sexta-feira, 27 de março de 2009

Piauí 30 - Memórias de um adventista


Eu li ontem a história em quadrinhos da última Revista Piauí. É interessante e perturbadora. Claro, tem um humor sombrio, mas no fim, reflete um pouco a realidade de quem foi criança e pré-adolescente adventista na década de 70 e começo dos anos 80 do século passado. Faltou (na verdade) que o autor amadurecesse na Igreja para que pudesse ver as coisas de outro ângulo.
É isso.

domingo, 15 de março de 2009

O Massacre de São Bartolomeu

O Massacre da Noite da Saint-Barthélemy
Frank Viana Carvalho

Na noite de 23 para 24 de agosto de 1572, os sinos da catedral de Saint Germain-l’Auxerrois fizeram o prenúncio do dia da Saint-Barthélemy, por ironia um mártir. Com o toque dos sinos, ouvem-se também os terríveis gritos dos que eram assassinados. Começava o massacre da noite da Saint-Barthélemy em que, entre três e dez mil huguenotes morreram na capital francesa. Outros milhares morreriam no restante do país.

Poucos dias antes era calmo o ambiente na capital Paris. Havia sido celebrado no dia 18 de agosto um matrimônio real que deveria encerrar duas décadas de lutas religiosas entre católicos e protestantes.

Os noivos eram Henri, rei de Navarre e chefe da dinastia dos huguenotes, e Marguerite de Valois, princesa da França, filha do falecido Henri II e de Catarina de Médicis. Marguerite era irmã do então rei, Charles IX.

Milhares de huguenotes (protestantes franceses) de todo o país, a fina flor da nobreza francesa, foram convidados a participar das festas desse casamento. Na verdade, uma armadilha sangrenta, como se veria mais tarde. O casamento foi realizado por determinação da poderosa rainha-mãe Catarina de Médicis, conhecida por sua sagacidade e sede de poder. Mas as razões do massacre podem ser melhor explicadas.

O quadro já conturbado das disputas políticas e religiosas ganhou um complicador adicional quando Coligny (conselheiro real) convence o rei a reverter sua política externa tradicional e apoiar a resistência dos protestantes holandeses contra os espanhóis.

Se fosse concretizado esse plano, a França e a Espanha poderiam entrar em guerra. Catarina concluiu então que Coligny precisava ser eliminado, a fim de cortar toda a sua influência sobre o rei.

Sabendo que o seu filho não concordaria com uma execução legal, ela optou pelo assassinato do almirante. O plano era fazer parecer que Coligny fora morto pelos Guise – assim, a ira dos protestantes se voltaria contra os Guise, e duas ameaças à sua influência sobre o rei (Coligny e a família Guise) estariam afastadas.

Alguns dias depois da cerimônia de casamento, o almirante Gaspard de Coligny sofreu o atentado em rua aberta tendo apenas ferimentos leves. O problema é que o assassino errou o tiro e com isso, frustrou o plano de Catarina. Ainda assim, os huguenotes pressentiram uma conspiração.

Estava em perigo a frágil trégua obtida através do casamento. Carlos IX ficou estarrecido ao saber do atentado a Coligny, seu conselheiro e confidente. O rei então falou de “caçar implacavelmente os autores do atentado”, o que deixou sua mãe, Catarina de Médicis, em grandes dificuldades. Ela rapidamente modificou seu plano e junto aos líderes católicos espalhou o boato de que os huguenotes estavam planejando uma rebelião para vingar-se do atentado.

Neste momento, o rei Charles IX, a princípio inseguro, pressionado pela mãe e pelo temor da rebelião dos protestantes, finalmente cedeu e ordenou a execução de Gaspard de Coligny. (MIQUEL, 1976, p. 170-171; CHEVALLIER, 1954, p. 258).

Na impetuosidade da decisão solicitou um trabalho completo: nenhum huguenote que pudesse acusá-lo posteriormente do crime deveria permanecer vivo. Listas de nomes foram providenciadas para facilitar um massacre metódico. Os desprevenidos huguenotes foram mortos ainda em suas camas, a começar por Coligny, cujo corpo foi lançado pela janela do seu apartamento e depois, mutilado.

