terça-feira, 29 de maio de 2012

João do Pulo - João Carlos de Oliveira


Eu era um jovem professor no UNASP, na estrada de Itapecerica da Serra (São Paulo, zona sul), o ano era 1989 e a cada semana tínhamos que promover uma reunião cultural com os alunos, chamada na instituição de “Capela”. Um dia, na Biblioteca do instituto li em um jornal que o João do Pulo dava palestras para diferentes públicos. Não fiquei nem um minuto a mais assentado ali – saí e fui direto pegar um telefone para ligar para um dos mais famosos atletas brasileiros de então. Liguei e, de seu gabinete (Assembléia), ele mesmo atendeu o telefone e, sem delongas, aceitou o convite para compartilhar no IAE um pouco da sua rica experiência.
Quando ele chegou, andava devagar e eu, sem conseguir esconder o entusiasmo pela sua presença, fui logo o enchendo de perguntas. Ele, calmamente, respondia a todas. Finalmente o conduzi a frente do auditório, onde ele narrou sua epopeia como recordista mundial do salto triplo. Ele não tocou no assunto do acidente e, é claro, minhas perguntas não foram nenhuma vez nessa direção. Abrimos o espaço para as perguntas e logo vieram aquelas perguntas típicas de alunos da quinta série: - Porque você não salta mais?
Bem, ele foi evasivo e educado. Disse que já tinha se aposentado como atleta. A entrevista terminou e nossa conversa se prolongou um pouco mais. Senti ali, naquele pouco tempo que permanecemos juntos, uma pessoa humilde, um pouco triste, mas acima de tudo, um ser humano incrível, lutador e determinado. Nos despedimos e guardei aquele dia em minha memória e coração.
Não sei o porquê, mas meus contatos e admiração sempre foram direcionados a atletas que a mídia não dá muita atenção (pelo menos não quando eles mais precisam). Além do João, conheci pessoalmente o Rubens Barrichelo e o Alexandre Sloboda (vôlei).
Porque toquei nesse assunto? É porque hoje fazem 13 anos que o João faleceu.
Hoje, a juventude (a maioria) não faz nem ideia de quem era o João do Pulo. Mas aqueles que acompanhavam o esporte nos anos setenta e oitenta (século passado) sabem. Quem era João do Pulo?
João Carlos de Oliveira nasceu no interior de São Paulo em 1954. Em 1973, com 21 anos,  quebrou o recorde mundial júnior de salto triplo no Campeonato Sul-Americano de Atletismo com a marca de 14,75 m. Em 1975, dois anos depois, nos Jogos Pan-Americanos da Cidade do México conquistou a medalha de ouro no salto em distância com a marca de 8,19 m e em 15 de outubro, também a medalha de ouro no salto triplo, com a incrível marca de 17,89 m, quebrando o recorde mundial desta modalidade em 45 cm, e que pertencia ao soviético Viktor Saneyev. Na Olimpíada de Montreal em 1976 ficou com a medalha de bronze com a marca de 16,90 m. Em 1979, nos Jogos Pan-americanos de Porto Rico, tornou-se bicampeão tanto do salto triplo como do salto em distância.
Em 1980, nas Olimpíadas de Moscou ele era o favorito para vencer o salto triplo. Mas, estranhamente, os fiscais anularam várias de suas tentativas (que causou muitas especulações) e ele ficou novamente com a medalha de bronze.
Ainda no auge, com apenas 29 anos, teve sua carreira atlética brutalmente interrompida em 22 de dezembro de 1981, quando sofreu um acidente automobilístico. Sua perna direita teve que ser amputada e foi forçado a aposentar o sonho das medalhas.
Após recuperar-se, concluiu o curso de Educação Física e foi eleito deputado em São Paulo pelo PFL duas vezes. Seguiu sua vida longe dos ginásios e pistas de atletismo, mas a depressão o visitou com força. Solitário, empobrecido e esquecido pela mídia, João morreu em 1999 devido a uma cirrose hepática e infecção generalizada.

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Fernando Pessoa - Todos são perfeitos, menos eu


Poema em linha reta

Fernando Pessoa

Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.


E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.

Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...

Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,

Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?

Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?


Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.

domingo, 27 de maio de 2012

É entre Você e Deus


“Muitas vezes as pessoas são egocêntricas, ilógicas e insensatas.
Perdoe-as assim mesmo!
Se você é gentil, as pessoas podem acusá-lo de interesseiro.
Seja gentil assim mesmo!
Se você é um vencedor, terá alguns falsos amigos e alguns inimigos verdadeiros.
Vença assim mesmo!
Se você é honesto e franco, as pessoas podem enganá-lo.
Seja honesto e franco assim mesmo!
O que você levou anos para construir, alguém pode destruir de uma hora para outra.
Construa assim mesmo!
Se você tem paz e é feliz, as pessoas podem sentir inveja.
Seja feliz assim mesmo!
O bem que você faz hoje, pode ser esquecido amanhã.
Faça o bem assim mesmo!
Dê ao mundo o melhor de você, mas isso pode não ser o bastante.
Dê o melhor de você assim mesmo!
Veja você que, no final das contas, 
é tudo entre você e Deus.”

