terça-feira, 13 de dezembro de 2011

A Maior Picaretagem da História do Capitalismo - Agências de Classificação de Risco

A Maior Picaretagem da História do Capitalismo
Frank Viana Carvalho
Imagine quantos países há no mundo...
Imagine quantas grandes empresas há...
Imagine quantos grandes bancos há...

Pois bem, agora pense você que três agências particulares com aproximadamente 20 funcionários graduados (cada uma) se propõem a avaliar e dar notas a todos os países, grandes empresas e bancos. E para complicar, todos (ou quase todos) dão valor a avaliação dessas agências.

Pois bem, resolvi falar daquilo que me incomoda desde 2008, a avaliação de risco (ou rating) feito pelas agências Standard & Poor's, Fitch Ratings e Moody's Investors Service.

Essas agências são contratadas e trabalham por solicitação de empresas e eventualmente de países (Estados) que desejam ser classificados. A atribuição de notas (ou notação) e classificação de países ou empresas segue um padrão que expressa o grau de risco de que essas empresas ou países ('risco soberano') não paguem suas dívidas no prazo fixado.

Temos aqui inicialmente dois problemas: primeiro, os clientes das agências (ou, os classificados) são os responsáveis pelo faturamento delas (um evidente conflito de interesses) e segundo, para classificar uma empresa (ou país) é necessário compará-la com outras, mesmo que essas outras não tenham contratado tal serviço (conflito ético).

Essas agências dão notas ruins a países que enfrentam dificuldades, e isso, por sua vez, leva investidores a se afastarem desses países, piorando ainda mais a situação deles (dos países). O mesmo se aplica às empresas.

É como se uma pessoa estivesse vivendo bem financeiramente e, mesmo não precisando de crédito, recebesse notas altas de um avaliador (a agência). Mas quando as dificuldades batessem à sua porta, o avaliador rebaixaria a nota dela. E seguindo essa lógica, sendo evidente que ela precisa de dinheiro emprestado (crédito), o avaliador iria dizer às pessoas (que têm recursos) que não é seguro emprestar dinheiro para ela.

E para complicar a história, essas agências às vezes erram, como no caso do Banco Lehman Brothers que tinha recebido notação AAA dias antes pelas agências (nota máxima), e faliu. Este caso foi o estopim da crise financeira mundial de 2008, onde muita gente perdeu tudo o que tinha por acreditar nos conselhos das agências de rating.

Quem regula, avalia e fiscaliza as ações dessas agências que se deliciam em avaliar e prever o destino de sete bilhões de pessoas?

Após a crise de 2008 muito se falou de regulamentação das atividades das agências, mas nada foi feito. Seus executivos continuam ganhando salários astronômicos fruto da esperteza dos clientes e da especulação dos investidores que utilizam as avaliações (muitas vezes tendenciosas).

É irracional ou é picaretagem?

Aonde vai parar esse mundo?

Agora, com a Europa em crise, veja o noticiário do dia 05/12/11:

"A agência de avaliação de risco Standard & Poor's ameaçou na noite desta segunda-feira (5) rebaixar a nota de 15 dos 17 países da zona do euro, refletindo o agravamento da crise da dívida."(1)

Repare no atrevimento da notícia - "A agência... ameaçou...". Pode uma coisa dessas?

Algumas perguntas ficam  no ar:
1. Quando foi que essas agências ajudaram a tirar um país de uma crise?
2. Qual a contribuição ou ajuda que esse rebaixamento levará até a combalida Europa?
3. Qual o sentido de pagar salários milionários para pessoas que fazem o óbvio? É muito fácil rebaixar a nota de um país ou empresa que está em crise. É uma situação óbvia e está na cara de todo mundo. Se eles agissem como previsores de situações, incentivariam as pessoas a não colocar dinheiro em enrascadas como a do Banco Lehman Brothers.
4. Sendo que cometeram um grave erro na crise de 2008, porque os países, empresas e instituições (e a imprensa, por sua vez) dão valor a essas classificações (e continuam pagando por elas)?

O capitalismo tem as suas mazelas, mas essa é incompreensível!!!