Teve então início o massacre que, segundo alguns historiadores, dizimou entre dez e cem mil huguenotes em toda a França. (ESTEBE, 1968, p. 19[1]; BURNS, 1994, p. 207[2]).

Henri de Navarre, o líder dos protestantes, foi poupado na Saint-Barthélemy, especialmente por ser genro da rainha mãe e ter ficado escondido nos aposentos palacianos.

O ódio misturado com o zelo religioso era tão grande que “o papa Gregório XIII fez cantar um Te Deum à Santa Maria e dirigiu uma cerimônia de ação de graças a São Luís, santo francês, em Roma, nos dias 5 e 8 de setembro de 1572, para agradecer a Deus de haver permitido” o massacre da Saint-Barthélemy. E “numa bula do dia 11 de setembro do mesmo ano ordenou um jubileu para obter a mesma graça da destruição dos huguenotes e o desaparecimento da heresia na França”. (AMBELAIN, 1981, p. 273).


Referências
AMBELAIN. A History of Political Thought in the Sixthenth Century. Londres: Methuen & Company Ltd., 1981.
BURNS, James Hendersen. The Cambridge History of Political Thought. Londres: Cambridge University Press, 1994.
CHEVALLIER, Jean-Jacques. Les Grandes Oeuvres Politiques de Machiavel a nous jours. Pris: Armand Collin, 1954.
ESTEBE, Janine. Tocsin pour um massacre: la saison des Saint-Barthélemy. Paris: Éditions du Centurion, 1968.
MIQUEL, Pierre. Histoire de la France. Paris: Arthéme Fayard, 1976.

[1] Janine Estebe (1968) apresenta numa pesquisa detalhada os seguintes dados: em 1661, Pèrefixe, preceptor de Luís XIV, na sua obra Vie de Henry IV dá o número de 100.000 mortos. Por outro lado, em 1758, o abade de Caveirac, na sua Dissertation sur la journée de la Saint-Barthélemy, afirma que o número total foi de 1.000 mortos. Entre esses dois números extremos há vários outros: Ainda no século XVI, Sully indicou 60.000 mortos; Michelet e o historiador oficial de Thou apontam 30.000; em 1630, o historiador italiano Davila indicou como sendo 10.000 os mortos no massacre; Bossuet, no século VXII afirmou que foram 6.000. Em síntese, por tudo o que se lê, tendo em consideração ao fato de que famílias inteiras foram mortas, corpos foram enterrados, jogados nos rios e até queimados; e os vitoriosos no sentido material e físico foram os do partido católico apoiados pelo rei, o número correto deve ser significativamente maior do que os historiadores católicos tentam demonstrar e certamente menor do que os cálculos feitos com influência protestante. (p. 18- 19).
[2] De acordo com as várias fontes de diferentes cidades onde houve registros do massacre, é seguro afirmar que devem ter morrido no mínimo, 30.000 protestantes.
Fonte da Imagem: http://www.emeth.com.br/wp-content/uploads/2008/12/571px-massacre_saint_barthelemy.jpg

Já faz um ano...

Ontem fez um ano que defendi minha tese doutoral perante a Banca de Filosofia na Universidade de São Paulo (FFLCH-USP). Aproveitando a data, apresentarei alguns pequenos trechos que resumem o texto que me permitiu alcançar o título de doutor em Filosofia.

Resumo da Tese

No amplo contexto social, político e religioso da França quinhentista (século XVI), as “Guerras de Religião”, sobretudo a São Bartolomeu (agosto de 1572 - Saint-Barthélemy), motivarão a produção de textos revolucionários pelos huguenotes (protestantes franceses).

O massacre que ocorreu por ocasião das festividades de São Bartolomeu dizimou milhares de protestantes franceses. O número pode ter chegado a cem mil huguenotes mortos em toda a França.

Indignados com a postura do monarca, escritos políticos surgem em todo o país criticando o massacre, a maldade e a indiferença do rei. Serão centenas de libelos, folhetos, panfletos, cartas e livros: alguns apenas apelativos, sem profundidade, outros, de teor religioso e, ainda uns poucos, mais profundos, de caráter político-filosófico.

Surgem ali os grandes escritos monarcômacos franceses. Dentre estes, três se destacam justamente porque conseguirão transcender as questões político-religiosas e realizar uma abordagem sistematizada de temas mais universais da manifestação política do poder.

