devem ser aprovadas em Plenário até fevereiro de 2017:

- A carga horária dedicada à BNCC - Base Nacional Curricular Comum - será de 1800 horas (aumentaram a carga horária de 1200 para 1800 horas);
- Colocaram a BNCC ao longo dos três anos - será dada de forma concomitante com os itinerários formativos ou áreas (antes estava apenas no primeiro ano e meio);
- Mantiveram a questão do Notório Saber – professores ou profissionais sem formação específica, mas que demonstrem notório saber poderão lecionar os componentes curriculares dos cursos técnicos (cada estado definirá as normas para isso);
- Os estados definirão o cronograma de implantação do Novo Ensino Médio;
- Artes e Educação Física voltaram a ser obrigatórias na BNCC (Filosofia e Sociologia continuam obrigatórias até a definição da BNCC);
- O prazo para implantação completa do novo EM é de cinco anos;
- As escolas que implementarem a educação de tempo integral receberão auxílio financeiro por dez anos (na MP eram quatro anos);
- As Escolas de EM de Tempo Integral terão que oferecer 1400 horas/ano, totalizando 4200 horas;
- Hoje o EM regular oferece 800 horas por ano (2400 horas ao longo de três anos). Com a mudança, terá que oferecer 1000 horas por ano - mesmo as escolas que não forem de tempo integral). As Escolas terão o prazo de 5 anos para se adaptar.
- Assim, o EM regular terá que ter 5 horas por dia  (5h x 200 dias= 1000h).
- Com o aumento da carga horária da BNCC (indo para 1800 horas), o percentual formativo ficou em 600 horas/ano (60%) para a BNCC, e 400 horas/ano (40%) para a área/itinerário formativo de escolha do estudante nas escolas que não são de tempo integral;
- Língua inglesa ficou obrigatória em toda a educação básica - mas o MEC diz que isso não implica em tê-la nos três anos do EM.
- Foi retirada da MP a afirmação de que as escolas poderiam oferecer um único itinerário formativo ou área - por outro lado não está escrito que as escolas são obrigadas a oferecer várias ou todas as áreas, o que dá no mesmo.
- Somente terão condições de oferecer o novo Ensino Médio de forma completa (várias áreas), escolas que tiverem estrutura adequada (leia-se várias salas de aulas e espaços educativos necessários às áreas/itinerários formativos);
- O aluno escolherá no momento do ingresso no Médio, o que implica em dizer que o EM no Brasil deixará de ser de dois tipos de oferta (regular ou técnico), para ser de cinco tipos;

- Ou seja, teremos cinco possíveis ofertas diferenciadas de Ensino Médio através das diferentes áreas (itinerários formativos):
1. Linguagens (Língua Portuguesa, Artes, Educação Física; Língua Inglesa e uma segunda Língua Estrangeira Moderna – provavelmente Espanhol);
2. Matemática;
3. Ciências Humanas (História, Geografia, Filosofia e Sociologia);
4. Ciências da Natureza (Biologia, Química e Física);
5- Curso Técnico de Ensino Médio.
(*) Observe que os estudantes terão essas disciplinas dentro dessas áreas de escolha (40% do tempo de formação), além das aulas da BNCC (60% do tempo/horas-aulas). A MP prevê que os sistemas de ensino estaduais deverão incluir disciplinas, atividades e conteúdos dentro das áreas citadas, além das disciplinas citadas. É provável que as redes particulares de ensino ofereçam ainda mais conteúdos e atividades;