Que algum economista (ah, se eu fosse) crie uma Classificação para essas Agências. Dou até uma sugestão:

Classificação 'Frank' para as Agências de Risco

Notas Altas e Explicações
AAA+ Quando a classificação da Agência fez com que fosse erradicada a fome e a miséria de um país.
AAA  Quando a classificação da Agência levou um país rico (ou empresa lucrativa) a investir em um país pobre para melhorar as condições de vida de sua população.
AA+ Quando a classificação da Agência tirou o país (ou empresa) de uma grave crise.
AA   Quando a classificação da Agência levou o país (ou empresa) a emprestar dinheiro para quem mais precisa.
A+    Quando a classificação da Agência trouxe melhorias para a educação e saúde de um país (ou para os funcionários de uma empresa).
   Quando a classificação da Agência levou ao aumentos dos salários de toda uma nação (ou empresa) e melhoria da qualidade de vida de todos.

Notas Medianas e Explicações
B  Quando a classificação da Agência previu que uma empresa caloteira e fraudulenta iria quebrar antes que todos soubessem disso.
Quando a classificação da Agência levou seus economistas, técnicos e dirigentes a repensarem se merecem o que estão ganhando.

Notas Baixas e Explicações
F  Quando a classificação da Agência previu o Óbvio Ululante - que um país (ou empresa) com problemas merece ser rebaixado.
Quando a classificação da Agência afastou investidores de países (e empresas) que fazem o dever de casa e ainda assim estão com dificuldades.
Z-  Quando a classificação da Agência enganou a todos e levou pessoas e instituições a investirem recursos em Bancos fraudulentos e Empresas criminosas (pseudo empresas ou empresas de fachada).

Fica aí a minha contribuição para este mundo louco e irracional das Agências de Rating e seus seguidores.

Fonte da Imagem: mantenedordafe.org

terça-feira, 29 de novembro de 2011

A Polêmica da Construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte

Por Frank V. Carvalho (1)

Na maioria das vezes sou bem sucedido em me manter distante de alguns temas polêmicos. Mas, algumas vezes, fazer isto significa omissão e desrespeito à importância do tema.


Quero falar um pouco sobre a construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, a ser construída no rio Xingu, na região de Altamira (PA).

É um projeto antigo, adiado inúmeras vezes e que agora está saindo do papel.

No entanto, grupos antagônicos se digladiam a favor e contra esta usina, que se pretende (quando pronta) ser a terceira maior do mundo (atrás apenas de Itaipu - Brasil e Três Gargantas - China).

Dos que são favoráveis, os principais argumentos são: garantia de segurança energética para o país; melhoria das condições de vida das populações próximas pelo acesso à energia elétrica e todo o conforto decorrente de sua utilização; desenvolvimento da região norte.

Dos que são contrários, os maiores argumentos são: destruição de uma grande área da floresta com o alagamento necessário para a construção da represa; deslocamento das populações ribeirinhas e índios; uso de dinheiro público para a construção de tão grande obra; utilização de apenas um terço do potencial máximo da usina em grande parte do ano.

Aos fatos

Mais de um site do governo federal fala sobre Belo Monte e destaca os aspectos positivos de sua construção. Há até um Blog do governo destinado a esclarecer a população sobre o Projeto.

Essa usina hidrelétrica é o maior projeto do setor elétrico do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Com potência instalada de 11,2 GW (mas capacidade média de 4,5 GW), Belo Monte terá sozinha a capacidade de abastecer uma região de 26 milhões de habitantes, como a região metropolitana de São Paulo.

Esses poucos dados já mostram a força do projeto e seu impacto no desenvolvimento da região norte.

No entanto, hidrelétricas causam impacto ambiental, e isso não se resume a área alagada. Interferências no microclima, fauna e flora da região se farão perceber. Resta saber avaliar se estes impactos serão tão negativos que o ganho proporcionado pela usina seja anulado.

As campanhas

Alguns políticos (entre eles, Marina Silva) se posicionaram frontalmente contra a construção de Belo Monte. Ambientalistas e ONGs também têm levantado a sua voz contra o projeto pelo grande impacto que causará no meio ambiente. A estes se uniram artistas e celebridades em campanhas de visibilidade nacional, cujo principal produto foi um vídeo lançado por atores da Rede Globo.

Por outro lado, cientistas, economistas e é claro, políticos defendem a construção da usina para que o país se mantenha no caminho do desenvolvimento. Recentemente, alunos da UNICAMP gravaram um vídeo favorável à construção de Belo Monte (aparentemente numa contraposição ao vídeo gravado pelos artistas da Rede Globo).