Dessa forma, conseguirão superar em muito o âmbito da controvérsia então desenvolvida e lançar uma renovada visão em aspectos estruturais do regime de governo.

São eles a Franco-Gallia, da autoria de François Hotman (1573), Du Droit des Magistrats, de Théodore de Bèze (1574), e as Vindiciae contra Tyrannos, de Philippe Du Plessis-Mornay (1579).

Eles abordarão de maneira significativa os temas da limitação dos poderes reais, o direito de resistência à tirania e a teoria contratual nas relações entre governantes e súditos.

As numerosas edições e publicações destes trabalhos (livros) e os comentários de influentes pesquisadores transmitem o valor destas obras.

Dessa forma, escolhi como desafio ampliar os estudos desses livros e realizar uma análise do seu conteúdo para se ter uma clara noção do desenvolvimento do pensamento político dos revolucionários do século XVI, os monarcômacos.

A modernidade é devedora a estes autores[1], pois deles advem modernas teorias como o contratualismo (contrato entre governantes e súditos, nos quais o rei também está sob a lei), o constitucionalismo (a presença de um conjunto de leis que regem uma nação) e o direito de resistência à tirania (a defesa da legitimidade das revoluções políticas).

[1] Logicamente,outros autores posteriores trabalharão as idéias lançadas pelos monarcômacos e as aperfeiçoarão até que elas cheguem ao mundo contemporâneo.

sábado, 14 de março de 2009

A crença na existência de Deus

A crença em Deus ou a crença na existência de Deus.

A partir de uma perspectiva moderna ou da perspectiva do ceticismo, o ‘acreditar em Deus’ pode ser visto como ‘uma construção humana’, ou ainda, como diriam outros, é ‘algo que nos foi imposto’ ou inculcado pela sociedade. Dessa forma, não tivemos ‘escolha’, mas fomos cercados pela idéia de sua existência e não chegamos a refletir sobre isso.

A idéia exposta no parágrafo anterior, longe de ser uma aberração, é uma conjectura filosófica razoável e parece atraente a muitas pessoas em nossa época.

Entretanto, antes de avançar nos comentários sobre o exposto acima, não se pode deixar de considerar que há evidências plausíveis de que a ideia de Deus também se mostra inerente à condição humana. Haja vista o fato de que diferentes agrupamentos humanos, isolados ou não, primitivos ou não, mostram em sua construção cultural (sofisticada ou simples) uma crença em um Ser superior. A Revista Superinteressante (set/2007; ago/2008 e outras edições) volta e meia, apresenta alguns articulistas com pesquisas que tentam justificar ‘cientificamente’ a crença em um Ser superior.

Voltando a primeira consideração (‘acreditar em Deus’ como ‘uma construção humana), devemos observar que essa linha de raciocínio não nega necessariamente a existência de Deus, apenas mostra que a maioria crê, não por escolha, mas por indução.

Notemos ainda que há aspectos no ‘acreditar na existência de Deus’ que merecem uma análise mais aprofundada. É certo que cada colocação que farei poderia render mais do que um ou dois parágrafos, mas não é essa a minha intenção neste texto.

Acreditar em Deus

É fato que a nossa razão trabalha com os instrumentos que dispõe para interpretar o mundo à nossa volta. O ‘inteligir’ de Agostinho, o ‘cogito’ de Descartes e o ‘arrazoar’ de Kant nos fazem entender o mundo e buscar padrões, coerências e, os que vão mais a fundo, à busca de um propósito ou do ‘porquê’ de todas as coisas.

Assim, vemos que o ‘acreditar em Deus’ está ligado ou envolve algumas coisas das quais uma pequena minoria se dá conta. Não porque a maioria não seja capaz de assim o analisar, mas simplesmente porque quando reflete sobre esse assunto, segue em outra direção.

Se o acreditar em Deus é inerente à condição humana, não existe ‘escolha’ e o esforço na direção contrária é inútil, pois mesmo insistindo na tese da não existência, persistiria no homem a noção da Sua presença no Universo.

