sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

A Revista Veja e o debate ‘criacionismo versus evolucionismo’


Quando o assunto é o embate ‘criacionismo versus evolucionismo’, seja no campo científico, seja no campo religioso, a conceituada revista tem se mostrado tendenciosa. Isso se mostrou ainda mais claramente no artigo “A Darwin o que é de Darwin”, de Gabriela Carelli (fev/2009), onde ela só faltou afirmar que os que crêem em um Deus criador são obtusos e teimosos.

Como filósofo, questiono ambos os lados em seus alicerces, pois a busca de evidências e verdades que sustentam as teorias sobre as origens e desenvolvimento da vida, de nosso planeta e do universo, não podem ser encaradas como um assunto sem importância.

Com relação aos criacionistas, é fato que suas premissas se baseiam na fé, na crença em um Deus sobrenatural que tudo pode. É claro que para os religiosos essa crença, por si só, explica tudo. Logo, não há como contestar suas convicções sem adentrarmos no campo metafísico.

Por outro lado, com os evolucionistas a história é outra, pois estes julgam haver encontrado ‘fatos’ e ‘provas’ que categoricamente estabelecem a sua ‘teoria’ como a ‘única’ verdade. Ora, a própria ciência tem mostrado repetidas vezes que arrojar-se como dono da verdade é sinal de despreparo acadêmico e científico. Os exemplos são inúmeros.

O archaeopteryx, considerado por muitos anos como o fóssil mais valioso do mundo por ser o elo réptil/ave, após várias pesquisas, é tido hoje como apenas uma “ave”.

O ‘peixe’ celecanto, que foi anunciado como o elo transicional entre os animais aquáticos e terrestres, foi redescoberto vivo no século passado.

O famoso quadro da árvore genealógica do cavalo não está mais presente nos modernos livros de Biologia (hoje sabemos o desenho era uma fraude).

Em 1999 a Revista National Geographic divulgou amplamente a descoberta do archaeraptor, o novo elo réptil/ave. Porém, no ano seguinte, o seu descobridor (o paleontólogo Xu Xing) afirmou que caíra no golpe dos contrabandistas de fósseis, que inventaram o ‘elo evolucionário’ para ganhar dinheiro às custas dos pesquisadores.

Isso, só para ficarmos na questão do “elo perdido”, ou seja, dos supostos seres ‘transicionais’.

O problema fica mais difícil de solucionar se falarmos sobre a ‘explosão do cambriano’, quando as camadas fósseis mostram o aparecimento repentino de várias espécies, sem nenhum elo evolutivo que as explique.

Além disso, temos o sério problema das mutações, pois as pesquisas científicas têm demonstrado que elas são muito mais prejudiciais do que benéficas aos organismos (numa proporção de até mil vezes mais).

Estes questionamentos não tiram o mérito de muitas teses e postulados evolucionistas, que mostram certa lógica e pertinência.

Um último ponto vale ser mencionado: como leitor da Revista, não vi nas últimas edições nenhum artigo no qual algum grande cientista, pesquisador do design inteligente pudesse expor com clareza seu pensamento. Por outro lado, muitas críticas infundadas e preconceituosas sobre o design inteligente têm sido apresentadas esparsamente em artigos que tratam do tema da evolução. Hoje, Michael Behe, o maior defensor do design inteligente é também evolucionista. A Revista Veja gosta tanto de paradoxos, porque não dá um espaço a ele?

Bem, é quase certo que ela não dará este espaço, pois a linha de raciocínio por ele apresentada é lógica, precisa e cientificamente, honesta. Por quê Veja iria contra seus próprios postulados do evolucionismo do acaso?

(Excetuando o último parágrafo, esta é a carta que mandei à Redação da revista)

3 comentários:

Cleiton Heredia disse...

Muito bom!

Acho pertinente, a bem da verdade, que a democracia de idéias seja cobrada das mídias.

No entanto, sou realista o bastante para entender que a principal preocupação dos veículos de comunicação de massa não é com a verdade, mas sim com os lucros.

CONVICTOS OU ALIENADOS? disse...

Ótimo!

O equilíbrio se faz necessário. Ocorre que paira ainda no ar o vigor com o qual os criacionistas cristãos "agrediram" o mundo forçando a ter a fé como estandarte e a ciência num plano inferior.

O importante é que todos caminhem juntos.

No momento, sendo justo, considero-me um agnóstico.

Abraços.

Frei Rodrigo disse...

A revista deveria esclarecer que em termos estritamente científicos não faz sentido falarmos da existência ou não de Deus. Deus não é passível de experimentação ou testes de verificação realizados em laboratório por isso não devemos nos afligir quando alguém afirma a falta de prova científica da existência de Deus.

Frank, caí por acaso no seu blog porque estava buscando no Google por artigos que saíram na revista Veja (ou ainda Exame, Isto É) relacionados à Filosofia. O motivo disso é que gostaria de artigos para usar com os alunos do ensino médio. Estou no terceiro ano e temos que dar aula no estágio. Se tiver alguma dica (especialmente sobre estética, ética e fia da ling/mente), por favor me envie. Abraços

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