Duas visões, dois mundos

Dos dois lados, a desinformação proposital e a clara utilização de inocentes úteis.

No caso da campanha da Globo (ou melhor, dos artistas da emissora, projeto gota d'água), a superficialidade dos argumentos é contrabalanceada pela efetiva dramatização e apelos sensacionalistas. Frases desconexas dão lugar a outras, inexatas ou equivocadas. Há ainda um apelo semi-erótico.

No vídeo dos alunos da UNICAMP (projeto tempestade em copo d'água), não há nenhum espaço para problemas, pois Belo Monte será ‘a salvação da lavoura’. O vídeo dá a entender que outras opções energéticas são caras e economicamente inviáveis, e só faltou um apelo para não se investir nessa direção.

Duas Cavernas

Os dois grupos se auto-intitulam como bem informados. É claro que para aqueles que valorizam aspectos científicos, fica mais fácil acreditar nos estudantes. Para os que se comovem com uma boa atuação, é mais fácil acreditar nos artistas da Globo.

Para mim, dois grupos aprisionados dentro de duas diferentes cavernas.

E então?

Bem, se os ambientalistas tivessem voz e voto no passado, certamente não teríamos Itaipu e outras usinas mais e com certeza, seríamos um país com menos recursos energéticos (produção de energia elétrica). E não adianta falar de energia eólica e solar, pois é necessário muito dinheiro para se instalar a matriz produtora deste tipo de energia e isso, não tínhamos.

Por outro lado, os desenvolvimentistas atuais agem como os positivistas do século XIX, tendo como líquido e certo que o progresso traz felicidade. Nada garante isso. Mas o maior problema é o único tipo de progresso que eles enxergam: usinas, indústrias, estradas asfaltadas, cidades, fábricas, prédios, etc., etc. Esquecem-se do que vem junto com isso. Ocupam uma região e é claro, face aos desafios naturais (matas, insetos, rios, calor, etc.) querem a instalação das melhorias que trazem conforto. Esbravejam silenciosamente: - Animais, matas e índios, com licença, o progresso quer ocupar esse lugar...

O Caminho a seguir

O Brasil tem hoje a legislação (em seu conjunto) mais protetora do meio ambiente de todos os países ocidentais (2). Os indígenas, embora sejam menos de 0,3% da população (isso mesmo, menos de meio por cento), detém mais de 13% das terras nacionais. As reservas legais de proteção ambiental ocupam áreas comparáveis à extensão de vários países europeus somados. Embora os ambientalistas achem pouco, devem se lembrar de que vivemos em mundo imperfeito que, não importa o que façam, continuará imperfeito. Culpa de quem? Da natureza? Não. Culpa do homem. Mas não devem parar, devem continuar lutando por mais – é a sua bandeira, seu mote, sua visão de mundo.

Entre outras coisas, há uma tristeza que compartilho com os ambientalistas. Ela não é pela legislação (e ela tem falhas), mas por sua ineficácia, pois com pouca fiscalização há consequentemente, pouca ou nenhuma punição e assim, um incentivo indireto para mais desrespeito ao meio ambiente.

Os desenvolvimentistas brasileiros já comemoram, pois sentem-se como os vencedores dessa batalha. Belo Monte ficará pronta e produzirá muita energia. Mas e depois, eles se darão por satisfeitos? Claro que não. Haja rios e florestas para a quantidade de hidrelétricas imaginadas.

Apelo aos desenvolvimentistas a olhar além de seus umbigos e planos: vocês precisam investir de fato em outras matrizes energéticas, sejam elas caras ou não. Devem financiar pesquisas com vistas a diminuir os custos da geração de energia através de outros meios que causem menos impactos e danos ao meio ambiente.

Vencedores?

Há uma teoria famosa no campo das Relações Internacionais que diz que num bom acordo todos saem ganhando e todos saem perdendo. É preciso que ambientalistas (e outras nomenclaturas e filosofias assemelhadas) e desenvolvimentistas (idem) pratiquem a alteridade: consigam pensar (ou se esforcem para) e ver o mundo da perspectiva do outro. E, se em algo o outro tem razão, que se assentem à mesa para negociar.