Observem que não estou utilizando uma lista de argumentos ontológicos ou metafísicos para ‘provar’ a existência de Deus. Estes argumentos existem e são muito bons[1]. (Prometo um dia detalhá-los neste blog). Além disso, existem os argumentos do desígnio e projeto (design inteligente), que são de natureza científica. Mas não é nessa direção que estou avançando, e sim, na análise da própria ‘crença’ na existência de Deus.

Um segundo elemento nesta análise é a caracterização deste Ser que tudo controla, que tudo rege. Para alguns, Ele seria uma força, um poder, perceptível na natureza, mas difícil de conceituar, difícil de explicar. Nessa concepção temos a crença de Einstein e de Spinoza. Em outra direção, temos uma visão de um Deus pessoal (para os teólogos cristãos), um Ser onipresente, onisciente e onipotente.

O interessante aqui é que de fato a ‘forma’ e o ‘modus operandi’ de Deus são, nas religiões ou nas filosofias, ‘representações’ e ‘construções’ humanas.

Um terceiro elemento é a aceitação daquilo que se chama de soberania do ‘Ser que rege o Universo’. Como assim? A aceitação da soberania de Deus por parte dos que creem nEle permite a compreensão e aceitação da ação de Deus no mundo sem as limitações que a grande maioria impõe à sua própria crença. Ele faz o que deseja porque Ele sabe o que é melhor.

Pode parecer antagônico, mas os céticos rigorosos, aqueles que duvidam da existência de Deus, muitos ou quase todos, também estabelecem um ‘padrão’ ou ‘conceito’ de Deus, no qual Ele só pode só pode existir de agir de ‘tal e tal maneira, ou ser ‘deste e daquele jeito’. Como assim?

Para estes últimos, Deus só pode existir dentro de certas especificações. Também estabelecem 'jeitos', formas ou maneiras de Deus agir e conduzir o mundo. Se Deus permite guerras e sofrimentos, então (para eles), Deus não pode existir; se há injustiças, idem; se há evidências de evolução, idem, pois na mente deles, não é possível que Deus existisse e agisse por este caminho (criar o universo por caminhos evolucionistas), etc.

Percebam que estou querendo mostrar que os céticos (ainda que muitos procurem negá-lo) também estabeleceram um ‘padrão’ ou uma ideia de Deus em sua mente e, por isso, não conseguem aceitá-lo.

Boa parte destes procura apenas negar o conceito de Deus presente nas religiões. Talvez sejam elas que afastam muitos dos céticos da crença, justamente pela forma como O apresentam.
Seria o caso que o Deus dos ‘crentes’ seja o Deus imaginado na mente dos ateus e, por isso, Ele seja rejeitado? Pode ser...

Mas, dessa forma, eles jamais poderão refletir a existência de Deus numa direção transcendental, porque sua noção de Deus envolve um conceito limitado (seja por influência alheia ou por construção própria) de Sua existência e Sua soberania.

Sem dúvida, muitos (se não todos) dos que creem na existência de Deus também o limitam, pois estabelecem a priori as maneiras como creem que Deus pode ou deve fazer as coisas. Entre estes há muitos que não podem aceitar que Deus possa ter criado o mundo por caminhos, tempos ou maneiras diferentes das que acreditam; que Ele tenha escolhido a entropia como parte de um mundo ‘perfeito’; que a revelação que o homem tem de Deus é imperfeita...

Voltando

Voltemos à ideia inicial. Sendo a ‘crença em Deus’, algo que ‘foi imposto’ pela sociedade de geração em geração, o caminho oposto, pela lógica, também pode ser afirmado de igual forma.

O ‘não acreditar em Deus’ tem sido ‘imposto’ por uma sociedade cética e incrédula. Esta sociedade, à semelhança das anteriores, também pode ter suas ‘razões’ para assim o fazer.

Mas não podemos negar que, no benefício da dúvida, ou melhor, do pleno funcionamento da razão, é uma ideia que nos está sendo ‘imposta’ por cientistas e pensadores representantes do status quo atual.

O que nos resta então? Aceitar a pressão ideológica e cultural das sucessivas gerações dos que acreditaram... ou a nova pressão exercida pela geração dos que não acreditam?


Tábua de Salvação

Alguns entendidos afirmam que o design inteligente, justamente por seu caráter científico[2], está se transformando na tábua de salvação ‘racional’ dos que creem em um Deus que tudo criou.

Pode ser.