Madre Tereza de Calcutá

sábado, 26 de maio de 2012

Dia dos Nerds - Guia do Mochileiro das Galáxias

Guia do Mochileiro das Galáxias é um clássico e, além de ser apreciado pelos Nerds e amantes de histórias fantásticas, tem também um lugar cativo na bagagem dos fãs de videogames. O livro foi escrito por Douglas Adams, que utiliza de muita ironia e humor inteligente para contar a história de Arthur Dent, envolvido em várias aventuras absurdas e alucinantes, construídas a partir de um ponto de vista científico e filosófico elaborado pelo próprio escritor.

O amigo de Arthur Dent, Ford Prefect, revela a ele ser um habitante de outro Planeta.
Arthur nem mesmo tem muito tempo para absorver as novas informações, pois Ford também compartilha com ele a informação de que a Terra está em via de colisão com os interesses dos Vogons, uma civilização extraterrena que pretende construir, no lugar do Planeta, uma via interligando as galáxias que povoam o Universo. Ford toma a iniciativa da elaboração de um plano maluco, viajar como clandestino na própria nave dos Vogon, e convida Artur para seguir ao seu lado; ambos fogem instantes antes da destruição da Terra. Não demora muito, porém, para que sejam descobertos pelo líder da Frota de Demolição, Prostetnic Vogon Jeltz, que os expulsa e os deixa à mercê da sorte no Cosmos. Resgatados pelos comandantes da nave Coração de Ouro, passam a conviver com outros personagens, Zaphod Beeblebrox, que preside a Galáxia, Trillian, ex-habitante da Terra que também conseguiu fugir ao lado de Zaphod; e Marvin, um robô que desvaloriza a vida, vive depressivo e tem uma mente artificial muito bacana.
Ao lado destes personagens, os amigos navegam pelo Cosmos a procura de uma compreensão essencial da Vida, do Universo e de Tudo o Mais, orientados por uma inusitada obra voltada para os viajantes cósmicos: O Guia do Mochileiro das Galáxias. Este é um vislumbre do livro trazido a mim pelo LeRoy, um escritor e desenhista apaixonado por quadrinhos, cinema e computadores. Bem, ele é meu filho. Neste dia dos Nerds, um grande abraço a todos os apaixonados por tecnologia e novidades.

terça-feira, 15 de maio de 2012

Viver é Lutar


Canção do Tamoio
Antônio Gonçalves Dias

I
Não chores, meu filho;
Não chores, que a vida
É luta renhida: Viver é lutar.
A vida é combate,
Que os fracos abate,
Que os fortes, os bravos,
Só pode exaltar.
II
Um dia vivemos!
O homem que é forte
Não teme da morte;
Só teme fugir;
No arco que entesa
Tem certa uma presa,
Quer seja tapuia,
Condor ou tapir.
III
O forte, o cobarde
Seus feitos inveja
De o ver na peleja
Garboso e feroz;
E os tímidos velhos
Nos graves conselhos,
Curvadas as frontes,
Escutam-lhe a voz!
IV
Domina, se vive;
Se morre, descansa
Dos seus na lembrança,
Na voz do porvir.
Não cures da vida!
Sê bravo, sê forte!
Não fujas da morte,
Que a morte há de vir!
V
E pois que és meu filho,
Meus brios reveste;
Tamoio nasceste,
Valente serás.
Sê duro guerreiro,
Robusto, fragueiro,
Brasão dos tamoios
Na guerra e na paz.
VI
Teu grito de guerra
Retumbe aos ouvidos
D'inimigos transidos
Por vil comoção;
E tremam d'ouví-lo
Pior que o sibilo
Das setas ligeiras,
Pior que o trovão.
VII
E a mãe nestas tabas,
Querendo calados
Os filhos criados
Na lei do terror;
Teu nome lhes diga,
Que a gente inimiga
Talvez não escute
Sem pranto, sem dor!
VIII
Porém se a fortuna,
Traindo teus passos,
Te arroja nos laços
Do inimigo falaz!
Na última hora
Teus feitos memora,
Tranqüilo nos gestos,
Impávido, audaz.
IX
E cai como o tronco
Do raio tocado,
Partido, rojado
Por larga extensão;
Assim morre o forte!
No passo da morte
Triunfa, conquista
Mais alto brasão.
X
As armas ensaia,
Penetra na vida:
Pesada ou querida,
Viver é lutar.
Se o duro combate
Os fracos abate,
Aos fortes, aos bravos,
Só pode exaltar.


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