Pelo apoio que o governo federal dá ao projeto, Belo Monte caminha a passos largos e será uma realidade. O problema é o que vem depois no médio e no longo prazo. Parece que ninguém parou para pensar que estamos incentivando o incremento populacional e o desenvolvimento industrial numa região até então livre das mazelas do sudeste. Como será a região amazônica daqui a trinta, quarenta, cinquenta anos? Algum tecnocrata já pensou nisso?

E você? E eu?

Será que nós perguntamos de onde vem a energia que abastece nossas casas, nossos celulares, que mantém nossas ruas iluminadas? Fazemos um uso consciente dessa energia? Perguntamos o mesmo com relação aos alimentos e produtos que chegam a nossa mesa? Nosso estilo de vida condiz com nossas opiniões sobre sustentabilidade e preservação do planeta?

Tenho me perguntado sobre isso e procurado viver uma vida mais simples, com menos para que eu tenha mais. É uma filosofia de vida contrária ao modelo vigente. Menos (produtos, equipamentos, roupas, trânsito, estresse, gastos de energia elétrica...) é mais (tempo com minha família, momentos de reflexão, atividade física...). É a escolha do ser contra o ter.

Em que pese o trocadilho, Belo Monte é uma polêmica em torno da Água, mas não posso me esquecer que nossa vida é um Sopro.

Só isso.


(1) Frank Viana Carvalho, doutor em Filosofia pela Universidade de São Paulo - FFLCH (Doutorado SW [CNPq] na Université François Rabelais, França), mestre em Filosofia (FFLCH-USP), mestre em Educação (UNASP), Especialista em Psicologia da Adolescência (Bracknell – Inglaterra) é professor titular do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo – SR.
(2) Embora o Novo Código Florestal tenha falhas, ele prevê a recuperação de áreas hoje ocupadas e devastadas, além de manter as reservas e parques florestais.

Imagens:
wikipedia.org
cartacapital.com.br
riosvivos.org.br
terradedireitos.org.br

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

50 Principais Nomes Brasileiros

Quantos nomes diferentes existem?

Partindo de um cálculo modesto, considerando o número de vocábulos nos principais idiomas e dialetos, teríamos em torno de 25 milhões de diferentes nomes para as sete bilhões de pessoas que vivem no planeta.


Mas a pergunta inicial é de difícil resposta, pois se considerarmos as diferentes grafias e pronúncias e as variantes em diferentes idiomas e dialetos, teríamos esse número aumentado para cerca de 300 milhões de nomes.

No Brasil há mais de um milhão de nomes diferentes para os quase 190 milhões de habitantes.

Mas alguns nomes são campeões. É o que diz uma pesquisa realizada pela mais utilizados no Brasil pela ProScore utilizando informações de seu banco de dados, que possui aproximadamente 165 milhões de CPF's capturados em todo o Brasil.

O estudo mostra os 50 nomes mais comuns e com base neste estudo que abrange 87% da população brasileira, pode-se fazer uma projeção para a população total. Os 50 nomes que abrangem 35% da população representam que mais de uma a cada três pessoas possui um dos nomes mencionados abaixo.

Senso Comum

O estudo mostra que o senso comum erra e acerta em seus ‘achismos’. Por exemplo, muitos pensam que alguns nomes são pouco comuns na atualidade, pois eram mais utilizados em princípios do século XX.

A pesquisa da ProScore mostra que eles continuam fortes e percentualmente significativos na população atual. Todos os nomes abaixo estão entre os 50 mais comuns no Brasil:

É o caso de Raimunda (0,23%), Benedito (0,23%), Terezinha (0,25%), Joaquim (0,26%), Josefa (0,27%), Antonia (0,41%), Sebastião (0,48%), Raimundo (0,50%), Francisca (0,52%), Pedro (0,60%) Manoel (0,81%), Francisco (1,36%), João (1,81%), Antonio (2,15%) e os campeoníssimos José (4,72%) e Maria (8,1%).

Se pensarmos nos nomes que têm sua versão masculina e feminina (Márcio e Márcia, por exemplo), teremos as seguintes duplas campeãs:

Maria (8,1%) e Mário (0,22).
José (4,72%) e Josefa (0,27%).
Antonia (0,41%) e Antonio (2,15%).
Francisca (0,52%) e Francisco (1,36%).
Márcia (0,34%) e Márcio (0,29%).
Raimunda (0,23%) e Raimundo (0,50%).