Mas, a bem da verdade, o evolucionismo, por seu caráter científico[3] já é a tábua de salvação ‘racional’ de alguns que não creem em um Deus que tudo criou.

Um fato, contudo, talvez esteja a favor dos que não creem, sejam céticos, agnósticos ou ateus.

Por terem experimentado a ‘descrença’, parece que eles estão mais aptos a fazer a ‘escolha’ do que aqueles que simplesmente tiveram este conceito ‘implantado’ e ‘inculcado’ desde o nascimento e durante toda a vida.

Ou seja, para quem ‘desconstruiu’ a ideia de Deus e, com o conhecimento que tinha à disposição, construiu de novo, a ‘crença’ na existência de Deus pode ser realmente chamada de ‘escolha’.

Os dois parágrafos anteriores não diminuem os crentes, apenas mostram que a quase maioria absoluta deles não passou por um caminho intelectual de negação e depois, de aceitação.

Alguns, é verdade, passaram por terríveis dúvidas e questionamentos e chegaram ao limite de suas forças, mas mantiveram a crença. Talvez estes últimos tenham experimentado (ainda que por poucos momentos) o ceticismo em um nível muito elevado e, por pouco, não abandonaram por completo a premissa da fé. Sim, é possível que estes também tenham feito a escolha racional da crença na existência de Deus.

Escolhas...

Sei do que falo, pois percorri muitos caminhos, conheci muitas filosofias, cometi erros e acertos,
enfrentei completa descrença, ceticismo em um nível quase absurdo...

Se é possível assim o afirmar, optei pela razão, pela ciência, pela epistemologia, pela axiologia, pela metafísica...

E nesse caminho encontrei novamente o Criador[4]. Eu acredito em Deus! Será que eu escolhi crer em Deus!?!? Se assim o foi, eu o fiz na plenitude de minha razão!

Não posso negar que minha razão influencia tudo em minha vida, inclusive meus sentimentos[5]. Claro, sou um ser humano!

Pode ser verdade que alguns creem por alienação ou convicção cega. Não me vejo como prepotente ou arrogante ao dizer que este não é meu caso.


Referências:
[1] Apresento aqui dois destes argumentos. Um primeiro é a crença na necessidade da existência de Deus para que o mundo faça sentido. Entraria aqui a famosa lei da causalidade. A partir dela, Deus seria o ‘moto’ propulsor da existência de tudo o mais. Esta ideia nos vem por Tomás de Aquino. Surgiram ao longo do debate filosófico argumentos favoráveis e contrários a essa premissa, mas ela nunca pôde ser descartada.
Outro argumento, epistemologicamente forte, é que somente um ser supranatural (ou suprafísico) poderia dar existência a seres com características supranaturais (consciência, abstração, intuição, entre outras). A matéria inanimada seria incapaz dessa proeza (o desafio probabilístico para essa empreitada demandaria simplesmente um esforço sísifo [até para os especialistas]).
[2] Alguns cientistas evolucionistas sem se aprofundar na análise do D.I, afirmam que ele é anti-científico.
[3] Também há cientistas que negam o caráter científico do evolucionismo, colocando-o como uma ideologia com defensores ‘apaixonados’. O cientista Willem J. Ouweneel (Pesquisador Associado em Genética Experimental em Utrecht, Holanda, Ph.D. em Matemática e Ciências Naturais), afirma que é cada vez “mais evidente que a evolução não é sequer uma boa teoria científica”. (Fonte: http://www.scb.org.br/ - artigo “O caráter científico da Doutrina da Evolução”).
[4] Eu já O havia encontrado trilhando o caminho da fé, da teologia, da experiência espiritual...
[5] Seria a fé racional?
Fonte da Imagem: http://apertef5.com.br/wp-content/uploads/2009/03/deus.jpg

sábado, 7 de março de 2009

quarta-feira, 4 de março de 2009

Michael Behe questiona a Evolução

Quando uma teoria científica não é apoiada pelas evidências, ela deve ser revista ou simplesmente descartada. Foi o que fez o cientista Michael Behe ao ver as limitações do modelo evolucionista do acaso puro. Ele é o precursor moderno do ‘design inteligente’ completamente científico. Acompanho o seu blog e vejo ali apresentações de alto nível apoiando de maneira segura, científica e honesta a filosofia do ‘propósito’, do ‘desígnio’ e do ‘projeto’.