- Conclui-se que nas escolas que oferecerem mais de uma opção do EM, os alunos estarão juntos em 60% das aulas (na mesma sala de aula) e separados em 40% do tempo em tantas salas quanto forem as ofertas de áreas numa mesma escola;
- As únicas disciplinas obrigatórias nos três anos do EM na BNCC  (60% do tempo das aulas)  serão Língua portuguesa, Matemática e Inglês. As outras terão que se modelar encaixando-se nos três diferentes anos;
- Os relatores da proposta se eximiram de dizer ou afirmar que muitas escolas oferecerão apenas uma área ou itinerário formativo  - o 'peso' desse anúncio ficará com os sistemas de ensino estaduais;
- Se for oferecido sempre de forma presencial, o EM ficará mais caro do que é hoje: terá que oferecer a BNCC ao longo dos três anos do EM  (e não um ano e meio); no total, o EM passará de 2400 horas para 3000 horas; na MP original o governo pretendia oferecer uma BNCC de apenas 1200 horas e terá que oferecer 1800 horas; mesmo com a tentativa de atrair novos profissionais do Notório Saber para lecionar os itinerários formativos ou áreas, eles atuarão como docentes e receberão como docentes;
- Os relatores incluíram a alimentação escolar como uma responsabilidade dos sistemas de educação responsáveis pelo EM;
- Como os diferentes itinerários formativos ou áreas abrangem ou envolvem as disciplinas que hoje existem, aumentará a demanda por profissionais da educação nas áreas mais solicitadas.

Os pontos NEGATIVOS ou QUESTIONÁVEIS:

- Tudo está sendo feito sem que a BNCC esteja definida. Os grupos de estudo ainda não chegaram à definição final da Base Curricular. O ideal é que a Reforma fosse feita após a definição;
- As mudanças foram feitas por MP e não por Projeto de Lei (que leva mais tempo, mas possibilita uma melhor discussão/debate);
- Filosofia e Sociologia poderão ficar de fora da BNCC do EM;
- Fica um tanto evidente que grande parte das escolas, por falta de estrutura física ou de recursos humanos, oferecerá uma ou duas áreas;
- Deve ser analisada com mais atenção a possibilidade de oferta de disciplinas pelo modelo de educação à distância: alguns sistemas, como forma de baratear os custos, poderão oferecer (muitas) disciplinas em EAD;
- Assim, um problema evidente que não foi corrigido na remodelação da MP é busca incessante por diminuição de custos em detrimento da qualidade na educação: nela está o risco de dispensa de professores para substituí-los por disciplinas em EAD;
- Com base no IBGE 3.585 cidades têm apenas uma escola de ensino médio. Se não tiverem recursos para oferecer mais de uma área, os alunos ficarão limitados em suas oportunidades de escolha e formação;
- Se os sistemas estaduais estabelecerem um cronograma onde as escolas devam imediatamente iniciar a implantação (indo das 800 progressivamente até as 1000 horas), no começo as escolas deverão reduzir a BNCC a apenas 480 horas anuais e dedicar 320 horas ao(s) itinerário(s) formativo(s). É a proporção 60/40 prevista nesta legislação. Hoje a BNCC ocupa praticamente a totalidade das 800 horas/anuais;
- Há pessoas com muito conhecimento que ajudariam de forma adequada a suprir a demanda por profissionais em algumas áreas, mas se os critérios do Notório Saber não forem muito bem estabelecidos, há um risco evidente de diminuição da qualidade, pois a questão didática na relação ensino e aprendizagem tem tanta relevância quanto o conhecimento técnico.

Conclusões

Não se pode negar a boa intenção de realizar uma reforma que está avançando muito devagar  há muitos anos. No entanto, importantes perguntas não foram suficientemente debatidas ou analisadas e isso é questionável. Mudar para quê? Qual  a finalidade imediata e qual o propósito último dessa mudança? Não está essa reforma dando uma grande ênfase ao ‘como’ em detrimento do ‘porquê’?

Caminhamos para modelos de EM que resultarão em preparação específica para diferentes áreas. Por um lado, a virtude do aluno enfocar nas disciplinas que tem mais a ver com suas habilidades e preferências; e por outro, o risco de muitas escolas oferecerem apenas uma ou poucas áreas visando a economia ou o ingresso nos cursos mais disputados que em geral exigem conhecimentos de Exatas (Matemática) e Ciências da Natureza (Física, Química e Biologia). Mas essa é uma conjectura - só o tempo, as ações dos sistemas de educação e seus profissionais, e finalmente o interesse e engajamento dos estudantes dirão se as medidas tomadas na Reforma do EM são mais acertadas ou equivocadas.