É incrível, mas as duplas acima citadas respondem sozinhas por quase 20% da população do país.

Mas o estudo revelou um ‘achismo’ correto. Os nomes dos pais de Jesus estão no topo da lista. Maria e José são os campeões.

O nome Maria é usado por mais de 8,1% (13,3 milhões) de mulheres, ao passo que José (8,7 milhões), é utilizado por 4,72% dos homens.

Bem classificados estão Antônio (3,5 milhões), João (3 milhões) e Francisco (2 milhões).

Depois de Maria, Ana é o nome feminino mais usada no Brasil, com quase 2 milhões de mulheres carregando o nome da profetiza bíblica.

Em tempo, dos 50 nomes, 42 são encontrados na Bíblia.

Abaixo, a relação completa, onde primeiro está o nome, depois a quantidade de pessoas com este nome (no universo de 165 milhões pesquisados) e no final, o percentual na População:


1. MARIA - 13.356.965 - 8,10
2. JOSÉ - 7.781.515 - 4,72
3. ANTONIO - 3.550.752 - 2,15
4. JOÃO - 2.988.744 - 1,81
5. FRANCISCO - 2.242.146 - 1,36
6. ANA - 1.996.377 - 1,21
7. LUIZ - 1.541.895 - 0,93
8. PAULO - 1.416.768 - 0,86
9. CARLOS - 1.384.201 - 0,84
10. MANOEL - 1.334.182  - 0,81
11. PEDRO - 995.254 - 0,60
12. FRANCISCA - 853.590 - 0,52
13. MARCOS - 823.738 - 0,50
14. RAIMUNDO - 821.242 - 0,50
15. SEBASTIÃO - 798.627 - 0,48
16. ANTONIA - 672.400 - 0,41
17. MARCELO - 628.138 - 0,38
18. JORGE - 587.670 - 0,36
19. MARCIA - 557.347 - 0,34
20. GERALDO - 530.050 - 0,32
21. ADRIANA - 529.778 - 0,32
22. SANDRA - 497.971 - 0,30
23. LUIS - 492.208 - 0,30
24. FERNANDO - 489.142 - 0,30
25. FABIO - 481.790 - 0,29
26. ROBERTO - 480.695 - 0,29
27. MARCIO - 471.906 - 0,29
28. EDSON - 467.806 - 0,28
29. ANDRE - 465.484 - 0,28
30. SERGIO - 462.397 - 0,28
31. JOSEFA - 453.636 - 0,27
32. PATRICIA - 446.001 - 0,27
33. DANIEL - 439.826 - 0,27
34. RODRIGO - 438.083 - 0,27
35. RAFAEL - 432.356 - 0,26
36. JOAQUIM - 431.594 - 0,26
37. VERA - 430.683 - 0,26
38. RICARDO - 423.616 - 0,26
39. EDUARDO - 417.277 - 0,25
40. TEREZINHA - 409.120 - 0,25
41. SONIA - 403.702 - 0,24
42. ALEXANDRE - 403.114 - 0,24
43. RITA - 396.901 - 0,24
44. LUCIANA - 390.507 - 0,24
45. CLAUDIO - 390.104 - 0,24
46. ROSA - 385.634 - 0,23
47. BENEDITO - 378.680 - 0,23
48. LEANDRO - 378.136 - 0,23
49. RAIMUNDA - 372.672 - 0,23
50. MARIO - 364.589 - 0,22

Fonte: ProScore

domingo, 27 de novembro de 2011

O Poder de um Sonho

“Não é o crítico que conta;
não é o homem que aponta onde o forte tropeçou ou onde quem realizou podia tê-lo feito melhor.
O crédito cabe ao homem que está de fato na arena, cuja face está desfigurada pela poeira, pelo suor, pelo sangue;
que luta valentemente;
que erra;
que fica reprimido vez após vez.
Que conhece os grande entusiasmos e as grandes devoções.
Que se desgasta por uma causa justa.
Que na melhor das hipóteses, conhece no final o triunfo das altas realizações e na pior, se fracassa, pelo menos fracassa ao arriscar-se grandiosamente.
De forma que o seu lugar jamais será ao lado daquelas almas tímidas, que não conhecem nem a vitória, nem a derrota;
e que vivem na penumbra cinzenta dos que nada realizaram e nada sofreram, porque nunca tentaram.”