Agora está fazendo sucesso nos meios acadêmicos do hemisfério norte o mais recente livro de Behe, “The Edge of Evolution: The Search for the Limits of Darwinism”. Encomendei o meu pela Amazon Books e, somente após a leitura, compartilharei meus comentários aqui neste blog.

Só posso adiantar que, julgando pela sua linha de pensamento e, fruto de suas novas pesquisas, parece que o título do livro é, de novo (e, no mínimo) um embaraço para os evolucionistas do acaso cego.

segunda-feira, 2 de março de 2009

Darwin incentivou o Racismo Genocida?

Não é somente um fato histórico, é uma verdade inegável a utilização da teoria evolucionista na época da segunda guerra mundial para camuflar ideais de racismo, dominação e genocídio.

Entretanto, muitos irão dizer que Darwin jamais defendeu essas idéias e que isso (a utilização das idéias para justificar o racismo ou o genocídio) é o resultado de uma interpretação errônea de sua teoria. E mais, que essa seria uma acusação injusta...

Vamos analisar o que escreveu Charles Darwin? Nossa, é preocupante e assustador:

“Em algum período futuro, não muito distante se medido em séculos, as raças civilizadas do homem vão certamente exterminar e substituir as raças selvagens em todo o mundo. Ao mesmo tempo, os macacos antropomorfos... serão sem dúvida exterminados. A distância entre o homem e seus parceiros inferiores será maior, pois mediará entre o homem num estado ainda mais civilizado, esperamos, do que o caucasiano, e algum macaco tão baixo quanto o babuíno, em vez de, como agora, entre o negro ou o australiano e o gorila.”

Ele também diz:
“Olhando o mundo numa data não muito distante, que incontável número de raças inferiores terá sido eliminado pelas raças civilizadas mais altas!” (...) “Entre os selvagens, os fracos de corpo ou mente são logo eliminados; e os sobreviventes geralmente exibem um vigoroso estado de saúde. Nós, civilizados, por nosso lado, fazemos o melhor que podemos para deter o processo de eliminação: construímos asilos para os imbecis, os aleijados e os doentes; instituímos leis para proteger os pobres; e nossos médicos empenham o máximo da sua habilidade para salvar a vida de cada um até o último momento... Assim os membros fracos da sociedade civilizada propagam a sua espécie. Ninguém que tenha observado a criação de animais domésticos porá em dúvida que isso deve ser altamente prejudicial à raça humana. É surpreendente ver o quão rapidamente a falta de cuidados, ou os cuidados erroneamente conduzidos, levam à degenerescência de uma raça doméstica; mas, exceto no caso do próprio ser humano, ninguém jamais foi ignorante ao ponto de permitir que seus piores animais se reproduzissem.” (1)


Análise

Sou um homem das ciências humanas. Tenho que me esforçar para não fazer nenhum comentário que possa parecer tendencioso ou enxergar algo que possa prejudicar a imagem do cientista Charles Darwin, agora tão celebrado que é até tema de escola de samba (2). Mas sendo sincero, os trechos acima falam por si só.
Veja bem, apela Darwin sem rodeios para a eliminação daqueles que ele considera um peso para a humanidade?

Obviamente Darwin era fruto de seu tempo, de sua época. O racismo apresentado como o pensamento e a visão de que havia raças 'humanas' inferiores era muito comum naquela época. É verdade que isso pode minimizar as declarações acima apresentadas. Mas naquela época, diversas pessoas conseguiam olhar mais adiante (um olhar ou visão 'a frente de seu tempo') e enxergavam cada ser humano, não importando sua etnia como alguém de valor e com toda a dignidade que nós todos merecemos.

Darwin só refletiu as idéias de seu tempo ou foi alguém que conseguiu vislumbrar o futuro?

Se ele vislumbrou o futuro, temo pelos rumos da humanidade.