Provisoriamente as dúvidas podem ser tiradas no link abaixo:

Novo Ensino Médio - Portal do MEC

domingo, 13 de novembro de 2016

Emília Ferreiro

Emília Ferreiro é uma psicolinguista argentina que doutorou-se pela Universidade de Genebra, orientada por Jean Piaget. A sua carreira profissional foi especialmente construída no México. Ela inovou ao utilizar a teoria do mestre de Genebra para investigar um campo que não tinha sido objeto direto de estudo piagetiano: a alfabetização. Por muitos anos foi pesquisadora do Instituto Politécnico Nacional, no México.

Para Emília as crianças chegam à escola sabendo várias coisas sobre a língua. É preciso avaliá-las para determinar estratégias para sua alfabetização. Apesar da criança construir seu próprio conhecimento, no que se refere à alfabetização, cabe ao  professor, organizar atividades que favoreçam a reflexão sobre a escrita.

 A contribuição de Emília Ferreiro ocorre especialmente no que se refere à alfabetização. Para ela é preciso respeitar o nível de desenvolvimento dos estudantes, verificando em primeiro lugar em que altura do processo da leitura e da escrita eles estão.

Diagnosticar quanto os alunos já sabem antes de iniciar o processo de alfabetização é um preceito básico do livro Psicogênese da Língua Escrita, que Emília escreveu com Ana Teberosky em 1979. A obra, um marco na área, mostra que as crianças não chegam à escola vazias, sem saber nada sobre a língua. De acordo com a teoria, toda criança passa por quatro fases até que esteja alfabetizada. A estas fases, Emília dá o nome de hipóteses (justamente porque a criança constrói hipóteses sobre a sua compreensão da escrita):
pré-silábica: não consegue relacionar as letras com os sons da língua falada;
silábica: interpreta a letra à sua maneira, atribuindo valor de sílaba a cada letra;
silábico-alfabética: mistura a lógica da fase anterior com a identificação de algumas sílabas;
alfabética: domina, enfim, o valor das letras e sílabas.



Há uma tentativa de se estruturar essa metodologia em torno de princípios que organizam a prática do professor. O fato de a criança aprender a ler e escrever lendo e escrevendo, mesmo sem saber fazer isso, é um desses princípios. Nas escolas verdadeiramente construtivistas, os alunos se alfabetizam participando de práticas sociais de leitura e de escrita. A referência de texto para eles não é mais uma cartilha, mas textos às vezes complexos.

Hoje, o conhecimento sobre esse processo continua avançando. Apesar de ter proporcionado aos educadores uma nova maneira de analisar a aprendizagem da língua escrita, o trabalho da pesquisadora argentina não dá indicações de como produzir ensino. Não existe o "método Emilia Ferreiro", com passos predeterminados, como muitos ainda possam pensar. Mas existem indicações de como se processar a construção do conhecimento. No entanto, há polêmica em torno do trabalho da psicolinguista. Os professores não têm à disposição uma metodologia de ensino da língua escrita coerente com as mudanças apontadas pela psicolinguista. E hoje ainda se reacendem os debates sobre qual é o caminho mais adequado e rápido para se alfabetizar uma criança: se o caminho global apontado por Emília (do todo para as partes) ou, por exemplo, se caminhos fônicos, silábico-alfabéticos, apontados por outros estudiosos da alfabetização em diferentes países (das partes para o todo), ou mesmo a utilização de vários caminhos ao mesmo tempo.

Referências:
FERREIRO, Emilia e TEBEROSKY, Ana. Psicogênese da Língua Escrita. Artmed Editora. Porto Alegre. 1999.
Link: http://novaescola.org.br/conteudo/338/emilia-ferreiro-estudiosa-que-revolucionou-alfabetizacao

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