O Poder de um Sonho (Autor desconhecido)
Adaptado por Frank Viana Carvalho
Fonte da Imagem: blogdoerikson.blogspot.com

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Uma Aventura de Carro pelos Caminhos da América do Sul - Capítulo II

CAPÍTULO II

A PARTIDA

"Não ande pelo caminho traçado, por que ele só conduz até onde outros chegaram". 

Girei a chave e liguei o carro. Partimos. Começava ali a maior aventura de nossas vidas. Vagarosamente o carro começava a deixar a cidade de São Paulo. Corações agradecidos aos amigos e a Deus, nós conseguimos vencer o mais temido inimigo de qualquer viagem: o ‘partir’. Antes da partida tudo era planejamento. Agora não. A viagem era uma certeza. Uma certeza que começávamos a escrever nas páginas em branco de um diário.

Para algumas pessoas, como a minha sogra, nós éramos uns aventureiros. Para outros, como meu sogro, nós éramos visionários que realizam os sonhos de todos.

Para alguns a definição de aventureiro pode parecer depreciadora. Mas para nós não. Aventura para nós é qualquer atividade humana que envolve riscos. Você corre riscos ao viajar. Também corre riscos ao atravessar uma rua. Assim, para nós, a vida é uma aventura. Uma grande aventura que merece ser intensamente desfrutada. Entretanto, o sucesso nas aventuras depende em muito do seu preparo e de um planejamento adequado. Estávamos cientes destes dois detalhes e partimos prontos para o que quer que viesse pela frente.

Uma história de planejamento e organização foi a do tenente James Cook, que partiu para uma volta ao mundo, levando um navio britânico com 95 pessoas: 11 passageiros e 83 tripulantes. Os tempos eram difíceis e esperava se que setenta por cento ou mais da tripulação do Endeavour(Diligência) morresse pelo caminho. A maioria de escorbuto e outros pelos perigos da viagem.

Cook impôs severas normas de saúde a bordo. O navio deveria estar sempre limpo e todos deveriam fazer uso do suprimento de frutas e verduras frescas. Deveriam tomar suco de limão e tomar o leite da cabra que ia a bordo.

Após três anos e meio de viagem dando a volta ao mundo e explorando o Taiti, a Nova Zelândia e a Austrália, eles voltaram para casa com 56 homens. Compare isto com a viagem de Fernão de Magalhães. Ele partiu com cinco navios e 277 homens. Apenas um navio com 18 homens voltou à Espanha. A proporção dos sobreviventes foi de seis para cada 100. Na expedição de Cook 60 por cento sobreviveram, uma proporção dez vezes mais elevada. Aqui está bem clara a diferença que faz o preparo e o planejamento contra o arrojo aliado ao despreparo e à desorganização.

No início de junho começamos os últimos preparativos. Reunimo nos, o Márcio, o Rubem e eu decididos a realizar o Projeto América do Sul, mesmo que o custo fosse alto para nós.

O que temos? Perguntei.

- Temos o patrocínio da Golden Cross e da Superbom Produtos Alimentícios! Respondeu prontamente o Rubem.

Podemos conseguir mais, embora tenhamos pouco tempo! emendou o Márcio. E de fato, ainda somou se ao patrocínio a Flanai Seguros e tivemos o apoio da Ézer Amâncio da Apolinário Sports.

A contagem regressiva para o dia da partida avançava rapidamente e nos deixava preocupados.

Lançar na estrada um Opala Comodoro 83, para percorrer mais de 20.000 quilômetros em pouco mais de um mês, parecia arriscado. Mas a máquina estava em ótimo estado e além disso, tínhamos dois mecânicos na equipe. A proximidade do dia da partida nos deixava eufóricos e animados.

Afinal, foram muitos dias de pesquisa nos melhores mapas e enciclopédias disponíveis no país, a fim de escolhermos melhores rotas, os melhores caminhos; consulta a literaturas especializadas, tanto em revistas como em livros para verificarmos os diferentes procedimentos com o carro nas diferentes situações que iríamos enfrentar. Fizemos também estudos sobre as condições de clima e de relevo; das peculiaridades de cada um dos países a serem visitados; dos trâmites fronteiriços; dos instrumentos e ferramentas indispensáveis; dos pontos de parada e descanso e de todos os custos. Tudo foi analisado. Os objetivos foram repensados. Praticamente tudo estava pronto para a partida.