(1) Textos selecionados por Olavo de Carvalho a partir da obra “A Origem das Espécies”, Capítulo III - Luta pela sobrevivência e capítulo IV - A seleção natural ou a perseverança do mais capaz.
(2) Cortejo na Bahia em homenagem a Darwin será dia 14 de março (http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=61921)
Fonte da Imagem: WWW.cepeca.org.br

Comemorações em torno de um mito


É impressionante o valor que algumas pessoas ou comunidades dão a certas pessoas não merecedoras. Falo nesse momento das comemorações do bicentenário do nascimento de Charles Darwin. Idolatrado pela ciência moderna, ele é a prova de que as estratégias de persuasão são mais eficientes do que as verdades científicas.

A hipótese científica do evolucionismo não era, em absoluto, uma novidade no século XIX. Os filósofos cristãos Agostinho e Tomás de Aquino, em suas conjecturas, já aventavam essa hipótese. O que dizer então de Aristóteles, que na antiguidade clássica já via elementos de evolução em suas pesquisas e escritos? Mas também havia outros...

Erasmus Darwin acreditava de uma forma meio espiritual, meio esotérica, em evolução das espécies. E Darwin, espertamente, pegou as idéias de seu avô e as transformou em ‘doutrina’ científica. Escreveu uma longa obra, repleta de explicações que buscassem justificar sua ‘nova’ teoria.

Hoje vemos reedições nas livrarias da famosa obra “A origem das espécies”. Qualquer um pode ir a uma livraria e adquirir um exemplar. Parece incrível, mas a obra está repleta de erros, e isso do ponto de vista científico. Muito bem, dirá algum evolucionista, ele a escreveu no século XIX e houve muita evolução no conhecimento desde então. O problema não é esse.

O problema é que justamente os fundamentos da teoria estão errados em sua obra.

Os neodarwinistas não acreditam mais em “seleção natural”. Modernamente, o que se crê, é que tudo o que houve foram mudanças aleatórias nas espécies, que ocorreram por puro acaso. No neodarwinismo, em vez de uma seleção orientada ao melhoramento das espécies, o que houve foi uma força do ‘acaso’, empurrando as espécies cegamente à frente. Se obtiverem alguma vantagem, ‘foi por pura sorte’, mesmo negando hipóteses estatísticas.

Hoje também não falam em ‘sobrevivência do mais forte’ e sim, do mais ‘apto’. Claro, pois como é que vão explicar espécies que são evidentemente concorrentes, disputando lado a lado, por ‘milhões de anos’ e ainda sobrevivendo? Aptidões...

O mais interessante está reservado para o final. Não o final de meu comentário, mas o final da obra prima de Darwin. A parte que caminha para a conclusão de seu livro mostra claramente a teoria do design inteligente.

Um cientista atual, de nome John Angus Campbell, demonstra que o Design Inteligente não é apenas um ponto discreto na teoria darwinista, mas a sua premissa fundamental, espalhada discretamente por toda a teoria e modelo de argumentação na obra “A Origem das Espécies”.

Vejamos bem, se é que consegui ser claro. As bases que lançaram o evolucionismo do acaso no mundo moderno foram todas rejeitadas pelos modernos evolucionistas. E o design inteligente, a única coluna (teoria) que persiste, do edifício lançado por Darwin, é solidamente utilizada pelos adversários do evolucionismo do acaso.

O que fez então Darwin ser tão famoso e cultuado por essa comunidade?

Campbell, numa reportagem disponível na rede[1], mostra em seu estudo sobre os livros científicos do ponto de vista das “estratégias de persuasão”, que o valor das idéias está mais na forma como são apresentadas, do que na própria idéia. O evolucionismo do acaso tem lançado mão dessas estratégias de forma brilhante.

Como diz o filósofo Olavo de Carvalho, “o darwinismo é uma idéia escorregadia e proteiforme, com a qual não se pode discutir seriamente: tão logo espremido contra a parede por uma nova objeção, ele não se defende – muda de identidade e sai cantando vitória.”[2]

Mas, mais do que isso, quando derrotado em seus argumentos, o evolucionismo cego muda seus argumentos, desconsidera os seus críticos, lança novas hipóteses e diz que ‘a teoria é a mesma’. Que, em síntese, ‘não houve mudanças’.

Quanta coragem (e esperteza) para dissimular!

Fonte da Imagem: http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/3/3c/Charles_Darwin_01.jpg
[1] http://www.youtube.com/watch?v=_esXHcinOdA
[2] http://www.olavodecarvalho.org/semana/090220dc.html

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