Na última semana minha esposa viajou para o Peru. Despedimo-nos no aeroporto na certeza de que nos encontraríamos em Lima umas três semanas mais tarde.
O Binho filmou meu reencontro com minha esposa
e meus filhos, já no Peru.

Seguimos para a perigosa BR 116. Antes porém, paramos para colar alguns adesivos no carro, que o Ézer nos deu juntamente com algumas camisetas. Pegamos um aparelho de som (rádio toca-fitas) com a Berenice Cunha, uma amiga de trabalho, e ainda encontramos em Itapecerica da Serra o Jairo Batista, com o qual trabalhei durante anos e que nos orientou sobre alguns procedimentos na Argentina e no Chile.

Estrada: Até que enfim. Estabelecemos o limite de 100 Km/h de média de velocidade. O carro podia ir muito mais rápido, mas nós só tínhamos um pouco mais de 20.000 Km pela frente. - Émelhor poupar o equipamento; falou o Márcio, o mais precavido do grupo.

Fizemos a primeira parada. Na televisão do Petropen vimos o Brasil dominar o jogo contra a Argentina. Mas gol, que é bom, nada. Depois ficamos sabendo que a Argentina venceu.

Avançávamos bem, a despeito das condições da BR 116. A estrada da morte estava mansinha naquele dia. Só vimos dois acidentes graves. Em virtude da grande distância que iríamos percorrer, era previsível que encontrássemos estradas muito piores do que aquela BR.

A sucessão contínua de montanhas cobertas com muito verde era às vezes cortada por um pequeno povoado ou uma cidade. A terra dos bandeirantes já nos estava oferecendo suas últimas cenas. Entramos no Paraná e logo chegamos a Curitiba. Orgulho dos paranaenses, essa cidade é o que o Brasil possui de melhor em termos de uma metrópole. Arborizada, ruas limpas, transporte coletivo eficiente. Tchau, Curitiba!

O sol começava a se pôr quando entramos em Santa Catarina pela BR 101. Seguimos por Joinville, Itajaí, Criciúma e chegamos à terra dos gaúchos. Seguindo animados pela estrada, nem percebi uma rotatória à frente. De repente, vi crescendo diante de nós uma calçada arredondada com alguns postes de iluminação. Reduzi bruscamente a velocidade e desviei, fazendo o contorno a quase 80 por hora. Passamos a centímetros da calçada. Pensei comigo: tenho que ser mais cuidadoso. Paramos em Taquara às quatro da manhã e nos hospedamos na casa dos primos do Rubem.

Cedo, no 2º dia, fomos para o IACS, onde divulgamos primeiro a campanha ecológica. O Diretor nos presenteou um tanque de gasolina e seguimos para Porto Alegre, onde o SELS também nos deu um tanque de gasolina e camisetas.

Fomos à TV GUAÍBA e apresentamos o nosso projeto. Entrevistaram-nos ao vivo e pudemos lançar a nossa campanha ali também.

Seguimos para Santana do Livramento. No caminho, paramos em Arroyo dos Ratos e almoçamos na casa de uma amiga do Márcio. O "Binho" trancou o carro com a chave dentro, mas com um arame e com um "jeitinho brasileiro" logo o abrimos.

Agora tínhamos ao lado da estrada outra paisagem - os pampas gaúchos. Extensas planícies, poucas vezes interrompidas por suaves colinas. A vegetação é mais baixa, mas abundante. Muito gado e plantações no caminho para a fronteira com o Uruguai. A chuva começou a cair e o frio a aumentar. Começava ali a nossa despedida do Brasil.

Chegamos a Santana do Livramento às dez da noite e logo cruzamos a fronteira, que ali é apenas uma avenida que divide a cidade ao meio. Fomos diretamente para a casa da dona Helena, a avó do Rubem, que vive em Rivera. Ela nos recebeu como se estivéssemos em nossa própria casa.

O inverno começava a falar mais alto e rapidamente as grossas blusas de lã passaram a ser o nosso agasalho permanente.

Naquela noite, nossos pensamentos se voltaram para o continente sul-americano que começava a se descortinar perante nós. No dia seguinte estaríamos oficialmente fora do Brasil.

IACS - Instituto Adventista Cruzeiro do Sul
SELS - Serviço Educacional Lar e Saúde







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